sábado, dezembro 22, 2007

Festas Felizes!

Noite Feliz...




Não devo cá vir antes do fim do ano. Que possam todos viver esta noite com este espírito...

Natal Internacional



Todos os Natais que passei fora, de Paris a Houston, ficaram marcados por esta canção... É de certa forma a canção da distância, muito embora estas crianças consigam pintá-la de um calor... que aproxima.

Deve passar este natal num canal qualquer...




Enquanto passa e não passa, fica-se com a voz angelical no ouvido e com fragmentos de um filme que tem muito que se lhe diga. Ou talvez não.

domingo, dezembro 16, 2007

Estrela do Ocidente

Por teus olhos acesos de inocência
Me vou guiando agora, que anoitece.
Rei Mago que procura e desconhece
O caminho,
Sigo aquele que adivinho
Anunciado
Nessa luz só de luz adivinhada,
Infância humana, humana madrugada.


Presépio é qualquer berço
Onde a nudez do mundo tem calor
E o amor
Recomeça.
Leva-me, pois, depressa,
Através do deserto desta vida,
À Belém prometida…
Ou és tu a promessa?






Miguel Torga


Corais

Opções de mensagens
Ando a ter uns fins de semana culturais... Ontem em Braga teve lugar o XII Puer Natus est, o Concerto de Natal do Coro Académico da Universidade do Minho. Muito bonito, com cheiro a Natal e um sabor especial: duas orquestrações do meu irmão. Orgulho familiar à parte, registo, a bem da verdade, o facto de haver muita gente nova a escrever muito boa música em Portugal. A ter em conta.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

O rapaz dos amarílis


Pink_Amaryllis

Não estava lá quando me cheguei à frente. Veio escassos segundos depois. Não consegui disfarçar. Ganhou-me naquele preciso momento, os meus olhos já não eram meus, a atenção toda nele, toda deles. Atrasei o passo, deixei-o avançar, sempre com eles, tão singelos, deixei, deliberadamente, para os poder observar melhor. Esqueci o frio, tanto calor e tanta gente na estação da Casa da Música, iam murchar. Não obstante, quis ver. Não vê-los estragarem-se, não, quis ver a cara, os olhos, a alma de uma pessoa assim. Bonita.
Porque é bonita, de um bonito que as palavras não conseguem dizer, de um bonito que prende o olhar, de um bonito que é sentir só e sentir diferente, qualquer pessoa que desafie as leis das seis e meia da tarde de uma sexta-feira de Dezembro para entrar no metro com um ramo de amarílis. Vermelhos, não, laranja, não, vermelhos e laranja, que também havia fogo neles. Duas hastes, três flores, seis amarílis ao todo. Sob um verde que desconheço, seis amarílis cor-de-fogo atravessados por uma única rosa branca, em botão. Atravessados por uma única rosa branca. Em botão. Eu, trespassada pela imagem.
As pessoas a entrar e a sair e eu com os amarílis nos olhos. E na cabeça. E, algures, no lado esquerdo. Crescemos a ouvir histórias de príncipes que se encantam por princesas e que, em nome de um amor maior que a vida, oferecem rosas e amarílis, e, crescidos, nunca, por um momento, pensamos que a razão por que os príncipes encantados não existem é porque padecemos de um mal muito grande que é a cegueira de querer ainda fazer isto, sem esquecer aquilo, de por isso não ter tempo para, nem querer assim, que assado é que se está bem.
Este príncipe, como todos os príncipes, era banal. A todos os níveis. Encantadoramente banal. Mais banal que a mais banal das pessoas. Não havendo nele um único símbolo, um único sinal, uma marca, um estilo, nada. Absolutamente nada que o pudesse inserir em qualquer tipo de taxonomia. A-étnico, a-religioso, a-social, a-cultural, a-político, a-económico. Daí, a certeza. Príncipe. De amarílis ígneos e pura rosa junto ao peito, um castelo nos olhos, chamas no coração. Príncipe. Tal como é princesa toda a menina a quem se destina uma prenda assim.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Porque aos 12 de hoje faltam 12 dias...

Porque é de longe a minha canção de Natal favorita. Porque falta pouco. Porque...



Religious symbolism of The Twelve Days of Christmas (The 12 Days of Christmas)

