sábado, fevereiro 26, 2011

Octeto do Porto

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Concerto de Beneficência Octeto do Porto - ACREDITAR

Hoje às 21h 30m no Auditório Municipal de Vila Nova de Gaia.

1ªParte

Dvorak Op.96
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2ªParte

Mendelsohn Op.20

Entrada/Bilhete- 6€ (revertem totalmente a favor da Associação Acreditar)

Tarde de sol e sorrisos garantida. É ir.



Lançamento de "Doutor Avalanche".

Hoje, pelas 17h30, na livraria Capítulos Soltos, em Braga.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Plim!













Mas há mais. Aqui.

"She paints her face with her eyes." *

Ingrid Bergman (1915-1982)
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* Roger Ebert, Casablanca (DVD, edição especial), Comentário ao filme.

Coisas do 28 e outras coincidências bonitas - 2

Há qualquer coisa na estação de metro de Santa Apolónia que me põe a ler. Muito. Acho que sei o que é, o que é que o Chiado tem?, mas vou dar-me mais tempo para perceber melhor. Note to self: ou a leitura, ou o 28; ou a leitura, ou o 28.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Música das Esferas - IV

Coisas do 28 e outras coincidências bonitas

De manhã, muitas dores nas costas à espera do 28. Muitas dores nas costas, muito sono, uma noite curta, esticada como um elástico gasto, na insónia, muito tempo, muito sono. Um miúdo dos seus oito nove anos acorda-me deste balanço de achaques ao gritar oláááaaa! de muito perto da minha paragem para o estacionamento da fachada de São Vicente de Fora que sim, que dava a mão à palmatória - claro que não nestes termos, os miúdos de hoje não sabem o que é uma palmatória, eu que sou eu sei só de ouvir falar dela parentalmente - o miúdo dava razão ao arrumador, que sim, que o Benfica ganhou. O arrumador já em pausa da labuta, tudo calmo no estacionamento, o arrumador explica que o Benfica jogou melhor, portanto nada mais natural do que ter ganho, mas agora vai para a escola, filho. O miúdo assente, acena, e vai. O 28 vem, chega até nós a abarrotar, o costume àquela hora da manhã, avança 20 segundos e pára uma eternidade no semáforo. No fim da rua, na esplanada de um café, mesinhas e cadeiras muito em cima do passeio e duas meninas pequeninas a saltar à corda - ainda há miúdas com totós das cores do arco-íris que saltam à corda a enganar o tempo antes de irem para a escola!
O sobe-e-desce do costume, as paragens bruscas e as arrancadas bruscas do costume também, até finalmente se esvaziar... Quando esvaziou, o velhinho 28 desta manhã, deixei-me cair, quase imediatamente, quase automaticamente, nos cinquenta por cento de assento vago mais próximos de onde tentava o equilibrismo de sempre. Só depois de instalada me dei conta de uma frustração menina, na carinha menina de uma linda menina em menina idade de saltar à corda. E, pronto, lá me desculpei com um sorriso e com um amparinho, e outro, e outro... sempre que o 28 fazia uma curva que a colocava quase no meu colo. Fomos sempre assim até eu sair e me lembrar disto e chegar ao Departamento ligar o computador, ler mails, imprimrir coisas, responder a mails e dar de caras com aquilo no Facebook. Há dias assim. Doces.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

"In the prison of his days / Teach the free man how to praise" *

W. H. Auden
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Lay your sleeping head, my love,
Human on my faithless arm;
Time and fevers burn away
Individual beauty from
Thoughtful children, and the grave
Proves the child ephemeral:
But in my arms till break of day
Let the living creature lie,
Mortal, guilty, but to me
The entirely beautiful.

Soul and body have no bounds:
To lovers as they lie upon
Her tolerant enchanted slope
In their ordinary swoon,
Grave the vision Venus sends
Of supernatural sympathy,
Universal love and hope;
While an abstract insight wakes
Among the glaciers and the rocks
The hermit's carnal ecstasy.

Certainty, fidelity
On the stroke of midnight pass
Like vibrations of a bell
And fashionable madmen raise
Their pedantic boring cry:
Every farthing of the cost,
All the dreaded cards foretell,
Shall be paid, but from this night
Not a whisper, not a thought,
Not a kiss nor look be lost.

Beauty, midnight, vision dies:
Let the winds of dawn that blow
Softly round your dreaming head
Such a day of welcome show
Eye and knocking heart may bless,
Find our mortal world enough;
Noons of dryness find you fed
By the involuntary powers,
Nights of insult let you pass
Watched by every human love.

'Lullaby'

As I Walked Out One Eveing.

© Vintage, 1995

W. H Auden

* Epitáfio do poeta em Kirchstetten, Áustria.

sábado, fevereiro 19, 2011

Homage to My Hips


these hips are big hips.
they need space to
move around in.
they don’t fit into little
petty places. these hips
are free hips.
they don’t like to be held back.
these hips have never been enslaved,
they go where they want to go
they do what they want to do.
these hips are mighty hips.
these hips are magic hips.
i have known them
to put a spell on a man and
spin him like a top

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Às vezes faz bem *

Foto: AlfredFoto: Alfred Eisenstaedt (1939)


Mas só às vezes, só às vezes...
Mas só às vezes, só às vezes.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

The Arrival of the Bee Box

Sylvia Plath (1932-1963)


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I ordered this, clean wood box

Square as a chair and almost too heavy to lift.

