quarta-feira, julho 19, 2006

No comboio (II)

- Biatiz, Biatiz, olha Biatiz! Eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA!!! Hi, hi, hi, hi, ehehehehehehh!
- ...
Era eu. A "MENINA BONITA" era mesmo eu... num sábado feio, de uma semana horrível de um mês ainda mais tenebroso.
Sábado fui a Braga. Claro que sabia que ao fim de semana os comboios escasseiam e demoram uma eternidade a chegar. Mas era urgente resgatar um cartão, absolutamente essencial para uma conferência, em que por acaso, posteriormente me foi literalmente negada a participação e frequentar um curso de verão que tchan, tchan, tchan, tchan... me impossibilitaram frequentar.
But first tinhgs first, na sexta-feira, véspera da minha viagem dormi pouquíssimo, o que por si só não é muito saudável. Mas se acrescentarmos a isto o facto de que a minha insónia advém sempre das palavras que ficam por dizer facilmente se percebe que o dia seguinte prometia. É claro que foi com os nervos à flor da pele que acordei, quatro horas depois de me ter ido deitar, a pedir aos céus e aos santos para vomitar ou me tirarem o estômago, que era prefeível não o ter a estar tão indisposta. Tomei banho em piloto automático e vesti-me com as primeiras três peças de roupa que tacteei no meio do breu do roupeiro que sei de cor. Tive sorte. A t-shirt e os jeans até combinavam. Depois, havaiana no pé e sempre a descer até São Bento. São sete horas da manhã e já está muito calor, talvez por isso as pessoas se arrastem pelas ruas, inexpressivas. Chego, sento-me no sítio do costume e tento preparar-me mentalmente para a odisseia de setenta e muitos minutos que tenho pela frente. Mas antes que pudesse pensar no que quer que fosse, de súbito, com o ímpeto dos conquistadores, ouço interiormente a voz da minha mãe que me atordoa, acompanha-me todo o percurso às marteladas, tantas e tão fortes que aniquilam por completo (pelo menos da minha consciência) o mal-estar do estômago: " Nessa figura? Para Braga, onde tanta gente te conhece?! Tu dantes não eras assim!Depois admiram-se por não coneguirem impor ordem na sala de aula? Então, se os próprios professores se vestem igual aos alunos? Tu que tens tantas (!) e tão boas roupas... bonitas Tu dantes não eras assim!"
Adiante, setenta e muitos minutos depois, amordacei a minha mãe e fiz o percurso que me parecia o mais curto, sob um sol verdadeiramente escaldante. Resgatado o cartão, depressa me dirigi à Faculdade picar o ponto (sim, ao sábado!), até porque tinha que fazer o download de umas boas dezenas de artigos, verificar o correio electrónico e procurar na estante do Orientador a gramática que ele aconselhara.
Aos primeiro seis artigos tudo corre na normalidade, mas o tsunami eviedente na caixa de entrada do correio, reflexo da estupidez do funcionalismo público e/ou do marasmo e atavismo do sistema era já um prenúncio do que aconteceria a seguir. Não é que o computador bloqueia, inutilizando - sabe-se lá como e porquê - a flash disk, e a gramática... procurei-a incansávelmente, vezes sem conta, na estante, em todas as estantes mas a dita ganhara asas e voara janela fora. Como me apetecia. Como qualquer pessoa normal na minha situação faria. Até porque a busca exautiva tinha feito a proeza de perder o único comboio rápido do dia.
Mas não. Sorrio e calmamente arrumo tudo. Ia dar uma volta pelo centro da cidade, ver pessoas e coisas bonitas. Tranco a porta e desço as escadas - como é triste e vazia a Faculdade ao fim de semana! "Vai tudo correr bem, até porque pior é um bocadinho impossível, não achas?" - repito o mais convincentemente que consigo para o meu ego. Esta era a Esperança primeira: auto-convencimento pela repetição. Nunca faz efeito, mas tento sempre. Já por isso é que lhe chamo "Esperança". A Esperança segunda é a de que inesperadamente encontre alguma assonância e ou aliteração e a partir daí arranjasse uma música que me entretivesse o espírito. A Esperança terceira (ou surrealismo puro) é a de que algo exterior e extrínseco me arrebate e arranque de súbito destas meditações ridículas. Saio porta fora" e em vez de ir "por aí pelos caminhos" dou de caras com a ex do ex, como sempre avant-garde e resplandescente que, a ver pelo olhar assassino que me lançou ainda se recorda da minha existência com o mesmo carinho com que há tempos imemoriais se auto-intitulou minha arqui-inimiga. Um dia destes tenho que lhe perguntar porquê. (Será que, quando a vítima não toma a devida atitude hostil, o prevaricador até disso a depaupera?) Preciso mesmo de saber. Mas, pior que isso foi encontrá-la mais duas ou três vezes, depois de ter acelerado e mudado o rumo.
Voei directamente para a estação. Era o melhor a fazer antes que algum raio ocular me dilacerasse por completo e postas, bifes, bifinhos e estilhaços fossem espalhados por toda a Bracara Augusta.
Outros setenta e muitos minutos de entretenimento puro, desta feita sem as maternais reprimendas, disputavam no meu íntimo a hegemonia com o cansaço que, lânguido, começava a tomar conta de tudo em mim. Sentei-me no lugar do costume. Estava vago. Além do que se sentou ao meu lado uma senhora não faladora. Ainda bem! Não é que não goste de falar. Gosto, aliás, mau hábito adquirido nos EUA: smalltalk. Mas neste sábado não estava com disposição para isso. E ou a senhora percebeu, ou não arranjou assunto (ou coragem) para me roubar à neura em que me encontrava.
Artigos... conferência... t-shirt... ex do ex... Curso de Verão.... jeans... ex... gramática... conferência... cartão... artigos... flash disk... t-shirt... ex do ex... computador... conferência... Efectivamente, a minha voz interior se havia libertado do jugo repressivo da minha mãe. O regresso da minha voz interior não me fora proveitoso. Preferia o discurso da minha mãe, além de me chamar à razão, era mais coerente!
Resultado: olhares perdidos janela fora, mundo fora, vida fora, por entre suspiros e sonecas.
Quarenta minutos depois do início da minha viagem senta-se bem à minha frente a Joaninha e respectivo Papá (trataram-se exactamente assim). A minha homónima tem quatro anos, sorriso fuschia e o encanto maroto e a irrequietude próprios da idade. É uma criança alegre, vivaça mas sobretudo muito feliz. Desafiadora, lança-me piscadelas, sorrisos marotos e olhares por entre as mãozitas que teimam em esconder-me o seu rosto traquinas. Não lhe resisto. Respondo-lhe em conformidade. Quase nem falamos, não é preciso. Quer sentar-se, quer estar de pé. Quer o colol do pai, quer sair. "É aqui Papá?" Quer sentar outra vez. Nova maratona de charme para comigo. De quando em vez, chama a irmã Biatiz e a Mamã para lhes acenar o bracito minúsculo e brindá-las com o sorriso mais singelo e mais bonito também. Quer o colo. Quer ir de pé. "É aqui, Papá?"
- Biatiz, Biatiz, olha Biatiz! Eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA! Hi, hi, hi, eheheheheheh!
Acho que a espontaneidade, a alegria, o próprio inesperado da situação (e o volume um pouco fora do normal) acordou todos os passageiros da área circundante - afinal a modorra era geral! - mas como Mamã que se preze quer sempre mais, há que perguntar quem é a "MENINA BONITA". E eu a rezar para ser a senhora que ia comigo... Mas não. O dedo indicador da Joaninha estava o mais possível na minha direcção para indisfarçável desconsolo da senhora que ia ao meu lado. E com um sorriso forçado, quase automaticamente me disse: "Aos setenta anos, já não se ouve disto!"
"Pois não...", pensei mas não disse. Estava a tentar fazer muitas coisas aos mesmo tempo: corando evitar corar, apagar a surpresa do rosto sorrindo, e sobretudo conter uma lágrima teimosa (e quase tão marota como a divertida Joaninha), disfarçando.
O comboio parou e por isso mandou a boa educação e a Mamã que a Joaninha dissesse adeus à "MENINA BONITA". Despedimo-nos. Até sempre!

sábado, julho 15, 2006

He andado muchos caminos

He andado muchos caminos,
he abierto muchas veredas;
he navegado en cien mares,
y atracado en cien riberas.

En todas partes he visto
caravanas de tristeza,
soberbios y melancólicos
borrachos de sangre negra,
y pendantones al paño
que miran, callan, y piensan
que saben, porque no beben
el vino de las tabernas.

Mala gente que camina
y va apestando la tierra...

Y en todas partes he visto gentes
que danzan o juegan,
cuando pueden, y laboran
sus cuatro palmos de tierra.

Nunca, si llegan a un sitio,
preguntan adónde llegan.
Cuando caminan,
cabalgan a lomos de mula vieja,

y no conocen la prisa
ni aún en los días de fiesta.
Donde hay vino, beben vino;
donde no hay vino, agua fresca.

