domingo, abril 09, 2006

Da incrível atracção do gigante pelo chão



FCP SEMPRE!!! A Super Liga é nossa, la, la, la, la, la, la!...

"A inveja é um monstro verde."
Shakespeare, Othello
* Para mais e melhores informações ler " O COMPLEXO DE DAVID E GOLIAS" nos Archives em March 2006.

sexta-feira, abril 07, 2006

SAUDADES (III)




Mercado Ferreira Borges; Imperial; Foz.

Porque chegam ao fim de semana, as Saudades???

7 de Abril - Dia Mundial da Saúde

Definição de Saúde
Na actualidade, "saúde" tem sido definida não apenas como a ausência de doenças. "Saúde" identifica-se com uma multiplicidade de aspectos do comportamento humano voltado para um estado de completo bem-estar físico, mental e social.
David C. Nieman - Exercício e Saúde, 1999.
Por isso, nem que tenham que fazer uma loucura, SEJAM FELIZES!!!

Tenho sede... quero ASAS!!!

Sabem qual é a primeira coisa que vem à mente quando se está no septuagésimo quinto andar de um prédio a olhar para a cidade minúscula lá em baixo?
"Tenho sede, quero ASAS!"
Autêntico.

terça-feira, abril 04, 2006

The "March of the penguins" by JJ


Nada como a certeza de aqui/assim poder descansar os olhos... e adoçar este final de dia!

Desabafo

Li algures há dias, e subscrevo em absoluto, que o Homem se debate desde sempre com três lutas básicas e estruturantes: a luta com o meio ambiente, a luta com o outro e a luta consigo mesmo. E das três é a última a mais difícil. De aceitar. De vencer. De ultrapassar.
Hoje, durante todo o dia, circunstâncias variadas forçaram-me a ter isto em mente. E é com uma tristeza profunda como o mar e um sentimento de revolta muito grande que escrevo estas linhas. (Se calhar, exagero. Como sempre.)
Levei dezassete anos da minha vida – e considero que foi demasiado tempo – a perceber que possessividade é sinónimo de insegurança. As pessoas não nos pertencem. As obras não nos pertencem. Tanto umas como outras devem ser criadas na liberdade e para a Humanidade. No fundo, nada é nosso. Até porque nós somos tudo. Parte do todo que é tudo. Custou-me imenso chegar a esta conclusão na adolescência. Sofri horrores, e só venci essa luta interior depois de muito procurar, depois de me acalmar e ter o distanciamento suficiente para reflectir, racionalizar, depois de a poeira assentar e finalmente não ter medo de encontrar dentro de mim as respostas. Tinham lá estado sempre. Apenas esperavam o momento da minha predisposição a vê-las e aceitá-las.
Não entendo como é que pode existir alguém com vinte e sete anos que nunca passou por esse tipo de situação-limite. Mas percebo, percebi esta manhã, a profundidade do aforismo “A minha liberdade ACABA quando começa a liberdade do outro.” Verdade. Infelizmente. Quando o que deveria acontecer, se todos fossemos verdadeiramente humanos – seguros, atentos, maduros – seria algo do género: A minha liberdade COMEÇA quando começa a liberdade do outro. Mas não, na realidade acaba. Confere. Experimentei-o hoje.
Tudo começou logo pela manhã quando me apercebi de que a TAL tinha limitado a uso interno o acesso às três únicas músicas que tem no site em mp3. Bravo! Se estão registadas na SPA e se estiveram desde sempre disponíveis para audição online porque é que doravante o uso é interno? Mais valia retirarem-nas da internet, não? É menos ofensivo. Fere, mas não atenta tanto à minha dignidade como consumidora. Fere, porque quando se está longe, qualquer pedacinho de Portugal é importante. E se há a possibilidade de Portugal nos fazer companhia todo o dia…Mas, não: uso interno. Façam bom proveito!
Logo de seguida, foi a E. Apanhou-me no Messenger e dando mostras da maior necessidade e urgência pede-me permissão para fazer uma pergunta. Eu estava cheia de pressa porque tinha de ir para a aula, mas como o assunto me pareceu sério, alertei-a para o facto de não me poder alongar na resposta e pedi-lhe que disparasse. E zás, retirou a anilha à granada e estilhaçou-me. Completamente. Não é que a pergunta, seca, maquiavélica, foi apenas um pretexto para uma descompostura de todo o tamanho! Directamente da detentora da Sobrenomenclatura do nosso colega Edu para aqui a inconsciente, negligente, vilã, criminosa, terrorista antroponímica. Por miúdos: num mail que mandei a todos os meus amigos, conhecidos e afins, figurava um sobrenome a seguir ao nome Edu que não é o dele. E daí o rol de perguntas, o atear da pira e o renascimento da inquisição. "Onde é que foste buscar esse sobrenome?" (...) "Sim, porque o mail é o do Edu." "Eu, eu…" "Diz lá, onde?" "Não sei…" (...) "Eu, eu…" "Ele não é B., nunca foi, é O!!!" "Mas ele…, (...) eu… eu pensei...," (...) "... ele nunca se queixou..." "Como é que podes fazer isso?" "Francamente!" "Palavra de Honra!!!..."
É de mim ou isto é de uma baboseira tal, que roçando o absurdo, de tão ridícula, chega a ser hilariante? Perdi eu minutos de aula com isto, e, porque entrei em choque, quase anifilático, acabei por lhe responder apenas: "Obrigada pelo reparo-É só?-Tenho de ir para a aula-Beijos." Telegráfico? Talvez. Cuidadosamente compassado. A contrastar com o turbilhão interior. Alguém me pode ter a bondade de explicar como é que é possível uma cena SURREAL destas acontecer? Eu já desisti de tentar perceber.