1 True Love refers to God
2 Turtle Doves refers to the Old and New Testaments
3 French Hens refers to Faith, Hope and Charity, the Theological Virtues
4 Calling Birds refers to the Four Gospels and/or the Four Evangelists
5 Golden Rings refers to the first Five Books of the Old Testament, the "Pentateuch", which gives the history of man's fall from grace.
6 Geese A-laying refers to the six days of creation
7 Swans A-swimming refers to the seven gifts of the Holy Spirit, the seven sacraments
8 Maids A-milking refers to the eight beatitudes
9 Ladies Dancing refers to the nine Fruits of the Holy Spirit
10 Lords A-leaping refers to the ten commandments
11 Pipers Piping refers to the eleven faithful apostles
12 Drummers Drumming refers to the twelve points of doctrine in the Apostle's Creed

http://www.carols.org.uk/

terça-feira, dezembro 11, 2007

O cigano

Ouvi, calei dentro, nunca mais me lembrei.
Até esta tarde. O Porto acabou de jogar há pouco para a Liga dos Campeões e portanto tudo o que é serviço noticioso de tudo o que é canal não se calou com isso o dia todo. Uns falavam nos quinze mil que iam engarrafar o metro, outros nas tricas do campeonato nacional, outros ainda na mística dos balneários do Porto. Estaquei nesses, não pela notícia, não pelas instalações, nem sequer pelo clube que é o meu, mas pelo espectáculo. Há um canal que anda a apostar muito nisso agora... o espectáculo era o Miguel Guedes dos Blind Zero a ser guiado por ali dentro, balneários do FCP bem entendido, pelo Quaresma. Gosto do Quaresma. E gosto do Miguel Guedes. Mas gosto mais do Quaresma. Sigo-lhe mais de perto o trabalho, não sou rapariga de crónicas em jornais desportivos. Então, trocavam galhardetes os dois, o Guedes com a inteligência e simpatia que o caracterizam, o Quaresma com o pouco à-vontade e laconismo que o caracterizam também, mais ou menos. E os painéis com fotografias dos adeptos que pedem mais uma vitória isto, e o peso da camisola ou do emblema aquilo, e o cantinho de cada um, mais cheio ou mais vazio, dependendo da pessoa em questão. Que o nosso Quaresma tem o cubículo cheio de cremes e perfumes, ...para que as pessoas não pensem que os ciganos são sujos..., nas palavras do próprio. E riram-se ambos da piada e a peça prosseguiu e eu lembrei-me. Porque não encontrei a graça. E tenho a mania que a boca fala do que transborda do coração. Lembrei-me. Lembrei-me daquele dia no metro, em Matosinhos, quando meia dúzia de miúdas estacaram, cara colada ao vidro primeiro, longas gargalhadas depois. Olha, olha, olha, um pica cigano. Não sabia que aceitavam ciganos pra picas, vês? Ali!...
É muito difícil viver com um estigma, qualquer que ele seja: etnia, raça, sexo, religião, deficiência, opção sexual, profissão, regime alimentar... Aqui ou no Kosovo, cigano é sujo, malcheiroso, renegável e renegado, não é preciso muito para senti-lo. O pior é que tenho a certeza que avós ou tios dessas adolescentes foram e/ou são emigrantes em França, por exemplo. E, assim sendo, são os ciganos de Paris. Sei. Já vivi lá, há não muito tempo, quando estudava na Sorbonne, e por muito que queira não consigo apagar de dentro a estupefacção da minha professora de Latim quando viu na minha ficha que era Portuguesa, porque, segundo a própria, algo não estava (?!) certo: morava em Montparnasse,a dois minutos dos Jardins do Luxemburgo, era bonita, e imagine-se: tinha telemóvel! Pas possible! Sei também que, paradoxalmente, estas meninas idolatrarão o Quaresma, mas ouvem os pais chamá-lo de cigano, e chamar é muito diferente de designar, tem conotações, maledicências, preconceitos e medos pendurados em cada uma das letrinhas que compõem a palavra.
Não acompanhei o jogo, mas julgo que lhe correu bem, falaram com ele no fim. O que quer dizer que amanhã virá nos jornais e toda a gente falará no cigano. Não no miúdo que sonha e faz arte com os pés, no Quaresma que tantas vezes joga por toda uma equipa, no Ricardo que é juvenilmente caloroso nas celebrações de golo e que é nosso e que é bom. Não. O cigano é que andará em todas as bocas grandes deste país pequeno. O cigano.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Bilhetinho de Natal - the american way


JJ's last X-Mas surprise, Rice Univeristy, Houston, 10/12/2006

Sabia que tinha guardado esta fotografia algures. Faz hoje um ano, curiosamente. Poucas coisas me surpreendem, mas esta além de conseguir a proeza de o fazer, encantou-me. O meu colega de gabinete, que me cedeu a sua secretária o ano todo, foi entregar uns livros à biblioteca e ao passar pelo "nosso" cantinho colou-me no portátil esta surpresa.
Inusitado para um europeu. Para mim. Regular. To americans. Acreditem.

Um abraço dentro de um envelope...



JJ's messy kitchen table this afternoon


Este não é só um postal de Natal... (...) ... é um abraço dentro de um envelope.