Son buenas gentes que viven,
laboran, pasan y sueñan,
y en un día como tantos,
descansan bajo la tierra.


António Machado (1875 - 1939)
in "Soledades, galerías y otros poemas"

sexta-feira, julho 14, 2006

14 juillet 1789 - LA PRISE DE LA BASTILLE



Consta que no século XVIII não foi à cabeçada, já hoje em dia...

sábado, julho 08, 2006

"Ah, como o mundo é belo e como eu sou feliz!"

Amor total ou O realismo preciso do amor sobrenatural

O amor. O amor, pleno, no sentido total do Homem. O amor gerador do humano na sua dimensão total. O amor é gerador da história da pessoa (na medida em que é "geração de um povo"). O amor, pleno, no sentido total do Homem, não o amor sentimentalismo ou reactividade. Eis o tema da peça "Anunciação a Maria de Paul Claudel" em cena no Teatro Helena Sá e Costa.

O drama desenrola-se na Idade Média tomando a forma de um "mistério em quatro actos e um prólogo": A jovem Violaine, símbolo da plenitude, seu pai, Anne Vercors, e Pedro Craon, construtor de catedrais, compõem a figura central. Num plano mais secundário, estão a mãe, Isabel, a irmã, Mara, e Tiago Huri, um vizinho, por quem Mara está apaixonada, mas que foi prometido a Violaine. A rivalidade de Mara e a correspondência perfeita ao amor por parte de Violaine compõem a trama, a que acresce a importância da partida de Anne Vercors em peregrinação à Terra Santa para só voltar no final, oito anos depois.
Por amar, "Ah, como o mundo é belo e como eu sou feliz!", Violaine é tocada pela lepra de Pedro Craon e isso será o seu sacrifício. Não obstante, o ódio de Mara cresce e assim continua até ao fim. Mas, num final surpreendente, a raiz do amor vence a mesquinhez quotidiana.

Sophia de Mello Breyner dedicou-se intensamente à tradução da obra, considerando-a uma verdadeira "poética em teatro". Vira em Claudel um poeta ancorado num realismo preciso que, por isso mesmo, chega a compreender as alturas do sobrenatural. A marca da obra de Claudel é de facto, à luz do cristianismo católico que professou, a maravilhosa descoberta do "Amor sobrenatural" que envolve a história humana e a transcende.

terça-feira, julho 04, 2006

Em 1776 com vinho Madeira celebrado...


4th July - Independence Day
Os Estados Unidos da América são uma República Federal composta por 50 Estados e um Distrito Federal. A maior parte dos Estados Unidos localiza-se na região central da América do Norte, possuindo três fronteiras terrestres, duas com o Canadá e uma com o México, sendo que o restante do país faz fronteira com o Oceano Pacífico, o Mar de Bering, o Oceano Ártico, o Golfo do México e o Oceano Atlântico. Dos 50 Estados americanos, apenas o Alasca e o Havai não são contíguos nem com os outros 48 Estados, nem entre si. Os EUA também possuem diversos territórios, distritos e outras possessões à volta do mundo, principalmente nas Caraíbas e no Oceano Pacífico. Cada Estado possui um alto nível de autonomia local, de acordo com o sistema federal.
Os EUA celebram seu dia da independência em 4 de julho, porque neste dia em 1776, as Treze Colónias britânicas da América do Norte adoptaram a Declaração da Independência, rejeitando a autoridade britânica, em favor da auto-determinação. Esta independência foi oficialmente reconhecida pelo Reino Unido através do Tratado de Paris. Os EUA adoptaram sua actual Constituição em 1789, a qual estabeceu a estrutura básica do governo americano. Desde então, a nação gradualmente desenvolveu-se, tornando-se uma superpotência após o fim da Segunda Guerra Mundial e passando a exercer grande influência aos níveis económico, político, científico, tecnológico, militar e cultural no mundo.
Para o pior e para o melhor.

segunda-feira, julho 03, 2006

Evidências por vezes difíceis de aceitar



"O céu não deixa de ser azul porque as nuvens o encobrem ou porque os cegos não o vêem..."

Fases do ensino em Portugal

1ª fase (antes de 1974):
O aluno ao matricular-se ficava automaticamente chumbado. Teria de provar o contrário ao professor.
2ª fase (até 1992):
O aluno ao matricular-se arriscava-se a passar.
3ª fase (actual):
O aluno ao matricular-se já transitou automaticamente de ano, salvo casos muito excepcionais e devidamente documentados pelo professor, que terá de incluir no processo, obrigatoriamente um "curriculum vitae" extremamente detalhado do aluno e nalguns casos da própria família.
4ª fase ( em vigor a partir de 2007):
O professor está proibido de chumbar o aluno; nesta fase quem é avaliado é o próprio professor, pelo aluno e respectiva família, correndo o risco quase certo de chumbar...

sexta-feira, junho 30, 2006

No comboio

- A menina não tirou Direito na UM, não?
- ...
- Pois, se tivesse tirado já a conhecia.
- ...
- Mas é licenciada...
- (Sorriso amarelo nº 534, levemente afirmativo - manda a boa educação).
- Então faz o quê?
- ...
- (Olhar exigentemente expectante)
- Sou professora. (Sorriso nem amarelo, nem rosa, nem azul... nem vê-lo!)
- Do 1º ciclo não, pois não?
- (Até podia ser, qual era o problema, pá???) Não, não... do 3º (cicl0), do Secundário e do Superior.
- Ah... e os alunos, que tal?
- (Ah... Bê... Cê... é 1º ciclo... ó tótó!!) Não sei, nesto momento não dou aulas: faço investigação.
- Ah sim? Interessante... onde?
- Nos E.UA.
- (Surpreso e algo desiludido) Ah...
- (Ah... outra vez??? ... O que vale é que se desiludiu: Ehehehehehe!)
- Então veio a Braga dar um passeio. É de Braga?
- Não, por acaso vim apresentar trabalhos. E não, não sou de Braga: sou da Madeira.
- Ah... da Madeira (nova desilusão: yes, yes!!!!!!!), mas hoje vai à UM...
- À UM, à Católica, enfim... onde me quiserem ouvir.
- Pois, foi um prazer conhecê-la, é tão simpática, muito... muito mesmo!
- Sorriso amarelo nº 534 reeditado. (Simpática? Depois de tanto tempo a cerrar os dentes e a dar respostas lacónicas?!)
- Não seria possível encontrá-la outra vez, não?
- Não.
- Ah...
- ...

quinta-feira, junho 29, 2006

Férias



Férias... Férias... Férias... Madeira-Funchal-Porto Santo... Férias...

Quem me dera estar de férias!
Sol, praia, verde, biquinis, gelados, areia, "cabelos molhados (bastante enrolados)", amigos, asneiras...
Calor, azul, sol, sal, cheiro a sal, cheiro a protector, bronze, bons, bronzeados, dunas, não-amigos, asneiras...
Sol, gelo, cubos redondos, bebidas geladas, palhinhas espalmadas, gelados, saladas, vermelhidão, bolhas no pescoço, escaldão, bons, bons candidatos a "amigos", asneiras, escaldões...
Bons dias-tardes-serões sem fazer nada, sentada à varanda, deitada na rede, em casa, a olhar o horizonte, o mar, as Desertas e o Porto Santo... tudo à distância de um salto ("de pulo ou de voo?") no azul...
Bons dias-tardes-serões a ler os milhentos livros meticulosamente seleccionados ano fora...
Bons dias-tardes-serões de carinhos: despertares tardios, recolhimentos mais ou menos serôdios, lençóis com cheiro a alfazema, toalhas passadas a ferro, os pratos predilectos, mimos no sofá, massagens nos pés, risos, confidências e uma profunda e serena despreocupação a tomar conta de tudo...

Quem me dera estar de férias!

Mas não estou.

Tenho (ou Há? ;) um PhD para fazer,um Orientador que não mereço de tão incansável (e consequentemente workhaolic-er), uma média de quatro teses a ler (vulgo, trabalhar) por semana, uma vida social francamente assustadora de tão agitada (com o trafégo de tanto sms, beijinho, abracinho, cafézinho, almoço e jantar por entre resmas e resmas de papel e as (malditas!) teses, pois claro!)... além de um Campeonato do Mundo de Futebol (que definitivamente não "tenho", mas "há" ;), fervilhante de emoções, a decorrer... Como se não bastasse, a isto acresce, necessariamente e a bem da verdade, a Preguiça - própria de qualquer chegada a casa que se preze, a preguiça é aquela inércia imensa, sem príncipio nem fim, que a mim presentemente me domina e afasta deste blog... (De hoje em diante não mais, prometo :)

A preguiça devia ser, primeiro, um nome do género masculino; e, depois, devia ser elucidativamente encarnada de acordo com o nosso inconsciente colectivo (no caso, o meu!), i.é., mutatis mutandis, por um alguém ao jeito da Liz Hurley, a Satan girl do Bedazzled.