Querida E., aconselho-te a contactares a TAL e te informares acerca da possibilidade, certamente gratuita, de vedares o acesso ao Edu via palavra-passe. Para teu "uso interno".

SAUDADES (II)



Livraria Lello; o Imperial/Mac dos Aliados; Casa da Música

segunda-feira, abril 03, 2006

OS CHEIROS DA MEMÓRIA (I)

Porque é Domingo de manhã lembrei-me, no caminho para a missa, do cheiro do colorau dos bifes da minha mãe. O cheiro do pós-missa. O cheiro do Domingo.
Admito que seja ridículo, quase hilariante, este menu dominical, mas nós comíamos bifes em molho de colorau, louro, alho e vinho, com arroz branco e salada, ao meio-dia em ponto, vindos da missa das dez e meia, todos os Domingos, quando éramos miúdos. E passávamos a semana toda a suspirar pela chegada do Domingo, precisamente por causa do arroz e dos bifes. E da salada, claro! Que na minha casa toda a gente sempre comeu de tudo. E gostou. De tudo. Sempre. É uma questão de educação, suponho, hábitos que vêm quase do berço.
Tenho plena consciência de que isto será certamente absurdo para as pessoas do continente, para quem essa comida é a do quotidiano. E acredito que até mesmo para a grande maioria dos meus conterrâneos o seja também. Mas madeirenses haverá que me entendem na perfeição. A culinária madeirense é absolutamente diversa da continental.
Então, durante a semana, como ambos os meus pais trabalhavam (e trabalham ainda!), ficávamos nós, as flores do quintal, a casa e, consequentemente, as refeições, ao encargo da minha avó. Esqueci-me de referir um facto importante: Vivíamos com os nossos avós. Os pais e os meninos.
E a minha avó, do alto dos seus setenta e muitos anos, não conhecia a Filipa Vacondeus ou o Michel e respectivas receitas (graças a Deus!), desconhecia as últimas da “Saberes e Sabores” e nem sequer a existência da “Teleculinária”, pelo que almôndegas, rissóis, esparguete à bolonhesa, rojões, lasagna, e até bifes estavam a anos-luz do seu universo culinário. Mas era uma cozinheira de mão-cheia. Inultrapassável. Inalcançável. Fazia o melhor arroz de couve do mundo, o peixe mais delicioso do universo (de qualquer maneira que o confeccionasse); um cozido “à madeirense” sem comparação; frequentes sopas de massa (do mais típico manjar madeirense: sopa de couve, feijão, abóbora, semilha/batata, batata doce, pepinela/chu-chu e carne); milho (papas de milho amarelo, o ex-libris da gastronomia madeirense, pollenta na terminologia da nouvelle cuisine), muito milho, ora com cavalas em molho de vilhão; ora com atum fresco em azeite e vinagre, com salsa e cebola, ora com bacalhau em azeite, vinagre, salsa, cebola, alho e pimenta – este último conduto é que deu azo às familiarmente célebres competições de tolerância do ardor das pimentas entre o meu avô e a minha pessoa, aos cinco anos de existência.
Tudo era preparado com antecedência, cuidado e profissionalismo. A minha avó preparava o molho para toda a gente, os comuns mortais; o meu avô para nós, os competidores. Isto porque o molho da minha avó era tolerável por toda a gente e isso invalidava a nossa contenda. E para o meu avô, “…molho que é molho tem que arder, não prometer que arde!” E lá íamos nós, rindo, a maior parte do tempo tossindo, mas o facto é que acabávamos sempre com o prato de comida (e eu com a água do copo!) num instante. E ganhava-lhe muitas vezes. Tenho a certeza, porém, de que ele me deixava ganhar. Ele dizia que não e contava, impressionado e orgulhoso, o feito aos meus pais ao fim do dia. A minha avó não gostava do concurso. Dizia que o meu avô era maluco e até mais criança do que eu. E quando desatávamos os dois a tossir – da pimenta, claro! – ria-se, ria-se muito antes de ficar muito séria e dar-nos uma decompostura de todo o tamanho. Às duas crianças.
