terça-feira, julho 25, 2006

Ipsis verbis




OK! Do you want something simple?
OK! Do you want something simple?
OK! Do you want something simple?
OK! Do you want something simple?

The news
Do you want something simple?
The look
Do you want something simple?
The letters
Do you want something simple?
The jokes
Do you want something simple?
The games
Do you want something simple?
The nights
Do you want something simple?
The boys
Do you want something simple?
The girls
Do you want something simple?
The words
Do you want something simple?
The friends
Do you want something simple?
The rest
Do you want something simple?
And sex
Do you want something simple?

Why can't you understand
How I'm feeling now
Why don't you feel me
Why can't you understand
Please open your hand
When you don't know how to do
You want my life
But you've just said no more
Everything is just my fault
The life well done
I can't understand you more, yeah
And I can't understand you more

OK! Do you want something simple?
OK! Do you want something simple?
OK! Do you want something simple?
OK! Do you want something simple?

The films
Do you want something simple?
The songs
Do you want something simple?
And love
Do you want something simple?
The drinks
Do you want something simple?
Art pop
Do you want something simple?
TV
Do you want something simple?
The silence


Why can't you decide
How I'm feeling now
Your heart is following mine
Behind this sacrifice
Can't you see the words
Can't you see the things
But I can go on
Why don't you find another
Why everything looks like a crash
When I used to fall
I can't understand you more
And I can't understand you more
And you cry
And your heart don't cry
And you're sitting
Why can't you feel can't you see
What is happening to me
All the thinking time
All the love you gave it to me
Gave it to me
I can't understand you
Why, why this happens
Why can't you see I'm selling lies
Sitting at a table why
Why you want my life
Why do you want me, yeah
And I can't understand you
I can't understand you
I can't
Why this happening to me
Why this happening
Can't you see now
Can't you see now
Can't you see
I can't understand you
Why
Why this happening to us

This song is too simple
This song is too simple
This song

The GIFT

quarta-feira, julho 19, 2006

No comboio (II)