Retrato



Mi infancia son recuerdos de un patio de Sevilla,
y un huerto claro donde madura el limonero;
mi juventud, veinte años en tierras de Castilla;
mi historia, algunos casos que recordar no quiero.
Ni un seductor Mañara, ni un Bradomín he sido
-ya conocéis mi torpe aliño indumentario-,
más recibí la flecha que me asignó Cupido,
y amé cuanto ellas puedan tener de hospitalario.
Hay en mis venas gotas de sangre jacobina,
pero mi verso brota de manantial sereno;
y, más que un hombre al uso que sabe su doctrina,
soy, en el buen sentido de la palabra, bueno.
Adoro la hermosura, y en la moderna estética
corté las viejas rosas del huerto de Ronsard;
mas no amo los afeites de la actual cosmética,
ni soy un ave de esas del nuevo gay-trinar.
Desdeño las romanzas de los tenores huecos
y el coro de grillos que cantan a la luna.
A distinguir me paro las voces de los ecos,
y escucho solamente entre las voces, una.
¿ Soy clásico o romántico ? No sé. Dejar quisiera
mi verso, como deja el capitán su espada:
famosa por la mano viril que la blandiera,
no por el docto oficio del forjador preciada.
Converso con el hombre que siempre va conmigo
-quien habla sólo espera hablar a Dios un día-;
mi soliloquio es plática con este buen amigo
que me enseñó el secreto de la filantropía.
Y al cabo, nada os debo; debéisme cuanto he escrito.
A mi trabajo acudo, con mi dinero pago
el traje que me cubre y la mansión que habito,
el pan que me alimenta y el lecho donde yago.
Y cuando llegue el día del último viaje,
y esté al partir la nave que nunca ha de tornar,
me encontráreis a bordo ligero de equipaje,
casi desnudo, como los hijos de la mar.

António Machado (1875 - 1939)

quarta-feira, junho 14, 2006

GRITO

De ti que inventaste
a paz
a ternura
e a paixão
o beijo
o beijo fundo intenso e louco
e deixaste lá para trás
a côncava do medo
à hora entre cão e lobo
à hora entre lobo e cão.

De ti que em cada ano
cada dia cada mês
não paraste de acender
uma e outra vez
a flor eléctrica
do mais desvairado
coração.

De ti que fugiste à estepe
e obrigaste
à ordem dos caminhos
o pastor
a cabra e o boi
e do fundo do tempo
me chamaste teu irmão.

De ti que ergueste a casa
sobre estacas
e pariste
deuses e linguagens
guerras
e paisagens sem alento.

De ti que domaste
o cavalo e os neutrões
e conquistaste
o lírico tropel
das águas e do vento.

De ti que traçaste
a régua e esquadro
uma abóboda inquieta
semeada de nuvens e tritões
santidades e tormentos.

De ti que levaste
a volupta da ambição
a trepar erecta
contra as leis do firmamento.

De ti que deixaste um dia
que o teu corpo se cansassse
desta terra de amargura e alegria
e se espalhasse aos quatro cantos
diluido lentamente
no mais plácido
silente
e negro breu.

De ti
meu irmão
ainda ouço
o grito que deixaste
encerrado
em cada pétala do céu
cada pedra
cada flor.
O grito de revolta
que largaste à solta
e que ficou para sempre
em cada grão de areia
a ressoar
como um pálido rumor.
O grito que não cansa
de implorar
por amor
e mais amor
e mais amor.

José Fanha, in "Breve tratado das coisas da arte e do amor"

segunda-feira, junho 12, 2006

Dificuldades


"Quando eu me comunico com criança é fácil porque sou muito maternal. Quando me comunico com adulto, na verdade estou me comunicando com o mais secreto de mim mesma, daí é difícil... O adulto é triste e solitário. A criança tem a fantasia muito solta."

Clarice Lispector

quinta-feira, junho 08, 2006

La noche oscura



Canciones del alma que se goza de haber llegado al alto estado de la perfección, que es la unión con Dios, por el camino de la negación espiritual.

En una noche oscura,
con ansias en amores inflamada,
(¡oh dichosa ventura!)
salí sin ser notada,
estando ya mi casa sosegada.

A oscuras y segura,
por la secreta escala disfrazada,
(¡oh dichosa ventura!)
a oscuras y en celada,
estando ya mi casa sosegada.

En la noche dichosa,
en secreto, que nadie me veía,
ni yo miraba cosa,
sin otra luz ni guía
sino la que en el corazón ardía.

Aquesta me guiaba
más cierta que la luz del mediodía,
adonde me esperaba
quien yo bien me sabía,
en parte donde nadie parecía.

¡Oh noche que me guiaste!,
¡oh noche amable más que el alborada!,
¡oh noche que juntaste
amado con amada,
amada en el amado transformada!

En mi pecho florido,
que entero para él solo se guardaba,
allí quedó dormido,
y yo le regalaba,
y el ventalle de cedros aire daba.

El aire de la almena,
cuando yo sus cabellos esparcía,
con su mano serenaen mi cuello hería,
y todos mis sentidos suspendía.

Quedéme y olvidéme,
el rostro recliné sobre el amado,
cesó todo, y dejéme,
dejando mi cuidado
entre las azucenas olvidado.

San Juan de la Cruz (1542-1591)

terça-feira, junho 06, 2006

Porque conheço alguém assim...



O poeta beija tudo, graças a Deus... E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade...

E diz assim: "É preciso saber olhar..."

E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos...

E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás...

E perde tempo (ganha tempo...) a namorar uma ovelha...

E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso...

E acha que tudo é importante...

E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim...

E reparou que os homens estavam tristes...

E escreveu uns versos que começam desta maneira: "O segredo é amar..."

Sebastião da Gama

segunda-feira, junho 05, 2006

As coisas que eu sei, sinto, mas não digo

Para a Mónica.
Grilhões e Asas. Para todos GRILHÕES. Para mim ASAS. Sempre. Apenas e tão só.
As palavras são como grilhões.
Ostracizam-nos, prendem-nos, magoam-nos, subjugam-nos e reduzem-nos a uma insignificância, para muitos, inaceitável.
As palavras são como asas.
Libertam-nos, permitem-nos pairar sobre o mundo e sonhar. E sonhando, viver em paz, viver feliz.
A maior parte das pessoas esquece esta dupla função das palavras e, centrando-se no facto de elas poderem causar dor, fogem-lhes como fugiria o diabo de uma cruz. (Fugiria?) Então, fogem à demoníaca palavra-mágoa-dor, esquecendo-se que é delas próprias que fogem, das suas falhas, das suas inseguranças, dos seus castelos de areia com telhados de vidro que mascaram com aço e o gelo do silêncio, dos sorrisos e das respostas politicamente correctas.
E quando, alguém inocente ou estúpido como eu, provoca quase inconscientemente uma situação em que têm que falar, desatam a correr, metem pela Rua do Medo, dobram a Esquina do Escuro e permanencem no breu de um tunel que elas próprias criaram, curvadas sobre si próprias, de costas voltadas e olhos fechados à luz que se agita lá ao fundo. É mais confortável, é mais seguro, pensam.
Falar é difícil. Falar não é conversar, tagarelar, coscuvilhar, responder, inquirir, indagar, replicar, nem sequer discutir. Falar é olhar nos olhos, trocar silêncios, dar as mãos... É darmo-nos a conhecer, abrirmos o nosso coração, oferecermo-nos em dádiva. Independentemente de palavras ou gestos.
Falar requer muito de nós. Há que ser audaz, sincero, seguro, autêntico... Falar não é para todos.
Não gosto muito de falar. Só o essencial e para uns quantos eleitos. Bom? Mau? Não sei. Mas nunca me furtei, em circunstância alguma, à fala. Mesmo quando sabia que ia doer-me, ou magoar o outro, mesmo quando era óbvio que não poderia depois voltar atrás, mesmo quando... Por isso, abomino quem tem esse tipo de comportamento. Especialmente quando se serve disso para, nas minhas costas (sem possibilidade de contraditório portanto), contradizer-me, desdizer do prometido, e, munindo-se de uma autoridade moral que definitivamente não tem, por em causa o meu bom nome e até (imagine-se!) me repreender. Reprovável, desonesto, vergonhoso! No mínimo.
Não entendo todo este pejo em falar. Magoa-me mais a hipocrisia inerente ao silêncio, aos sorriso e às conversas de circunstância do que a verdade, a haver uma, por muito dura que fosse, na hora.
De hoje em diante, manda a intuição e não a razão e a caridade: não mais darei oportunidades a pessoas que não valem o ar que respiram.

quarta-feira, maio 31, 2006

Só o Ter

Andrea Appiani (1754 - 1817)

Só o ter flores pela vista fora
Nas áleas largas dos jardins exatos
Basta para podermos
Achar a vida leve.

De todo o esforço seguremos quedas
As mãos, brincando, pra que nos não tome
Do pulso, e nos arraste.
E vivamos assim,

Buscando o mínimo de dor ou gozo,
Bebendo a goles os instantes frescos,
Translúcidos como água
Em taças detalhadas,

Da vida pálida levando apenas
As rosas breves, os sorrisos vagos,
E as rápidas carícias
Dos instantes volúveis.