Então, durante a semana, devorávamos, deliciados, os manjares madeirenses da minha avó. Ao fim-de-semana, cozinhava a minha mãe e então comíamos bacalhau com todos, empadão (de carne, peixe, atum…), peixe no forno, esparguete com costeletas, feijoada, frango assado e bifes. E o arroz, a acompanhar, era sempre branco. Nós pasmávamos e comíamos tão avidamente com os olhos quanto deglutíamos aquele arroz, colorido apenas pelo molho dos bifes. A minha avó tinha pavor a arroz branco, o arroz tinha que ser de couve ou cenoura ou ervilhas ou feijão. Branco, nunca! Bem, nós gostávamos da alternância e julgo que ela, lá no fundo, também; apesar dos reparos constantes, as mais das vezes irrelevantes, ao labor culinário da minha mãe. Se calhar é por isso que até hoje a minha mãe continua a achar que não sabe cozinhar. Que quem sabia era a minha avó. E que como ela só eu.
Eu acho que como a minha avó ninguém. Como a minha mãe ninguém. Como eu ninguém.
A culinária é como uma impressão digital. Cada um tem a sua marca. Única e irrepetível. Incomparável. Inigualável.
Os cozinhados da minha avó eram deliciosos. Um admirável exercício de sabedoria com certeza “de experiência feita”, equilíbrio e criatividade que faria as delícias de qualquer gastrónomo. Ela tinha a extraordinária capacidade de tornar tudo e qualquer coisa verdadeiramente apetecível e saboroso. Muito embora, com franqueza, sopa de massa nunca mais (!) e milho só muito de vez em quando (mas frito, a qualquer hora!). Enjoei. Mas por outras razões que nada têm a ver com o dom culinário da minha avó. Outras histórias.
Os cozinhados da minha mãe são deliciosamente únicos. Têm o sabor do Amor. Não sei como explicar; há um sabor, para além do sabor de cada alimento, que é diferente, que é o sabor da minha mãe. Quando estava no Secundário, a minha mãe fazia-me sandes (imposição minha) para o almoço. Às vezes eu ajudava-a, porque éramos quatro e as aulas começavam às oito da manhã. Então, à uma da tarde, quando almoçava, sabia sempre quais eram as sandes saídas das mãos da minha mãe. E demorava-me a comê-las. Demorava-me nela. No seu Amor.
Mas estávamos a falar de colorau, de bifes e da doce recordação de Domingos passados. Dos Domingos em que éramos invariavelmente oito (dois pais, dois avós, e quatro crianças), todavia às vezes nove (um tio), à mesa. Dos Domingos de azáfama, intermináveis histórias de feitos e façanhas do clã – os mesmos episódios a cada Domingo –; das descrições tristes e emocionadas de episódios de pobreza, amargura e até alguma má sorte de alguns antepassados; da partilha dos pontos altos (ou baixos) da semana; das adivinhas e das anedotas; das sonoras gargalhadas da minha mãe; das imitações dos famosos a cargo do meu pai, “humorista”, – desde o padre da freguesia ao primeiro-ministro, passando por cantores, actores, jornalistas… –; dos risos e tropelias à mesa; da ordem pré-estabelecida dos lugares, por questões de logística, funcionalidade e conforto – certamente, fruto de muito estudo parental –; dos copos que entornavam e manchavam a toalha de linho alvíssima; dos talheres que caíam para debaixo da mesa; das brincadeiras dos quatro que estes deslizes da cutelaria promoviam; dos beliscões parentais quando a brincadeira demorava muito e a comida arrefecia; das cotoveladas e olhares de reprovação maternos quando a mão ia à travessa ou a faca à boca.
Enchíamos aquela sala. De vida.
Agora somos seis, às vezes sete, à mesa, no máximo – que é raro – sete Domingos por ano. Agora cozinho eu, ou o meu pai, ou uma das minhas irmãs, ou o meu irmão. Para gáudio e sorte da minha mãe (e por mérito dela também): toda a gente sabe e tem gosto em cozinhar. Raramente fazemos bifes. As tropelias já não são as mesmas. E apesar de também os tempos serem outros, de nós termos crescido e já nem vivermos na ilha com eles, a epopeia dos ascendentes narrada pela minha mãe tem sempre lugar cativo à mesa, tal como as anedotas e imitações do meu pai, e a partilha da semana de trabalho, mais ou menos caricata, que findou. A azáfama, o barulho, a alegria e os risos permanecem. Intactos. Continuam com a mesma frescura, doce, espontânea e inocente da infância.
Mais esporadicamente é certo, mas continuamos a encher a mesma sala. De vida.
Hoje é Domingo e lembrei-me do cheiro do colorau dos bifes.