I would say it was the coffin of a midget

Or a square baby

Were there not such a din in it.


The box is locked, it is dangerous.

I have to live with it overnight

And I can't keep away from it.

There are no windows, so I can't see what is in there.

There is only a little grid, no exit.


I put my eye to the grid.

It is dark, dark,

With the swarmy feeling of African hands

Minute and shrunk for export,

Black on black, angrily clambering.


How can I let them out?

It is the noise that appalls me most of all,

The unintelligible syllables.

It is like a Roman mob,

Small, taken one by one, but my god, together!


I lay my ear to furious Latin.

I am not a Caesar.

I have simply ordered a box of maniacs.

They can be sent back.

They can die, I need feed them nothing, I am the owner.


I wonder how hungry they are.

I wonder if they would forget me

If I just undid the locks and stood back and turned into a tree.

There is the laburnum, its blond colonnades,

And the petticoats of the cherry.


They might ignore me immediately

In my moon suit and funeral veil.

I am no source of honey

So why should they turn on me?

Tomorrow I will be sweet God, I will set them free.


The box is only temporary.

Sylvia Plath

Ariel

Faber & Faber

1965

No Dia Internacional do Doente, dor-de-dentes

Günter Grass
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"O gato treinava-se. Mahlke dormia ou fingia dormir. Deitado a seu lado eu, com a minha dor de dentes. O gato aproximava-se a fazer o seu footing. A maçã-de-adão de Mahlke era digna de nota; grande, sempre em movimento, projectava uma sombra. Entre mim e Mahlke o gato preto do guarda do estádio agachava-se para preparar o salto. Formávamos um triângulo. O meu dente reduzira-se ao silêncio, deixara de insistir: a maçã de Mahlke metamorfoseara-se, para o gato, num rato. O gato era tão novo, a maçã possuía uma tal mobilidade... o que sei é que o gato atirou um salto ao pescoço de Mahlke; ou então um de nós pegou no gato e pô-lo sobre o pescoço de Mahlke; ou então fui eu, com dor de dentes ou sem ela que agarrei no gato e lhe mostrei o rato de Mahlke: e Joaquim Mahlke deu um grito mas sofreu apenas umas arranhadelas insignificantes."

O Gato e o Rato
Günter Grass
Edição Bibliotex
2003

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Então

Então, mudei de casa, mudei de vida, mudei de emprego, mudei de cidade. Então, passo os dias fora, às vezes muitos dias, muito fora. Então, mudei de andamento, ando mais, ando menos, ando pouco a pé. Então, a cidade é outra, luminosa e grande; a casa, outra também, pequena pequena, a fazer-se minha com tempo, sem tempo, sem demora.

Então, acho que sou muito feliz; às vezes, com as minhas coisas, quando não me arrelio, com as minhas coisas, quando não me arrelia a vida, e as coisas. É. Às vezes sou muito feliz.

Às vezes estamos numa cidade, num trabalho, num lugar, como estamos nos braços de uma pessoa, uma só, sabendo que lhe pertencemos desde o início dos tempos, tentando não ceder a serenidade fininha desses momentos ao grande medo de poder deixar de ser assim algum dia.

Ter vivido fora foi extraordinário. Paris, EUA, sou uma afortunada. Mas, agora, o que faz realmente o meu dia valer a pena é o sobe-e-desce do 28.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Sonnets from the Portuguese

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Sonnet 43

How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of Being and ideal Grace.
I love thee to the level of every day's
Most quiet need, by sun and candlelight.
I love thee freely, as men strive for Right;
I love thee purely, as they turn from Praise.
I love with a passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose
With my lost saints, I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life! and, if God choose,
I shall but love thee better after death.

Sonnet 44

Belovèd, thou hast brought me many flowers
Plucked in the garden, all the summer through,
And winter, and it seemed as if they grew
In this close room, nor missed the sun and showers.
So, in the like name of that love of ours,
Take back these thoughts which here unfolded too,
And which on warm and cold days I withdrew
From my heart’s ground. Indeed, those beds and bowers
Be overgrown with bitter weeds and rue,
And wait thy weeding; yet here’s eglantine,
Here’s ivy!—take them, as I used to do
Thy flowers, and keep them where they shall not pine.
Instruct thine eyes to keep their colours true,
And tell thy soul, their roots are left in mine.

Elizabeth Barrett Browning
Sonnets from the Portuguese and Other Poems
Dover Thrift Editions
1992

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

terça-feira, fevereiro 01, 2011

De coisas que lembram outras coisas


Engana-se, e redondamente, quem disse que o sofrimento nos aproxima de Deus.
Só o Amor nos pode elevar tanto.