Pouco tão pouco pesará nos braços
Com que, exilados das supernas luzes,
‘Scolherrnos do que fomos
O melhor pra lembrar

Quando, acabados pelas Parcas,
formos, vultos solenes de repente antigos,
E cada vez mais sombras,
Ao encontro fatal

Do barco escuro no soturno rio,
E os nove abraços do horror estígio,
E o regaço insaciável
Da pátria de Plutão.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Ricardo Reis

segunda-feira, maio 22, 2006

Se houvesse degraus na terra...

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

Herberto Hélder

Cheguei

Bem.

quarta-feira, maio 17, 2006

Fui

See ya' ll soon!

terça-feira, maio 16, 2006

Para descansar a vista e a alma



Pedro Fraile

A lista (II)

No Yahoo Brasil, secção ESPORTES (Fevereiro 2006):

Federação Portuguesa de Futebol

Prováveis convocados

Goleiros
Ricardo, Quim, Vítor Baía*
Laterais
Fernando Meira, Paulo Ferreira, Nuno Valente
Zagueiros
Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Caneira
Meio-campistas
Costinha, Tiago, Luis Figo, João Moutinho*, Maniche, Deco, Petit, Ricardo Quaresma*
Atacantes
Simão Sabrosa, Cristiano Ronaldo, Hélder Postiga, Pauleta, Luis Boa Morte, Nuno Gomes

* Rio ou choro??? Rio, claro!!!!!! E choro de tanto rir...

Do Intertexto

Le dormeur du val, Vratmiras


Le dormeur du val

C'est un trou de verdure où chante une rivière
Accrochant follement aux herbes des haillons
D'argent; où le soleil, de la montagne fière,
Luit: c'est un petit val qui mousse de rayons.

Un soldat jeune, bouche ouverte, tête nue,
Et la nuque baignant dans le frais cresson bleu,
Dort; il est étendu dans l'herbe, sous la nue,
Pâle dans son lit vert ou la lumière pleut.

Les pieds dans les glaïeuls, il dort. Souriant comme
Sourirait un enfant malade, il fait un somme:
Nature, berce-le chaudement: il a froid.

Les parfums ne font pas frissonner sa narine;
Il dort dans le soleil, la main sur sa poitrine
Tranquille. Il a deux trous rouge au côté droit.

Octobre 1870. Arthur Rimbaud, Sillages

***
O menino de sua mãe
No plaino abandonado/Que a morna brisa aquece,/De balas trespassado/-Duas, de lado a lado-,/Jaz morto e arrefece
Raia-lhe a farda o sangue/De braços estendidos,/Alvo, louro, exangue/Fita com olhar langue/E cego os céus perdidos
Tão jovem!Que jovem era!/(agora que idade tem?)/Filho único, a mãe lhe dera/Um nome e o mantivera:/«O menino de sua mãe.»
Caiu-lhe da algibeira/A cigarreira breve/Dera-lhe a mão. Está inteira./É boa a cigarreira./Ele é que já não serve.
Da outra algibeira, alada/Ponta a roçar o solo,/A brancura embainhada/De um lenço... deu-lho a criada/Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:/"Que volte cedo, e bem!"/(Malhas que o Império tece")/Jaz morto, e apodrece,/O menino de sua mãe.
Fernando Pessoa (1888-1935)

segunda-feira, maio 15, 2006

Malo accepto sultus sapit.*


Sim, porque eu estava confiante... Eu aprendi.
E o senhor, daqui a pouco mais de um mês, aprenderá? Irá alguém mostrar-lhe a verdade ou voltaremos a condecorá-lo???
A lista

JOSÉ MANUEL RIBEIRO

Lamento, a sério que lamento, mas estou a ver uma meia-dúzia de justificações plausíveis para o "affaire" Quaresma. Não passa de um caso de craque certo na altura errada. Enquanto previsível futuro proprietário de metade do país desportivo e bom jogador ainda, Figo seria sempre obrigatório para qualquer seleccionador oportunista, quero dizer, qualquer seleccionador com sentido de oportunidade. Depois, temos Ronaldo, e graças sejam dadas à Nossa Senhora do Carpaccio por termos Ronaldo, portanto, nada de contestação por esse lado. Na generalidade das opiniões, Boa Morte seria o membro amputável do quarteto de extremos, mas, por ter características (e espírito) diferentes das dos restantes três, fatalmente faria falta num jogo ou outro. Qualquer treinador competente o diria. Descabido é amontoar jogadores semelhantes, sobretudo sabendo-se como os mundiais e europeus tendem a valorizar aspectos que, na nossa infinita sabedoria, consideramos menores, do género estatura, largura dos ombros, diâmetro dos bíceps, velocidade, etc. Sobra Simão e aí teríamos matéria para uma guerra civil, porque acabaríamos por concluir que a escolha de Scolari foi entre o melhor jogador português do campeão nacional e o melhor jogador português do terceiro classificado. FC Porto, Benfica, Scolari...? Não é uma via saudável. Hugo Almeida entrou por ela ontem (ver a frase aqui mais abaixo), mas ainda que possa ser verdadeira, não adianta nem explica seja o que for. Mais benéfico para os portistas - porque este assunto os incomoda especialmente a eles - é perceber que as fases finais das provas importantes são sempre ganhas por equipas experientes e que essa é uma justificação tão boa como outra qualquer. Posto de parte Quaresma e mais posto de parte ainda Scolari, a fraca representação do FC Porto no Mundial está explicada à partida: é uma equipa que está apenas a chegar. Se de facto houver uma Nossa Senhora do Carpaccio lá em cima com o pelouro das convocatórias, há outros que já estão quase a ir embora.

DÚVIDA
A equipa Scolari

Nos últimos oito dias a expressão navegou por todos os mares. Esta é a equipa Scolari. Os jogadores dele, o grupo que ele construiu. Equipa Scolari, o tanas. É a equipa Mourinho, a que o seleccionador se agarrou a partir da barracada que a verdadeira equipa Scolari deu na primeira jornada do Euro'2004. Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Costinha, Deco, Maniche e agora Ricardo Costa. Pode é já não haver nalguns deles Mourinho suficiente. Será isso que querem dizer?

A FRASE

"Jogar no FC Porto não devia ser um entrave às escolhas do mister Scolari, mas pelos vistos até pode ser mesmo assim."
Hugo Almeida

In "O Jogo", 16/05/2006

* O tolo aprende à sua custa.

Viver bem ou Da utilidade da hipocrisia

- Viste??? Foi-se embora sem... sem sequer...!
- Pois...
- Realmente não gosta mesmo nadinha de mim. Fez o que lhe competia e nada mais. Nem um sorriso, nem um adeus, nada!
- Pois...
- Porquê? Porquê? Não percebo, a sério que não percebo.
- Muito simples. O problema és tu. O teu carácter. A tua personalidade. Quando precisas de um favor, vais directa ao assunto, sem rodeios.
- Sim!!! ....? ... é verdade!
- Pois... Como se estivessem ao mesmo nível.
- ... (Não estamos???)
- Não gosta nada disso. Não lhe dás daqueles sorrisos intermináveis, bajuladores, subservientes, nem lhe elogias nunca a roupa, os cabelos... Não lhe falas do tempo nem do que fizeste no fim-de-semana passado. Não lhe dás nunca prendas, nem te ofereces para lhe trazer o almoco...
- ?!?


Onde quer que o arado o seu traço consiga
E onde a fonte, correndo, com a sua água siga
O caminho que, justo, as calhas lhe darão,
Aí, porque há a paz, está meu coração.
Bem sei que o som do mar vem de além dos outeiros
E que do seu bom som os ímpetos primeiros
Turvam de ser diverso o natural da hora,
Quando o campo a não ouve e a solidão a ignora.
Mas qualquer cousa falsa desce e se insinua
Nos anos que são vestígios sob a Lua.

Fernando Pessoa

domingo, maio 14, 2006

"Dobradinha" à moda do Porto




A Taça é nossa, la la la la la la...!!!!!!!
A Taça é nossa, la la la la la la....!!!!!!