domingo, abril 02, 2006

2 de Abril - Dia Internacional do Livro Infantil



O Dia Internacional do Livro Infantil comemora-se a 2 de Abril, data do nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.
Para assinalar este dia, o IBBY (International Board on Books for Young People) divulga anualmente uma mensagem de incentivo à leitura dirigida às crianças de todo o mundo. Este ano, coube ao escritor eslovaco Ján Uliciansky a elaboração da mensagem, intitulada "O destino dos livros está escrito nas estrelas".
O IPLB sugere ainda que dê a conhecer às crianças a escritora Matilde Rosa Araújo, nomeada em 2006 para o Prémio Internacional H. Christian Andersen. A escritora estará presente, no dia 2 de Abril, entre as 15 e as 18 horas, na Livraria Culsete, em Setúbal.
Como vem sendo habitual, o cartaz do IPLB é da autoria do vencedor do Prémio Nacional de Ilustração do ano anterior. Marta Torrão ganhou o prémio em 2005, com o livro Come a Sopa, Marta!
Sugestões para os pais: Para o dia 2 de Abril, e agora que as férias se aproximam, aqui ficam três sugestões:
- Leve o seu filho a uma livraria e ofereça-lhe um livro.
- Leve o seu filho à biblioteca municipal e ajude-o a requisitar um livro adaptado à idade.
- Leia-lhe um livro, conte-lhe uma história.
Ajude o seu filho a descobrir o prazer da leitura.
Ajude-nos a elevar os baixos níveis de literacia registados em Portugal e a fazer do seu filho um cidadão culto, informado e crítico.
Para professores, bibliotecários e outros mediadores de leitura:Descubra aqui alguma bibliografia crítica sobre literatura infanto-juvenil.



O destino dos livros está escrito nas estrelas

Ján Uličiansky

Os adultos perguntam com frequência o que acontecerá aos livros quando as crianças deixam de os ler.
Talvez esta seja uma resposta: «Nós carregá-los-emos todos em enormes naves espaciais e enviá-los-emos para as estrelas!»
Uau...!
Os livros são realmente como estrelas num céu nocturno. Há tantos, não podem ser contados e frequentemente estão tão longe de nós que não ousamos procurá-los. Mas imaginem só como ficaria escuro se um dia todos os livros, esses cometas no nosso universo cerebral, partissem e cessassem de fornecer essa energia ilimitada da imaginação e do conhecimento humanos...
Valha-nos Deus!
Vocês dizem que as crianças não podem compreender uma ficção científica como esta?! Muito bem, eu viajarei para a terra e permitir-me-ei recordar os livros da minha própria infância. De qualquer maneira, isto é o que me veio à mente quando eu estava a olhar para a Ursa Maior, a constelação a que nós, Eslovacos, chamamos «Grande Carroça», porque os meus livros mais preciosos me chegaram numa carroça... Isto é, não chegaram inicialmente a mim, mas à minha mãe. Foi durante a guerra.
Um dia, estava ela à beira da estrada quando passou chocalhando uma carroça – uma carroça de feno atulhada de livros e puxada por uma parelha de cavalos. O condutor disse à minha mãe que estava a transportar os livros da biblioteca da cidade para um lugar seguro, para impedir que fossem destruídos.
Nesse tempo a minha mãe era ainda uma menina pequena, ansiosa por ler, e à vista daquele mar de livros os olhos dela iluminaram-se como estrelas. Até então só tinha visto carroças cheias de feno, palha ou talvez estrume. Para ela uma carroça cheia de livros era como algo saído de um conto de fadas. Arranjou coragem para pedir: «Por favor, não poderia dar-me ao menos um livro dessa grande pilha?»
O homem sorriu, assentiu, saltou da carroça abaixo, desatou um dos lados e disse: «Podes levar para casa todos os que caírem no caminho!»Alguns volumes caíram ruidosamente na estrada poeirenta, e pouco depois aquela estranha carroça já tinha desaparecido numa curva da estrada. A minha mãe apanhou os livros, com o coração a bater furiosamente de excitação. Depois de lhes limpar o pó, verificou que entre eles, perfeitamente por acaso, havia uma edição completa dos contos de Hans Christian Andersen. Nos cinco volumes de várias cores não existia uma única ilustração, mas aqueles livros iluminaram milagrosamente as noites que a minha mãe tanto temia. Isso acontecia porque durante aquela guerra ela tinha perdido a sua própria mãe. Quando lia aqueles contos ao serão, cada um deles era para ela um pequeno raio de esperança, e com uma imagem tranquila no coração, pintada com pestanas meio fechadas, podia adormecer sossegadamente, pelo menos durante um bocado...
Os anos sucederam-se e aqueles livros passaram para mim. Eu levo-os sempre comigo pelas poeirentas estradas da minha vida. De que poeira é que eu falo, perguntam vocês?
Ah!
Talvez eu estivesse a pensar na poeira de estrelas que se instala nos nossos olhos quando nos sentamos numa cadeira a ler numa noite escura. Isto é, se estivermos a ler um livro. No fim de contas, nós podemos ler todo o tipo de coisas. Uma face humana, as linhas da palma de uma mão, e as estrelas...
As estrelas são livros num céu nocturno e iluminam a escuridão. Sempre que eu duvido se vale a pena escrever mais um livro, contemplo o céu e digo para mim próprio que o universo é realmente infinito e que ainda deve haver lugar para a minha pequena estrelinha.