É o que se pode ler num dos postais que acabo de selar. Acho que todos os postais, todas as cartas, todos os bilhetinhos e todos os livros são assim. Mesmo o que disso não fazem menção. Especialmente os que disso não fazem menção. Tudo o que escrevemos é assim. Toca o outro. Como num abraço. Ou num estalo. Ninguém devia escrever de ânimo leve. Ninguém escreverá, possivelmente.
Numa época em que é fácil e cómodo e barato, perdão, gratuito, mandar um mail ou uma sms (antes do fim desta semana para de e para TMN), e há tão tocantes, nada se comparará à prenda que um postal de Natal pode ser. Porque, como as coisas mais bonitas, levou tempo. Passou por uma escolha de tamanho, cor, textura, da imagem que mais paz dará ao outro. Passou por um crivo, outro, o da escrita, da busca das expressões, das palavras que se quer oferecer e que faz bem ao outro ler, por conhecimento de causa. Palavras que passaram do coração à cabeça, da cabeça aos dedos, dos dedos à caneta, da caneta ao papel. Sem hesitações, sem borrões, sem rabiscos, palavras mais imaculadas que o papel, puras como o supremo bem que se deseja ao outro. Sempre. Mas que se diz mais no Natal.

Passei os meus dois últimos natais nos EUA. Conheci muita gente e aprendi muita coisa nos EUA. Lembro-me disso todos os dias, é inevitável: foi lá que comecei o meu trabalho, foi lá que discuti as minhas ideias e obtive outras tantas a respeito do mesmo. É a modos que automático...
Mas ainda há pouco, quando abria o postal da minha amiga, lembrei-me de algo muito maior: o abraço americano.
Os americanos desconhecem os dois beijinhos: cumprimentam os conhecidos com a mão e reservam para os amigos os abraços. Agora acho bonito, recomendo até, mas no início, horrivelmente constrangedor: ter os braços de pessoas que não considerava íntimas à volta do meu corpo era muito estranho, muito embora o importante mesmo fosse o significado do gesto. Friends we were!
Os americanos são um povo sui generis. Gosto muito de todos com quem tive a sorte de conviver de perto, mas continuo a achar que, na generalidade, como me disse o Manu um dia, vêem demasiada televisão. Para o bem e para o mal. Para o sonho e para a violência. Para o amor e para a morte. Os americanos são a televisão que vêem e pouco mais.
No entanto, quem tem a sorte de ter um amigo americano, amigo mesmo amigo, americano mesmo americano, é incapaz de ficar indiferente ao seu abraço, de não se deliciar com a flor que nos põe no cabelo porque estamos tristes, com o bilhetinho na secretária porque está sol ou é Natal, com o colinho, com a festa-surpresa, com tudo o que um abraço de Natal, de oceano a oceano, nunca conseguirá igualar; mas, nem que seja pela evocação desses abraços passados, tentará...

quarta-feira, dezembro 05, 2007

O Natal da Webboom

Gosto de livros. Gosto do Amazon, da FNAC, da Assírio e da Webboom.
E eles sabem que gosto. Em especial de descontos. Até dos descontos de Natal da Webboom. Não gosto é que os ditos me cheguem ao mail através de uma mensagem com o título que enunciarei ipsis verbis: "Um Natal porreiro, pá! - é o que lhe deseja a Webboom..."
Gosto de me rir aos Domingos à noite com os Gato. Reconheço-lhes graça e mérito e inteligência, mas não encontro nada disso na publicidade da Webboom. Pelo contrário, chocou-me. Tal como há dois minutos, quando ouvi na rádio um anúncio de uma nova rede móvel em que um avô, note-se, reagia ao anúncio de casamento da neta com um sonoro "Phooooooonix!"
Não tenho nada contra o trabalho dos publicitários, não tenho nada contra a apropriação de frases feitas, não tenho nada contra a adopção de um registo de pendor mais oralizante, muito pelo contrário: percebo que na generalidade dos casos tudo se conjugue para o estabelecimento de uma empatia quase imediata com o target, afinal é de marketing que se trata, pelo desencadear da emoção, do riso, mais ou menos fácil. O que me preocupa aqui, e me choca, é puxar-se dos galões da assimetria emissor da mensagem/registo para (se) fazer (notar), rir, comprar. Pode ser de mim, mas não conheço qualquer editor que faça votos de festas felizes assim, nem avô nenhum que reaja daquela maneira.
É claro que não se exige a um publicitário que seja linguista, mas eu, se pudesse ser Pai Natal, pedia que pusesses em alguns sapatinhos, perdão, cabeças, pretensamente pensantes, uma coisa que se chama bom-senso.

Não gosto do apelo consumista que se faz sempre por alturas do Natal, mas, boas notícias para mim, com anúncios destes, acho que consigo controlar os meus ímpetos...

terça-feira, dezembro 04, 2007

Santa Claus is coming to town!


X-mas boot at JJ's kitchen

Feita (há que tempos!) por mim e pela minha mãe. Para colorir o Natal portuense.

domingo, dezembro 02, 2007

A mais bonita época do ano...


The setting up of the Christmas Tree, this morning, JJ's living room


... começa hoje, 1º Domingo do Advento. Para mim, claro.