À nossa medida

Às vezes, sem me dar conta da profundidade do que digo, saem-me umas frases, máximas – segundo a minha mãe, "saber de experiência feito" - segundo os meus cândidos alunos, maluquices - segundo os amigos, o costume - para o manos. O facto é que deixam toda a gente ou de boca aberta – mais de sobressalto do que de estarrecimento – ou (a maior parte das vezes "e") com o desejo de ouvir novamente o que eu disse, desta feita acompanhado das devidas legendagens, traduções e explanações metafisico-sociológicas. Para o bem ou para o mal, isso acontece-me muitas vezes. Não gosto. Coro infinitamente, vezes sem conta, ad aeternum quase. Mexo-me na cadeira. Garganta seca. Mãos suadas. Pálpebras trementes. Fico envergonhada. Constrangida. É como se eu fosse uma ave-rara qualquer tornada messias pela populaça. Não gosto. Na realidade, detesto, e nunca consigo fugir da situação. Afinal eu é que dou, literalmente, o mote. Abomino. Ter mesmo que apenas dois – é como se fossem oito, dez, trinta – olhos colados em mim, sequiosos, expectantes, numa curiosidade tão gulosa me vira e revira do avesso, me devora de fora para dentro e suga a minha paz de espírito, até ao tutano, é francamente odioso.
O que vale é que falo pouco. Muito pouco.
Há dias foi com a minha mãe. E ainda hoje, há pouco, tive que fazer um esforço para me lembrar do que tinha dito, ipsis verbis, acerca da situação que ela me descrevia pela enésima vez. Voltei a dizer-lhe o que achava, nas mesmas palavras, tal como ela pretendia. Para poder meditar em cada palavrinha e saborear o pensamento na sua especificidade, na sua profundidade (relativa, acho), para se regozijar com a minha acutilância e a minha agilidade de raciocínio, é mesmo mãe, e admirar-se com tamanha inteligência e inesperada sabedoria, é mãe pois claro, e prostrar-se ante a espontaneidade iluminadora, mãe – com todas as letras.
Ontem foi com uma das minhas amizades mais próximas.
Às vezes a vida trata-nos mal e deixamos de acreditar…”, dizia-me. “Por isso é que, para mim, actualmente na nossa sociedade o Amor, verdadeiro, grande, é uma coisa que não existe…”, continuava.
Paralisou-me; tudo parou, imutável como numa fotografia; parei, eu também, no tempo. Só minutos depois voltei a mim, esbugalhei-me para o ecrã, quase desorbitava, mas sim, ainda estava do outro lado, cocei os olhos e a cabeça. E só lhe disse: É verdade, “…às vezes a vida trata-nos mal.” E a concórdia ficou por aí.
Depois aconteceu. De chofre, sem sequer pensar, não sei de onde, saiu-me: Uma vida sem o Amor (verdadeiro, grande) é o mesmo que um homem sem Deus. E lá tive que repetir muitas vezes e tentar, na medida do possível, explicar o - até para mim - inexplicável - porque articulara escassos momentos antes, sem querer quase. Enfim, já são muitos anos... esforcei-me, a bem do próximo. Então, um homem sem deus... Oco, vazio, insípido, a preto e branco, entediante... É uma realidade INSUPORTÁVEL, literalmente INVIVÍVEL, passe o neologismo.
Não vou agora pregar que Deus é Amor mas que o Amor não deve ser nunca deus para ninguém ou fazer a apologia do Catolicismo, do Budismo, do Judaísmo ou de uma outra qualquer religião. Não me compete. Esse ministério vai muito para além de mim.
De resto, acredito piamente que existem vários deuses, tal como existem vários amores, várias verdades até. Pablo Picasso é particularmente feliz quando diz algo como: "Se a verdade fosse uma só, seria impossível pintarem-se tantas telas sobre o mesmo assunto." Genial. Memorável. Iluminador.
Acho que cada um tem um Deus à sua medida e um Amor também. À medida da sua vida. Verdades, para mim, óbvias. Todos os dias comprovadas em pequenas e grandes coisas. (Foi com isto que concluí a nossa conversa cibernética, ... FOR THOUGHT.)
E adorava poder fazer com que todos vissem isto mesmo pelos meus olhos. Mas não posso. Nem tento sequer. Todos somos diferentes e a grande riqueza está precisamente aí.
Eu sou assim. Esta é a minha verdade. O meu mundo. Simples, natural, espontâneo, gratuito e maravilhoso; tão bom, tão quente e tão fresco, tão vital, como respirar, beber água, andar a pé, apanhar sol, olhar uma flor ou o mar.

Ainda que com uma semanita de atraso... TODAY IS MOTHERS' DAY IN THE U.S.!!!

Foto from maxadu's fotolog
Porque adoro a minha, porque ela é evidentemente a primeira palavra que me sai da boca nos momentos de aflição, porque acho que a montagem está excelente, por todas as razões.
Ah, anedotas à parte, mãe há só uma. MESMO.
Irrita-me profundamente esta promoção do consumo tipicamente americana.
Dia das mães, tem algum jeito? Que mania de tratarem neste dia esposas, namoradas, professoras, amigas... como mães.
Porquê???
A exclusividade é uma coisa tão bonita, dá sentido às relações...
Mãe há só uma!
Estes americanos, tshhh!!!

sábado, maio 13, 2006

Cem


Este é o meu centésimo post.
Muito obrigada a todos aqueles que me lêem: um beijinho aos que comentam e dão cor ao meu dia-a-dia; um abraço apertado aos amigos e aos que não o sendo inicialmente, por cá virem, passaram a sê-lo.
Bem-hajam todos por fazerem, de algum modo, parte da minha vida e a tornarem mais rica!

Today is COMMENCEMENT at Rice University!!!

This morning...

Congratulations to all graduates! Best wishes for the real "commencement" starting... NOW!!!

sexta-feira, maio 12, 2006

Cause I too need a blue sky holiday!!!


Thomas Hawk

Where is the moment when needed the most
You kick up the leaves and the magic is lost
They tell me your blue skies fade to grey
They tell me your passion's gone away
And I don't need no carryin' on

You stand in the light just to hit a new low
You're faking a smile with the coffee to go
You tell me your life's been way off line
You're falling to pieces everytime
And I don't need no carryin' on

Cause you had a bad day
You're taking one down
You sing a sad song just to turn it around
You say you don't know
You tell me don't lie
You work at a smile and you go for a ride
You had a bad day
The camera don't lie
You're coming back down and you really don't mind
You had a bad day
You had a bad day

Well you need a blue sky holiday
The point is they laugh at what you say
And I don't need no carryin' on

You had a bad day
You're taking one down
You sing a sad song just to turn it around
You say you don't know
You tell me don't lie
You work at a smile and you go for a ride
You had a bad day
The camera don't lie
You're coming back down and you really don't mind
You had a bad day

(Oh.. Holiday..)

Sometimes the system goes on the blink
And the whole thing turns out wrong
You might not make it back and you know
That you could be well oh that strong
And I'm not wrong

(yeah...)

So where is the passion when you need it the most
Oh you and I
You kick up the leaves and the magic is lost

Cause you had a bad day
You're taking one down
You sing a sad song just to turn it around
You say you don't know
You tell me don't lie
You work at a smile and you go for a ride
You had a bad day
You've seen what you like
And how does it feel for one more time
You had a bad day
You had a bad day


Daniel Powter

quinta-feira, maio 11, 2006

longe, oculto e presente


Ajoelhado no terraço Gaspar olhava o céu da noite. (...)
E disse:
- Senhor, como estás longe e oculto e presente!
Oiço o ressoar do teu silêncio que avança para mim e a minha vida apenas toca a franja límpida da tua ausência.
Fito em meu redor a solenidade das coisas como quem tenta decifrar uma escrita difícil.
Mas és tu que me lês e me conheces. Faz que nada do meu ser se esconda.
Chama à tua claridade a totalidade do meu ser para que o meu pensamento se torne transparente e possa escutar a palavra que desde sempre me dizes.
Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, maio 10, 2006

"O coração, se pudesse pensar, pararia."

Bernardo Soares

IT'S A BEAUTIFUL DAY!!!



Está de parabéns Paul David Hewson, conhecido artisticamente como Bono Vox, (Dublim, 10 de Maio de 1960), cantor irlandês, líder do grupo musical U2 e activista pelos direitos humanos.

IT'S A BEAUTIFUL DAY!!! DON'T LET IT GET AWAY!!!

HAPPY BITHRDAY!!!

terça-feira, maio 09, 2006

Mágoa


1.
Fiz-me embrulho para presente
para ofertar-me aos amigos.

(Sempre fui o mesmo homem:
papel de seda, uma fita.)

2.
Amei tanto, tanto mesmo:
só me chamaram poeta.

Sorri tanto, e só sabiam
que eu tinha dentes bonitos.

3.
Guardei-me um dia no mar
chorei ondas pela praia.

Em mim nasceu uma flor
porque sempre fui jardim.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Antônio Brasileiro

segunda-feira, maio 08, 2006

LU, PARABÉNS!!!


Espero que gostes da prenda: dentro da caixa está… o quiseres: o que mais desejas, aquilo de que mais precisares neste momento…
Feliz Aniversário! Aproveita o dia.

domingo, maio 07, 2006

Lembram-se disto?



“-Ele nunca ganhou nada... eu já...”-

NOT THIS YEAR!!!!

E para terminar em beleza ou em conformidade:
P. FERREIRA-BENFICA, 3-1

Mais palavras, para quê???

BOA, MOUTINHO. Sempre gostei de ti, rapaz!