Versão portuguesa: José António Gomes
Autor do cartaz: Peter Čisárik

sábado, abril 01, 2006

GO VICCA, GO ELIZABETH, GO GSA!!!

Go Vicca*, go Elizabeth**, go Linguistics***, go GSA****
go, go, go!!!

And they went.
We got 2nd place at Beer-bike!!! PRETTY AMAZING! HISTORICAL!!! WAY TO GO, GIRLS!

Hip, hip, hurray!

Hip, hip, hurra! Em bom português.

Trata-se de um momento histórico, porque a equipa da GSA nunca tinha ganho nada. Mas também com uma claque como a nossa... Gritámos, berrámos, esganiçámo-nos, esgoelámo-nos... mas VALEU A PENA!

Obrigada às nossas meninas.

You've earned it. The two of you: a Vicca por ter feito o que melhor sabe: ganhar asas e voar - o que nos colocou definitivamente na luta por um lugar cimeiro; a nossa sprinter, Elizabeth, pelo sprint fenomenal que foi a última volta. Absolutely breath-taking!

You were impressive, amazing, superbe, em bom português: ESPANTASTICAS!!!
*2nd year PhD Linguistcs Rice University
**1st year PhD Linguistics Rice University
*** the Departament (best on Rice, best in the world!)
**** the Team: Graduate Student Association

APRIL's 1st weekend: GET WILD ON RICE CAMPUS WITH BEER-BIKE!!!




The Beer-Bike relay race has been an annual tradition at Rice University since 1957. Every spring, Rice's nine residential colleges tap into their college spirit and prepare for the bike race, chugging competition and entrance parade. For some, the pre-race water balloon fight is the highlight of the day; for others, it's the bike race or the beer drinking.

THE OLD PARADE

Beginnings (1976-77)

The parade that Rice students have come to know and love today has been a slow evolution from its beginnings in 1976. There were no balloons back in 1976, and there really wasn't much of a parade either. What occurred was that Sid Richardson and Lovett Colleges had an unofficial contest for best entry to the race. The Lovett team rode in on unicycles, motorcycles, bicycles for two, a 19th-century highwheeler, and carried the master's daughter in on a rickshaw. Not to be outdone, the team from Sid arrived carrying torches, followed by a band that played the theme from the Olympic Games. In 1977 the contest continued, with students arriving on mattresses and Lovett for the first time entering with trucks blaring "Flight of the Valkyries." Sid followed them, marching behind a crucifix, in their familiar position of last.

The Old Parade (1978-1992)

From the years between 1976 and 1991, the parade that most Rice students know did not exist because of one major factor: no water balloons. The parade was still just a competition for the craziest entry. The balloons made their first appearance not in the parade, but in what would become a pre-Beer Bike tradition, the water jack. In 1988 Will Rice announced in the special Beer Bike issue of the college newsletter, The Phoenix, that 100 water balloons had been purchased and would be launched on an anonymous neighboring college at 5:45 Friday night. The balloons were introduced in the parade in 1991 and were an overwhelming success with everyone, except possibly with the Rice Campus Police. In 1991 there was no fine system, so the Campos simply asked the students not to get them wet. As they soon found out, extremely intoxicated 19- to 22-year-olds tend not to listen. The official notice of fines came in the 1992 suggestions written to the Beer-Bike Committee. They noted that "more police officers will be needed for the parade, and race officials will have to devise penalties for infractions during the parade." The portion of suggestions about the parade was closed with, "this is really the best part of the race day and the most difficult to manage." This echoed the sentiment of many students, who felt the parade was the best part, and allowed them to participate where they might not otherwise do so. One Rice alumna who did not get to enjoy the water balloon fight, Jen Cooper '90, said, "The water balloons allow a way for people who aren't athletic or aren't interested in chugging or being really organizational to participate. If it lets them participate, great."

WATER BALLOONS

The Water Balloon Fight (1993-present)