7 DE MAIO – DIA DA MÃE

Bourguereau

Hoje é o dia de todas as mães, é o dia de todos os filhos e por isso mesmo falarei da minha. Apenas. Cada um que recorde e homenageie a sua à sua maneira. O melhor que possa e saiba. Mamã, desculpa a frugalidade das palavras, mas já me conheces: quando amo, emudeço.
A minha mãe trabalha num orfanato.
Todos os dias tem a seu cargo, porque as meninas têm aulas fora do colégio, a ocupação dos tempos livres – de estudo, arte, música, lavores, brincadeiras e tropelias – de uma média de setenta crianças, órfãs ou oriundas de famílias disfuncionais. Setenta. Com idades tão díspares que podem ir dos cinco, seis anos aos dezoito. É claro que se dividem as internas por idades e multiplicam-se tarefas e actividades, pelo que a minha mãe trabalha com grupos, de vinte ou trinta ou cinquenta, vários, durante todo o dia.
Por isso é que quando chega a casa, por volta das sete e meia, todos os dias, janta e vê um minuto ou dois do Telejornal. Sempre. Quando damos por ela, porque a conversa e a risota já terminaram há muito, está a dormir. Todos os dias é assim. Às vezes temos pena, porque ela queria ver determinado programa e acha que é desta que vai conseguir, porque hoje até nem se sente muito cansada e tem realmente muito interesse em ver o tal programa, ao contrário das desgraças do Telejornal. Mas o sono vence-a e o programa, se gravado, será visto durante o fim-de-semana. Isto, claro, se entretanto, não aparecer qualquer coisa para fazer nesse fim-de-semana, se não decidirmos fazer um piquenique ou dar um passeio ou se não nos bater à porta alguém, alguma visita inesperada. (Todos os fins-de-semana, é incrível!).
A minha mãe conhece assim muitas pessoas, muitas histórias, muitas vidas, nem sempre ou, em boa verdade, muito raramente, bonitas. A minha mãe presencia, às vezes diariamente, muitas situações nem sempre justas, nem sempre adequadas, nem sempre agradáveis. Mas não se deixa nunca contagiar pela tristeza, apesar de não a surpreender a dureza do mundo; não cede nunca à amargura, apesar de admitir que às vezes ver determinadas injustiças ou ouvir contar certas situações custa; e sobretudo não descansa na hipocrisia dominante, não passa para o lado, confortável, do mais forte… continua ouvir, a fazer reflectir, a aconselhar, a ser confidente… tal como da primeira vez, há muito tempo atrás. E isso, que para mim é motivo de admiração, honra, orgulho e uma veneração sem limites, não lhe tem sido, ao longo dos anos, muito vantajoso. Especialmente junto da entidade empregadora. Por todas as razões. Mas a minha mãe é acima de tudo mãe, e vê em cada menina a filha de alguém, e isso, creio, por muito que lhes custe admitir, as irmãzinhas nunca vão entender na sua plenitude.
A minha mãe é uma idealista e por isso mesmo está bem onde está. Porque ao contrário de muitos, até mesmo no topo hierárquico da instituição, a minha mãe acredita no constante aperfeiçoamento do ser humano, na regeneração e na possibilidade de reintegração. E como ela eu. Mas como a amo e só a quero ver bem, saco da racionalidade e do pragmatismo e digo-lhe, agora constantemente, para pôr os ideais de lado, porque já não tem idade, porque a inimizade patronal é perigosa, porque não deve misturar trabalho com sentimento, porque, porque… E ela ri-se, e olhando-me, desafiadora, lembra-me tantos episódios, tantas histórias que lhe contei dos meus alunos e diz-me que o idealismo lhe está no sangue, lhe corre nas veias e por isso mesmo é que – eu sou a prova – é genético! E eu coro e cedo às evidências: tem razão.
E o idealismo é capaz de explicar muita coisa. Ainda hoje, agora, neste preciso momento, não consigo perceber como sempre teve (e tem) tanta paciência para nós, tanto interesse, tanta proximidade, entrega e alegria com um dia-a-dia tão agitado, tão intenso. Não percebo como consegue estar sempre lá quando é preciso e ter sempre o conselho mais adequado na ponta da língua. Não percebo como adivinha o que lhe queremos dizer e nos dá a opinião dela, às vezes diferente mas certa. Não percebo como conhece tão bem as manhas, as astúcias e as manobras mais incríveis de alguns seres humanos e tem ali, à mão de semear, os respectivos antídotos, as soluções. Não percebo como, com este emprego e este país, não cedeu às modas, ao sossego e ao conforto e não teve apenas dois filhos como todas as primas, cunhadas, amigas, colegas, vizinhas e afins. Não percebo como nos põe sempre à frente e antes de tudo o mais. Não percebo como nos conseguiu educar assim: na liberdade, para a justiça, a concretização dos nossos sonhos e para o bem.
Um dia vou perceber, diz-me muitas vezes. Não sei. Espero que também seja genético.

Por tudo isso, por tudo o que não escrevi aqui e por aquilo que ainda me escapa,

SÓ PARA A MINHA

Mamã,

Amo-te.
És o que tenho de mais precioso.
Daria a minha vida por ti.

Jinhos,

Joaninha

sexta-feira, maio 05, 2006

... GOSTO CADA VEZ MAIS DO MOURINHO!!!

o sonho.chagall
Da mais correcta definição do país que temos e somos... SEMPRE!!!

Quase


Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá-Carneiro

"Onze anos depois de Nuno Marques ter conseguido ultrapassar duas rondas, o Estoril Open voltou a ter um representante português nos quartos-de-final da competição de singulares masculinos. Mas a experiência da estrela argentina David Nalbandian evidenciou-se e o português Frederico Gil foi derrotado em dois 'sets' com os parciais de respectivamente 6-1 e 6-2."

Para ser grande, sê inteiro



Para ser grande, sê inteiro:
nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes
Assim em cada lago a lua toda brilha
Porque alta vive.

Ricardo Reis
Frederico Gil tem 21 anos e é o terceiro português a chegar aos quartos-de-final no Estoril Open. PARABÉNS!

Porque 'português' ainda rima com 'competente'...

quinta-feira, maio 04, 2006

Nota máxima!

Poema 20


Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: «La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos».

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.


Pablo Neruda (1904 - 1973)
in "Veinte poemas de amor
y una canción desesperada" (1924)

EUREKA!!!


Descobri!!!

Há dias conversando sobre esquilos (e outras coisas mais) perguntaram-me se eram amistosos os (esquilos) de Houston, e, porque do outro lado estava alguém verdadeiramente apaixonado pelos ditos, se porventura daria para levar um para minha casa (e, subsequentemente, para Portugal como pet, suponho).

Na altura respondi que tal nunca me tinha ocorrido, I’m not really a pet person. Gosto de joaninhas, peixinhos dourados e pouco mais…

Mas ainda há pouco tive um “encontro imediato” com um esquilo que foi realmente iluminador.

Estava eu bem no meio da minha pausa para um snack (não kit-kat, emobora estivesse quase-quase…) a pensar na vida e a deliciar-me com um crunch (I'm sorry kit-kat, perhaps next time!) quando noto uma presença, esquilóide, familiar, bem ali à minha frente… e eu que pensava que era apenas ao almoço que eles apareciam… (“Amistosos ou esfomeados, eis a questão !!!”)

E este era um daqueles determinados (não serão todos?), enquanto eu olhava para ele e pesava os prós e os contras (sei lá se o chocolate não lhes é toxico?), ele aproximava-se cada vez mais, quase intimidante… enfim, lá lhe dei um quadradinho, dose aceitável… deliciou-se, tal como eu. Ok, foi um bocadinho mais sôfrego do que eu (que nem gosto assim tanto de chocolate). Se calhar foi por isso mesmo que quando ele acabou e se virou para mim com aquele olhar ( estão a ver o Gato das Botas no SHREK???, esse olhar…), dei-lhe outro quadradinho, afastou-se uns passitos e nova sofreguidão – estava quase a sentir-me mal, a pensar no quanto era grave estar a iniciar o bichinho nos prazeres mais mundanos e numa potencial adição, quando se volta novamente para mim, anda os passitos que recuara e novo olhar… pensei na senhora-esquilo e nos meninos-esquilos e bora lá dar uma porção maior para a família. Mas qual família, qual quê… este era certamente solteiro (e bom rapaz), papou-o todo como se fosse o primeiro!

Aproximação, olhar, quadradinho, recuo, deglutição... e assim sempre, muitas vezes, até ele terminar a barra e eu zarpar dali antes que me confundisse…

Então ocorreu-me: se fizesse umas “pegadas” de chocolate até à minha casa (tal como as pegadas de papel do meu Infantário por alturas da caça aos ovos de Páscoa), tenho a certeza de que facilmente conseguiria que ele lá fosse. Depois era só arranjar chocolate suficiente para mantê-lo até chegar, obeso (no mínimo), a Portugal...

Diogo, ainda queres um esquilo???
“Tenho saudades do meu avô. Às vezes, sonho com ele e vejo-me sentada ao seu lado, na cadeira rente ao chão, que os netos disputavam para ficar mais perto dele a ouvir as histórias que contava como ninguém. Vejo-o enorme, sentado no seu cadeirão de braços, com as pernas cruzadas e os óculos de meia-lua sobre a ponta do nariz, a ler o jornal concentrado e, ao mesmo tempo, muito atento a tudo à sua volta. Vejo-o com todo o tempo do mundo a ter tempo para todos. Lembro-me da sua voz, das suas cores e da maneira como os olhos riam. Era um homem alto, lindo, cabelo imaculadamente branco, olhos azul-escuro que acinzentavam conforme a luz dos dias, andar compassado e tranquilo. Um andar de quem conhece a terra que pisa. (…) O tempo em que o meu avô e a minha avó eram vivos foi o tempo mais feliz da nossa família. Amados pelos filhos e netos, eram igualmente venerados pelas noras e genros. O dia do piquenique anual, feito à sombra da cerejeira mais antiga e perfumada das terras do meu avô, era um dia inesquecível.
Vinham homens para assar o borrego e mulheres para ajudar a estender as toalhas na terra inclinada sobre a vinha.
Nós divertíamo-nos uns com os outros, divididos entre o prazer dos assados, as anedotas do tio Guilherme e os saltos para o tanque que todos os anos era limpo e cheio de água fresca.
Alguns desses dias foram filmados e ficaram gravados para sempre. As imagens estão gastas e não têm som mas, de cada vez que as vejo ou me lembro delas, oiço as vozes com uma estranha nitidez. (…) Um dia, o meu avô deitou-se, adormeceu e não voltou a acordar. Morreu exactamente como viveu.”
Se deixo aqui aquilo que escrevi há alguns anos, é porque todas estas memórias e sentimentos continuam muito presentes e não sei dizer as mesmas coisas por outras palavras. Por outro lado, se recordo parte do que então escrevi, é justamente por ter referido a velha cerejeira.
Foi por causa desta árvore e de tudo o que vivemos à sombra dos seus ramos que o gesto de alguém, que eu só conhecia de nome mas era íntimo da minha família, me tocou de uma forma tão profunda. Manuel Vieira, o padre “Manel”, de quem tanto ouvi falar, mas com quem nunca me tinha cruzado por vivermos vidas diferentes, em lugares distantes, foi ter comigo à entrada de um encontro onde participei recentemente e ao qual cheguei em cima da hora, cheia de nervos e sobressaltos. Manuel Vieira apresentou-se, abriu um sorriso enorme e estendeu a mão com uma carta para mim. O envelope continha qualquer coisa invulgar e, mesmo atrasada, não resisti a abri-lo logo ali. Tinha três ramos de árvore e um papel escrito dos dois lados. Os pequenos ramos estavam unidos por um elástico e tinham sido cuidadosamente embrulhados num saquinho de plástico para os proteger melhor.
Olhei com ar interrogativo, enquanto alguém me puxava pelo braço para descer as escadas do enorme auditório, onde já estavam sentadas centenas de pessoas à minha espera. Não resisti a ler o papel enquanto me apresentavam à plateia. E o que o papel dizia era muito simples e muito poético: “Passei em Aldeia Velha na manhã do dia 16 e parei à sombra da cerejeira, ao lado da casa de campo. Subi à parede e colhi um raminho desta cerejeira já velhinha mas ainda conhecida por ser a cerejeira do seu avô. Agora fala à neta. Penso que as coisas, mesmo insignificantes, quandos nos ligam à vida passada ou presente, deixam de ser insignificantes, para se tornarem importantes e mensageiras.” Pode crer, querido padre Manuel Vieira.
LAURINDA ALVES (in Correio do Vouga)

UMA FLOR PARA OUTRA FLOR


PARABENS, IMCG!!!!!!

Porque às vezes me sinto assim...

quarta-feira, maio 03, 2006

America's best of (BEST!!!!!!)

- Hey, how are you doin' ?
- I'm fine and you?
- I'm better than I deserve!
- !?!

Suspiros (II)



MATISSE ... E BASTA!!!

terça-feira, maio 02, 2006

TUNA FEMININA DE MEDICINA DO PORTO - 10 anos


E para a Tété não há nada, nada, nada?
TUUUUUUUUUUDDDDDDDDOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!

(... a Tété é dos seres humanos mais perfeitos que conheço, um doce que a Medicina - faculdade, instituição e ciência - deve ter orgulho em conservar... Ah, é também aquela menina que ensaia esta tuna, a menina dos arranjos, das músicas, do contrabaixo, do bandolim ... a Tété é o máximo!... e é minha mana!!!!!!!!)

Hoje. 21h. HSJ. Porto. PARABENS TUNA!!!!!!!!

CONTIG(u)O

Há tempos sonhei connosco.
Tínhamos casado, contra todas as preferências familiares, expectativas pessoais e previsões mais optimistas. Morávamos na ilha, na casa dos meus avós, na casa onde vivi dezassete anos. Até não poder mais. Na ilha donde, à primeira hipótese, fugi. Antes que o sal das lágrimas me engolisse por inteiro. Antes que o ruído da mesquinhez me ensurdecesse, antes que a soberba geral me asfixiasse e que a respectiva prepotência me matasse de dor. Antes que o escuro viesse.
Tínhamos imensos filhos – não sei quantos ao certo, mas eram muitos –, todos muito barulhentos, chorões e ranhosos. Eu era doméstica mas tu trabalhavas. O dinheiro escasseava. Éramos muito pobres.
Éramos muitíssimo pobres, mas nunca discutíamos. Nunca nos zangávamos.
Nem mesmo quando faltava a comida ao jantar e apenas comiam as crianças. Pouco. Muito pouco. E pediam mais. E choravam. E não conseguiam adormecer, por muitas histórias que se contassem ou por muito que se cantasse, porque pura e simplesmente tinham fome.
Nesses dias íamos para a cama sem comer e tu ardilosamente convertias os lamentos sucessivos dos nossos estômagos numa acesa competição sonora. E imaginávamos os dois o diálogo travado entre os competidores. E fartávamo-nos de rir com as palermices que inventávamos. E as nossas gargalhadas chegavam aos céus muito antes de chegarem ao quarto dos miúdos, ao lado. Acho que os céus te respondiam à recriação sucessiva da alegria, porque olhavas sempre para lá, e o teu olhar crescia e se iluminava de sonhos e de esperança, e falavas-me, seguro, de como se pode viver sem pão, mas nunca sem Amor.
Nunca nos zangávamos. Nem mesmo quando chegavas a casa cansado, revoltado, e triste, e eu via nos teus olhos o peso da culpa que carregavas aos ombros. Via, percebia, queria consolar-te, dizer-te que não, que a culpa não era tua, pelo contrário, se de alguém era minha; queria dizer-te que tudo se havia de compor, que a culpa era do défice, dos políticos, do país e da Europa, que tínhamos feito do pouco muito e construído algo muito maior, que poucos conseguem, e queria por tudo isto no meu olhar e no meu sorriso, cada dia, todos os dias, para quando chegasses a casa… mas o meu sorriso não estava lá, nunca estava lá, para soprar o desânimo para longe. O meu sorriso não respondia ao teu. Não conseguia. Sorrir doía. E então chorava. Eu. Só.
Durante o dia, baixinho, às escondidas, para os miúdos não perceberem. À noite, nos teus braços, no teu peito, no teu colo, baixinho, para não perceberes. E tu não percebeste, mas eles... Um dia, certo dia, a nossa mais velha, claro (!), telefonou-te e disse que a mamã deve estar doente, porque hoje não está a pé, não abriu as janelas, não fez sopa, não ralhou e nem sequer se levantou da cama. Não fala.
E tu vieste, a tremer de dor, com o coração, partido, nas mãos, mas com a força, a tenacidade, a coragem e a ternura do costume. E trouxeste-a para o quarto, sentaste-a na cama, ao meu lado, e pediste-lhe que contasse. Tudo. E ela contou. E tu ouviste. Tudo. Com atenção, carinho e um Amor que nunca acaba e que eu não mereço. E eu ouvi. Tudo. Os meus choros frequentes, abafados, escondidos, disfarçados, o meu olhar perdido no espaço e no tempo, as minhas impaciências, o meu desinteresse, a minha apatia, a minha tristeza. Abraçámo-nos os três e choramos muito. Longamente. Pedi-vos perdão. A culpa era minha. Tinha sido sempre. Desde o início. Tu sorriste-nos. Deste-lhe um beijinho e mandaste-a para a sala. Depois limpaste-me as lágrimas, pegaste-me nas mãos, olhaste-me nos olhos e disseste que não havia culpa (logo não era de ninguém) porque a culpa é como o medo: apenas existe dentro de nós, fruto da nossa própria criação. Beijaste-me as mãos, a testa, os olhos, o nariz, o queixo e a boca, abraçaste-me e sussurraste que nós íamos conseguir, esta era apenas mais uma fase difícil a ultrapassar, disseste que no fim ficaria tudo bem. E eu acreditei.