Today the water balloon has become probably the most important part of Beer-Bike with the exception of the beer itself. Colleges prepare weeks in advance by getting students to fill up hundreds of balloons. Once these balloons are filled and in their barrels or trashcans, the water jacks commence. Since they first began with Will Rice in 1988, now every college has some sort of water jack leading up to Beer Bike. What's left of these balloons are loaded onto the trucks Saturday morning, and then the students let the balloons fly. Over the past couple of years, the fine system has been tightened and safety issues raised. Many students have reacted negatively towards what is happening. In a survey Rice students were asked about their parade attendance and if anything should be changed about the parade. One opinion was, "It's way too early in the morning." The negative sentiment was also echoed with, "I don't know, I've never gone to it." The subject of the fine system also came up as one student said, "[The officials] should be less picky about violations." Also said was, "The parade was a blast! The water balloons are great because it takes some effort (and stupidity) to get hurt, even when drunk." What every student and official understands is that with hundreds of water balloons flying, the chance of them getting hit is pretty good. What makes the officials mad are stories like this one from senior Brock Tautenhahn on his freshman parade experience: "I've only been at the parade once, my freshman year, and we racked up quite a few violations. I think everyone on my truck was aiming for the officials and security people with their water balloons." In our survey we also received several interesting and strange suggestions to make the parade better. One says, "No more St. Arnold, it sucks!" The student was referring to St. Arnold's beer, which has been the official beer sponsor for the past few years. Another student said, "They should fill the water balloons with shaving cream." Obviously that would be way too messy and would never happen. Perhaps the best and most outrageous suggestion comes from a male student who said, "We should include a 9th truck, with Hooters girls." Whether or not any of these changes occur, one thing is certain ‹ the water balloon and the parade have cemented themselves as permanent fixtures of the Beer-Bike tradition.
BEER
As the name of Beer-Bike suggests, the love of beer makes up half of the Beer-Bike competition. Beer-Bike isn't just a race; it's a relay race, and before racers switch off, each team's chugger needs to perform a swift, glorious chug.
1957

As Baker, Hanszen and Will Rice Colleges planned for the 15-mile off-campus bike race that became the precursor to Beer-Bike, the idea of chugging beer is first introduced. According to the April 12, 1957 issue of The Rice Thresher, "A touch of novelty will be injected by requiring each rider to down an unspecified quantity of beer before his replacement may begin the next segment. No details are yet available as to how the team members will be returned to the campus." After undergoing some changes, the race is held May 5, 1957. Bikers chug one quart of beer in the middle of each lap of the race (one lap being a circuit of the Inner Loop). Baker, the first college to finish 10 laps, gets a trophy; Hanszen, the victor in the beer-drinking competition, wins a keg.

1959

The "Beer-bike race by intramural field" is listed in the schedule of Rondelet weekend festivities, marking the first use of the word "beer" in the name of the event.

1961

By now there's a firmly established tradition of keeping separate beer teams and bike teams.

1966

The lack of a dedicated women's race leads to the invention of Tea Trike, a women's race held before the Beer-Bike race in which bikers chugged Earl Grey, not beer.

1977

In a day when the Texas drinking age was 18, it was perfectly acceptable for beer companies to sponsor Beer-Bike teams. This year Coors sponsors the Brown College team and Schlitz sponsors the Sid Richardson College team. By this point, colleges also have themes for each Beer-Bike. Listen to Jen Cooper's memories of Beer-Bike themes (mp3).

1984

Detroit's Stroh Brewing Company covers part of the race's expenses in exchange for sponsorship rights.

1986

The Texas legal drinking age goes from 19 to 21 on Sept. 1. There's no grandfather clause to allow those who were already over 19 but not yet 21 to continue drinking after Sept. 1, so huge parties mark the last night of legal under-21 drinking on Aug. 31. Water is made available to underage chuggers in lieu of beer at the 1987 Beer-Bike, in addition to the non-alcoholic beer that had already been an option.

FELIZ DIA DAS PETAS!!!

Para quem gosta. Not me.
Bem, agora tenho de ir para a varanda porque quero ver a luta de balões de água que os freshmen e restantes colledges members deste digníssimo campus iniciaram ainda agorinha... See ya!

quarta-feira, março 29, 2006

KATRAPONGA

"Joana, um regresso é sempre certo para quem tem esse amor todo guardado... "

É incrível como há pessoas com o dom da palavra! Na sua verdadeira acepção. Qualquer coisa que digam/escrevam, por mais singela que seja/pareça, transborda de uma ternura, uma partilha, uma empatia, um humanismo... que encurta distâncias, nos estende a mão e enche logo o coração do ânimo de que precisavamos. Obrigada por teres feito do longe perto.
Só mesmo tu!!!

Dança da Solidão (Paulinho da Viola)


Solidão é lava que cobre tudo

Amargura em minha boca

Sorri seus dentes de chumbo

Solidão, palavra cavada no coração

Resignado e mudo no compasso da desilusão


Desilusão, desilusão,

Danço eu, dança voce na dança da solidão (bis)


Camélia ficou viúva

Joana se apaixonou

Maria tentou a morte por causa de seu amor

Meu pai sempre me dizia :

Meu filho tome cuidado,

Quando eu penso no futuro não esqueço meu passado


Desilusão, desilusão,

Danço eu, dança voce na dança da solidão (bis)


Quando chega a madrugada,

Meu pensamento vagueia

Corro os dedos na viola

Contemplando a lua cheia

Apesar de tudo existe uma fonte de água pura

Quem beber daquela água não terá mais amargura


Desilusão, desilusão,

Danço eu, dança voce na dança da solidão (bis)

A imagem da polémica... uma imagem necessariamente parada (...) mas de costas(?!) Bravo!!! ... numa imagem lateralizada, observa-se claramente a bola no ar - porque o Baía a atirou para cima -, e a cara do Ricardo não na mesma altura que a bola mas... a um metro dela!!!! Temos infelizmente os media na proporção do país pequeno que somos. Ou não será assim???

Ass: portista DANADA e triste, PROFUNDAMENTE TRISTE, e ENVERGONHADA. Só vi hoje, aqui em Houston não tenho acesso muito facilitado ao "Portugal Real". Para o bem e para o mal.

O prometido é devido!

Acabei de apanhar a molha da minha vida, conscientemente, voluntariamente, ... e ADOREI!!!

terça-feira, março 28, 2006

"No teu poema...

Photo: Future_Elizabethtown

Existe tudo o mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera do futuro."

segunda-feira, março 27, 2006

27 de Março - Dia Mundial do Teatro

Ir aos Pirinéus tem sempre muitas vantagens. Cinquenta minutos depois...Voltei. E trouxe comigo o enleio, o enlevo, o encanto, a magia... que é e tem o TEATRO.


"O ator é o instrumento e o criador ao mesmo tempo. Você não se vê em terceira dimensão. Um pintor sabe quando uma pincelada deve ser apagada, refeita; o músico ouve o que faz. Mas o ator vai em si mesmo armando uma escultura, por dentro, com as condições humanas. Eu digo que a profissão do ator é a da constante humilhação e da constante exaltação. Isso não é fácil. Ziembinski já dizia que o inimigo do bom é o ótimo. Fazer diariamente cansa mas também você se vicia com sua adrenalina. Se você não tem isso, não está no perigo do abismo, não está vivendo. Então é muito confusa a cabeça de um ator. "

Fernanda Montenegro


Monólogo Feminino de “A Gaivota” de Anton Tchekhov

Nina:
Tu me disseste que beijarias o chão em que eu piso, quando deverias é me matar.(olha para o chão) Eu estou tão cansada!.... Como seria bom descansar...Sim, descansar ! (erguendo os olhos) Sou uma gaivota...Não! Não, eu sou uma atriz .Sim. (ouve risos de Arkádina e Trigorin na sala ao lado) Trigorin também está aqui... (volta-se para Trepliov) Pois é...Ele não acreditava no teatro, divertia-se com os meus sonhos e isso foi, gradativamente, tirando a minha crença e a minha coragem...Depois, vieram as angústias do amor, o ciúmes, as aflições pelo bebê...Com o tempo, tornei-me pouco generosa, fraca e representava sem convicção. Não sabia o que fazer em cena com as mãos, nem conseguia dominar a minha voz. Tu não vais entender o que é isso, mas é horrível ter-se a consciência de que se está atuando muito mal...Eu sou uma gaivota! Não...não! Sei que ainda lembras o dia em que mataste aquela gaivota. É ... isso pode ser tema para um pequeno conto...Mas não era disso que eu...(passa a mão pelo rosto) De que eu estava falando? Ah, sim! Falava do teatro. Acredita, Trepliov, agora sou uma outra pessoa. Sou uma atriz de verdade agora e trabalho com gosto e paixão. No palco, uma doce energia se apodera de mim e faz eu me sentir bela. (sorri) Desde que cheguei aqui, passo o tempo caminhando, pensando , pensando muito, e sinto dia a dia um ânimo crescente que me domina ...Cada vez mais eu compreendo que, em nosso trabalho, seja atuando no palco ou escrevendo uma peça, a glória ou a realização dos sonhos não mais importam. O importante é, sim, saber sofrer, carregando uma cruz e ainda assim ter-se fé. Confio nisso, Trepliov, e já não sinto mais tanta dor. Meditando sobre a minha profissão, aprendi a não temer a vida.

Vou ali e já venho...é um instantinho!

“Adeus Houston. Fui para os Pirinéus.”