***

Há tempos sonhei contigo.
Estávamos casados, apesar da tua mãe, dos teus amigos e da tua profissão.
Tínhamos dois filhos lindos e uma casa grande só nossa. Trabalhávamos os dois. Muito. Profissões diferentes, rotinas diferentes. Apesar disso, eu tinha imenso tempo para as crianças e para a casa. Crescia com elas e isso fazia-me muito feliz. Tu não tinhas tanto tempo mas eras um marido maravilhoso e um pai adorável. E tudo se compunha e tudo estava bem…
Saías de manhãzinha e só chegavas ao cair da noite, quando os miúdos já dormiam. Ias vê-los aos quatros e dar-lhes um beijinho e eu achava que isso era encantador. Mas eles não te viam a ti. Nem te davam beijinhos. E isso começava a ser aterrador. Obviamente, aos fins-de-semana tínhamos-te só para nós e então passávamos imenso tempo todos juntos; fazíamos piqueniques, íamos à praia, almoçávamos na casa dos nossos pais e os miúdos brincavam com os avós e com os primos e isso divertia-os imenso. E dava-nos o nosso tempo e o nosso espaço de volta. E eu achava que nada poderia haver de mais perfeito sob os céus.
Alguns fins-de-semana. Apenas. Noutros tinhas que trabalhar, tanto como nas noites em que não podias vir dormir a casa. E eu admirava a abnegação e a dedicação aos outros, o esforço hercúleo que não deve ser estar tantas horas sem dormir, a colocação da experiência e da prática, do conhecimento e da técnica sempre em favor do Outro. E então afastava da mente os pensamentos mais negros e secava as lágrimas da saudade com o orgulho e a admiração. Por ti.
Nunca discutíamos, nunca nos zangávamos: não tínhamos problemas. Éramos a família perfeita, o casal-modelo…
Eu amava-te com todo o meu ser e esse meu sentimento era maior que eu, nós, a vida, o mundo e até as tuas obrigações profissionais. E achava que isso era o bastante e que tal me imunizaria do sofrimento e da dor e faria do longe perto e anularia o fosso que entretanto se fora criando entre nós.
Eu sentia-te efectivamente cada vez mais longe. De mim. De nós. Os miúdos mal te conheciam. E dizia-to. Tu achavas que não e adormecias mesmo antes de esgrimires argumentos. Adormecias. Do cansaço. Do desgaste. Da profissão. E eu revoltava-me. Contra os outros, massa amorfa. Não percebia com podias dar-lhes tanto, de ti, pro bono. Não percebia por que razão eu, mulher, amante e mãe, que te sentia cada vez mais longe, e que tinha porventura todo o direito para isso, não te conseguia exigir uma escolha. E revoltava-me. Contra mim própria. E a melancolia, o sofrimento e a tristeza tomavam conta de mim. Quando achava que já não conseguia suportar tanta dor, tornava as coisas ainda piores: recordava aqueles dias, longínquos, em que um olhar teu bastava para eu ter uma semana de insónias, lembrava-me do engolir em seco e da conversa sem nexo da primeira vez que falámos, revia todos os momentos em que a tua presença ao meu lado era o suficiente para eu sentir o coração a bater, sem freio, na cabeça, nos olhos, na cara, na garganta, nos pulsos e nas pernas. Aqueles dias em que tremia toda só de pensar em ti. E então chorava. Eu. Só.
Durante o dia, baixinho, às escondidas, para os miúdos não perceberem, para tu não perceberes, para os vizinhos não perceberem, para os meus colegas não perceberem, para os teus colegas não perceberem, para os nossos pais não perceberem. Para as pessoas não perceberem. A crise do casal-modelo. À noite, quando estavas a trabalhar, alto, muito alto, na solidão fria e escura do quarto; quando chegavas, baixinho, para não perceberes. E tu não percebeste, mas eles... Um dia, certo dia, a nossa mais velha, claro (!), perguntou-te, na minha presença, se não havia remédio para a doença da mamã que passa o tempo todo a chorar às escondidas. Inventaste um nome qualquer, verosímil, e indicaste-lhe o respectivo tratamento, credível. Mas não conseguiste disfarçar a surpresa. E voltaste-te para mim, deste-me a mão, a piscadela marota de outrora e fizeste-me prometer (?) que falávamos sobre isso ao jantar. E eu assenti, prometi, esperei e acreditei.
Acreditei. Até ter percebido num bloco noticioso de última hora num canal qualquer que a conversa teria que ser adiada. Ligaste a dar-me conta desse imprevisto. E eu não consegui disfarçar o choro que me embargava a voz. Ficaste apreensivo. E eu cheguei a ter esperança no teu silêncio do outro lado. Mas não vieste.
Quando chegaste, de madrugada, senti o arrependimento no toque e no calor, mas a tua ausência já se tinha tornado rotina e a minha solidão natural. E deixei-me ficar no torpor em que me encontrava e não consegui dizer-te o que estivera a repetir a mim própria todo o dia: que íamos conseguir, que esta era apenas mais uma fase difícil a ultrapassar, que no fim ficaria tudo bem. Não consegui. Voltei-me para o outro lado e comecei a chorar baixinho. Não respondi ao teu pedido de desculpas velado e tu gelaste. Nem tentaste novamente. Se calhar não gelaste, se calhar adormeceste simplesmente. Do desgaste. Do cansaço. Do dia. Continuei a chorar. E deixei o acreditar para o dia seguinte.

segunda-feira, maio 01, 2006

Eu sei, tu sabes, ele sabe???

Os homens sábios entendem o que vai passar-se
Porque os deuses sabem dos eventos futuros, e os homens dos eventos presentes.
Mas o sábio sabe do que vai passar-se.
Filóstrato, Sobre Apolónio de Tiana, VII 7.
O que acontece agora sabem os mortais, e o que será um dia os deuses sabem, os únicos senhores de toda a luz profunda. Mas o que vai acontecer em breve o atento sábio sabe. O seu ouvido atento às horas do silêncio há que tempos escuta, inquieto e perturbado, estranhos sons que, às vezes, vêm de eventos que estão prestes. E respeitosamente atenta neles, enquanto as gentes fora nada ouvem.
[1915] Konsdantinos Kavafys (tradução de Jorge de Sena)

O holandês que descobriu a pólvora



Co Adriaanse
"Baía é uma grande pessoa"

Mesmo em final de época, Adriaanse anotou detalhes para corrigir no jogo do FC Porto, ainda que tenha preferido concentrar-se nos pontos positivos de um dia festivo. "O ambiente foi impressionante", exclamou, enumerando depois os tais pormenores que discutirá com a equipa. Quanto mais não seja porque ainda há um título para assegurar, no Jamor. "A nossa primeira parte foi má, contra dez jogadores do Guimarães. Melhorámos na segunda, criando algumas oportunidades, mas faltou-nos precisão no passe. Estou contente com esta vitória, que deixou também os adeptos felizes", afirmou na "flash-interview" à Sport TV. Depois de uma época conturbada, Adriaanse conseguiu arrancar os aplausos dos adeptos. O holandês disse perceber os motivos da contestação a que esteve sujeito: "É normal, porque mudo muito as posições, o sistema e os jogadores. Os adeptos gostam de Jorge Costa, Hélder Postiga ou Vítor Baía. Compreendo-os, mas queria fazer uma equipa nova e, agora, temos uma equipa jovem, com muito futuro."

A utilização de Vítor Baía gerou uma onda de entusiasmo no estádio, que se levantou para aplaudir de pé a decisão do treinador. Adriaanse elogiou o guarda-redes, apesar de preferir Helton como titular, e achou que deveria dar a Baía uma oportunidade para se despedir convenientemente dos adeptos. Esta temporada, claro. "Vítor Baía é uma grande pessoa, muito profissional. Dá muito apoio a Helton, ao grupo e a mim", sublinhou o holandês."
In "O Jogo", 01/05/06
***
Apesar de ser o atleta do futebol internacional com orecorde de títulos (são já 28), Vítor Baía continua acelebrar cada conquista como se fosse a primeira. Ontem, era evidente a sua alegria, justificada pela oportunidade que lhe foi concedida por Co Adriaanse de ser saudado pelos adeptos do Dragão. Foi a eles que o guarda-redes agradeceu, dedicando-lhes também o momento especial que o clube vive.
“Foi gratificante e um momento de grande emoção.Tudo o que dou, é com grande gosto e um carinho extraordinário. Esta gente é fantástica e desde os meus 18 anos que existe esta empatia. Os adeptos do Porto estarão para sempre no meu coração. Foi um momento de grande emoção quando entrei em campo e eles sabem que nunca me vou esquecer. Dedico este título a todos os portistas”, afirmou o camisola 99.
Esta foi uma época longa para Vítor Baía, que sentiu o que é ser suplente, mas nem isso afectou a sua entrega ao grupo, como fez questão de salientar Co Adriaanse. Por isso mesmo, o lugar do veterano no plantel não está em causa. Há mais um ano de contrato a ligar as partes e é para cumprir.
“Tenho um ano de contrato e o meu pensamento é apenas como jogador. Naquilo que puder contribuir, é com gosto que o farei”, considerou, como um novato que se entrega à disposição do técnico. A ambição está evidente no discurso.
“Ainda temos um jogo de campeonato e a Taça de Portugal para vencer”, lembrou, sedento de novas conquistas. Uma necessidade que se explica: “São os títulos que alimentam uma carreira. É isso que nos move. É uma alegria criar este hábito de vencer.”
In "O Record", 01/05/06

Tal como eu tinha imaginado... a FESTA...


We are the CHAMPIONS!!!