domingo, março 26, 2006

sábado, março 25, 2006

A minha tia

A minha tia tem sessenta e seis anos, uma vida religiosa cheia de experiências várias, trabalho árduo e profunda dedicação ao bem.
A minha tia sempre foi líder: inteligente, segura, frontal, determinada, influente, dura, astuciosa, adaptável, controladora, clarividente, moderna, imprevisível, audaz.
A minha tia ganhou com isso muitas inimizades. Por todos os sítios onde passou. Mesmo no seio da congregação. Mesmo entre irmãs em religião. Infelizmente.
A minha tia tem uma doença muito grave. Esquece-se. De tudo. Para ela é sempre Agora. E no Agora que é sempre nunca há nada. Só há o Vácuo. O Vazio. E o desejo constante de saber, de estar a par.
Lembra-se perfeitamente da sua infância, mas esquece-se daquilo que lhe acabo de contar. Recorda com exactidão o meu percurso académico, mas não sabe onde deixou as chaves. Falo-lhe da minha estadia nos EUA. Pela enésima vez. E pergunta-me com a mesma frescura da primeira: “Está bem querida, mas e a investigação como vai?”
A minha tia tem Alzheimer.
A minha tia está a morrer cada momento que passa. A uma rapidez verdadeiramente assustadora. E a cada momento que passa parte de nós morre com ela.
A minha tia está a morrer a cada momento que passa e a instituição à qual dedicou toda a vida prefere encerrar-se num autismo muito conveniente e fechar os olhos a todo este processo. Ignoram-na. Olham em frente. Acobardam-se. Olham para o lado. Fogem-lhe. Voltam-lhe as costas. Apagam da consciência o facto (a realidade) de ela estar doente e, sob a justificação de um “cansaço” – maleita comum e frequente nos dias que correm –, olvidam o direito que qualquer ser humano doente tem a uma consulta médica da especialidade, a uma assistência profissional adequada, a exames, a uma segunda, terceira, quarta opinião. E, passando o esférico à família, transformam esse direito num dever familiar, negligentemente – reputam elas –, incumprido.
Quando foi precisamente a família que, apesar de só ter um contacto próximo, verdadeiramente familiar, com ela quinze dias por ano, detectou a etiologia e a levou ao médico. Já muito tarde. Infelizmente. Quando foi a família que teve de as alertar explicita e duramente para a impossibilidade de ela continuar a trabalhar.
Negligenciaram-na. Se calhar, desde sempre. E negligenciam-na ainda. Agora. Ostracizam-na. Votam-na ao esquecimento. Como se já não fosse o esquecimento o limbo em que ela se encontra perdida, encerrada para sempre, manietada ao limite.
E esquecem-se – mas não como ela –, esquecem-se propositadamente, por opção e conveniência, de que o património, que ostentam cá e estabeleceram facilmente noutros continentes, muito suor e lágrimas tem da minha tia. Esquecem-se da oposição férrea do meu avô e das lágrimas da minha avó quando ela partiu para o convento, há cinquenta anos atrás. Esquecem-se das verdadeiras revoluções operadas em todas as casas que ela dirigiu: das consecutivas melhorias infraestruturais, humanas e até emocionais que ela implementou e soube manter; das incríveis subidas percentuais do número de internas que passou a apostar na formação e até no ensino superior; da restituição do bom nome da instituição (e até da ordem) que ela promoveu. Esquecem-se de que só a vemos quinze dias por ano, por alturas das Festas – mas nunca no Natal, porque “O Natal tem que ser passado com a Comunidade.” Esquecem-se, não sabem, ou não querem saber, de que quando ela chega, a 27 de Dezembro todos os anos, o verdadeiro Natal começa. A alegria, a festa, a emoção… os melhores presentes também. É verdade. Esquecem-se de que é a nossa única tia do lado da mãe e sempre tivemos e temos todos uma verdadeira adoração por ela. Esquecem-se de que sabemos de tudo, mas principalmente de duas coisas: 1) a adoração é mútua e 2) somos os sobrinhos favoritos. (Ela também é a tia favorita!...)
E eu tenho uma gavetinha especial na cómoda dos favoritos. Sei. Todos me lembram das noites em que, ainda bebé, dormi com ela para dar descanso aos meus pais. Elas também sabem, mas esquecem. Todos me lembram da choradeira provocada pela minha constatação da sua ausência da cama quando, de madrugada, se levantava para as orações matinais e me deixava a “dormir”. Elas também sabem, ouviram, mas esquecem. Todos me lembram dos passeios com os avós e a tia pelos jardins do colégio. Há fotos. Elas sabem, tiraram, viram, mas esquecem. E mais recentemente… quantas épocas de exames passei com ela! E, de duas em duas horas, lá vinha ver como eu estava e dar-me leite quente e chocolates. “Para teres energia para continuar…” E à noite ligava o aquecimento logo que sabia que me preparava para dormir. “Para dormires bem… quentinha…” E quando falava com as pessoas sobre mim, ou me apresentava a essas mesmas pessoas, os seus olhos brilhavam, crescia toda e transcendia-se numa estima e num orgulho, verdadeiramente maternais, sem limites.
Conhece-me desde sempre. Conhece-me desde sempre e recuso pensar ou conceber sequer que haverá fatalmente um dia em que isso vai deixar de acontecer…
Somos muito parecidas. Somos iguais. Na intransigência, na teimosia, na força, na determinação, no controlo, na ambição, na prepotência, na coragem, no estoicismo, na abnegação, no sacrifício, na entrega… Na primogenia, na protecção familiar… Iguais.
Elas sabem tudo. Sempre souberam. Sempre, porque desde o início, há cinquenta anos atrás, entraram e se tornaram parte do nosso universo familiar. Por ela. Através dela. Com ela. Elas esquecem-se agora. Preferem assim. Um dia ela vai esquecer. Tudo. Mas eu não. Eu não.