- Biatiz, Biatiz, olha Biatiz! Eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA!!! Hi, hi, hi, hi, ehehehehehehh!
- ...
Era eu. A "MENINA BONITA" era mesmo eu... num sábado feio, de uma semana horrível de um mês ainda mais tenebroso.
Sábado fui a Braga. Claro que sabia que ao fim de semana os comboios escasseiam e demoram uma eternidade a chegar. Mas era urgente resgatar um cartão, absolutamente essencial para uma conferência, em que por acaso, posteriormente me foi literalmente negada a participação e frequentar um curso de verão que tchan, tchan, tchan, tchan... me impossibilitaram frequentar.
But first tinhgs first, na sexta-feira, véspera da minha viagem dormi pouquíssimo, o que por si só não é muito saudável. Mas se acrescentarmos a isto o facto de que a minha insónia advém sempre das palavras que ficam por dizer facilmente se percebe que o dia seguinte prometia. É claro que foi com os nervos à flor da pele que acordei, quatro horas depois de me ter ido deitar, a pedir aos céus e aos santos para vomitar ou me tirarem o estômago, que era prefeível não o ter a estar tão indisposta. Tomei banho em piloto automático e vesti-me com as primeiras três peças de roupa que tacteei no meio do breu do roupeiro que sei de cor. Tive sorte. A t-shirt e os jeans até combinavam. Depois, havaiana no pé e sempre a descer até São Bento. São sete horas da manhã e já está muito calor, talvez por isso as pessoas se arrastem pelas ruas, inexpressivas. Chego, sento-me no sítio do costume e tento preparar-me mentalmente para a odisseia de setenta e muitos minutos que tenho pela frente. Mas antes que pudesse pensar no que quer que fosse, de súbito, com o ímpeto dos conquistadores, ouço interiormente a voz da minha mãe que me atordoa, acompanha-me todo o percurso às marteladas, tantas e tão fortes que aniquilam por completo (pelo menos da minha consciência) o mal-estar do estômago: " Nessa figura? Para Braga, onde tanta gente te conhece?! Tu dantes não eras assim!Depois admiram-se por não coneguirem impor ordem na sala de aula? Então, se os próprios professores se vestem igual aos alunos? Tu que tens tantas (!) e tão boas roupas... bonitas Tu dantes não eras assim!"
Adiante, setenta e muitos minutos depois, amordacei a minha mãe e fiz o percurso que me parecia o mais curto, sob um sol verdadeiramente escaldante. Resgatado o cartão, depressa me dirigi à Faculdade picar o ponto (sim, ao sábado!), até porque tinha que fazer o download de umas boas dezenas de artigos, verificar o correio electrónico e procurar na estante do Orientador a gramática que ele aconselhara.
Aos primeiro seis artigos tudo corre na normalidade, mas o tsunami eviedente na caixa de entrada do correio, reflexo da estupidez do funcionalismo público e/ou do marasmo e atavismo do sistema era já um prenúncio do que aconteceria a seguir. Não é que o computador bloqueia, inutilizando - sabe-se lá como e porquê - a flash disk, e a gramática... procurei-a incansávelmente, vezes sem conta, na estante, em todas as estantes mas a dita ganhara asas e voara janela fora. Como me apetecia. Como qualquer pessoa normal na minha situação faria. Até porque a busca exautiva tinha feito a proeza de perder o único comboio rápido do dia.
Mas não. Sorrio e calmamente arrumo tudo. Ia dar uma volta pelo centro da cidade, ver pessoas e coisas bonitas. Tranco a porta e desço as escadas - como é triste e vazia a Faculdade ao fim de semana! "Vai tudo correr bem, até porque pior é um bocadinho impossível, não achas?" - repito o mais convincentemente que consigo para o meu ego. Esta era a Esperança primeira: auto-convencimento pela repetição. Nunca faz efeito, mas tento sempre. Já por isso é que lhe chamo "Esperança". A Esperança segunda é a de que inesperadamente encontre alguma assonância e ou aliteração e a partir daí arranjasse uma música que me entretivesse o espírito. A Esperança terceira (ou surrealismo puro) é a de que algo exterior e extrínseco me arrebate e arranque de súbito destas meditações ridículas. Saio porta fora" e em vez de ir "por aí pelos caminhos" dou de caras com a ex do ex, como sempre avant-garde e resplandescente que, a ver pelo olhar assassino que me lançou ainda se recorda da minha existência com o mesmo carinho com que há tempos imemoriais se auto-intitulou minha arqui-inimiga. Um dia destes tenho que lhe perguntar porquê. (Será que, quando a vítima não toma a devida atitude hostil, o prevaricador até disso a depaupera?) Preciso mesmo de saber. Mas, pior que isso foi encontrá-la mais duas ou três vezes, depois de ter acelerado e mudado o rumo.
Voei directamente para a estação. Era o melhor a fazer antes que algum raio ocular me dilacerasse por completo e postas, bifes, bifinhos e estilhaços fossem espalhados por toda a Bracara Augusta.
Outros setenta e muitos minutos de entretenimento puro, desta feita sem as maternais reprimendas, disputavam no meu íntimo a hegemonia com o cansaço que, lânguido, começava a tomar conta de tudo em mim. Sentei-me no lugar do costume. Estava vago. Além do que se sentou ao meu lado uma senhora não faladora. Ainda bem! Não é que não goste de falar. Gosto, aliás, mau hábito adquirido nos EUA: smalltalk. Mas neste sábado não estava com disposição para isso. E ou a senhora percebeu, ou não arranjou assunto (ou coragem) para me roubar à neura em que me encontrava.
Artigos... conferência... t-shirt... ex do ex... Curso de Verão.... jeans... ex... gramática... conferência... cartão... artigos... flash disk... t-shirt... ex do ex... computador... conferência... Efectivamente, a minha voz interior se havia libertado do jugo repressivo da minha mãe. O regresso da minha voz interior não me fora proveitoso. Preferia o discurso da minha mãe, além de me chamar à razão, era mais coerente!
Resultado: olhares perdidos janela fora, mundo fora, vida fora, por entre suspiros e sonecas.
Quarenta minutos depois do início da minha viagem senta-se bem à minha frente a Joaninha e respectivo Papá (trataram-se exactamente assim). A minha homónima tem quatro anos, sorriso fuschia e o encanto maroto e a irrequietude próprios da idade. É uma criança alegre, vivaça mas sobretudo muito feliz. Desafiadora, lança-me piscadelas, sorrisos marotos e olhares por entre as mãozitas que teimam em esconder-me o seu rosto traquinas. Não lhe resisto. Respondo-lhe em conformidade. Quase nem falamos, não é preciso. Quer sentar-se, quer estar de pé. Quer o colol do pai, quer sair. "É aqui Papá?" Quer sentar outra vez. Nova maratona de charme para comigo. De quando em vez, chama a irmã Biatiz e a Mamã para lhes acenar o bracito minúsculo e brindá-las com o sorriso mais singelo e mais bonito também. Quer o colo. Quer ir de pé. "É aqui, Papá?"
- Biatiz, Biatiz, olha Biatiz! Eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA, eu vou com uma MENINA BONITA! Hi, hi, hi, eheheheheheh!
Acho que a espontaneidade, a alegria, o próprio inesperado da situação (e o volume um pouco fora do normal) acordou todos os passageiros da área circundante - afinal a modorra era geral! - mas como Mamã que se preze quer sempre mais, há que perguntar quem é a "MENINA BONITA". E eu a rezar para ser a senhora que ia comigo... Mas não. O dedo indicador da Joaninha estava o mais possível na minha direcção para indisfarçável desconsolo da senhora que ia ao meu lado. E com um sorriso forçado, quase automaticamente me disse: "Aos setenta anos, já não se ouve disto!"
"Pois não...", pensei mas não disse. Estava a tentar fazer muitas coisas aos mesmo tempo: corando evitar corar, apagar a surpresa do rosto sorrindo, e sobretudo conter uma lágrima teimosa (e quase tão marota como a divertida Joaninha), disfarçando.
O comboio parou e por isso mandou a boa educação e a Mamã que a Joaninha dissesse adeus à "MENINA BONITA". Despedimo-nos. Até sempre!

sábado, julho 15, 2006

He andado muchos caminos

He andado muchos caminos,
he abierto muchas veredas;
he navegado en cien mares,
y atracado en cien riberas.

En todas partes he visto
caravanas de tristeza,
soberbios y melancólicos
borrachos de sangre negra,
y pendantones al paño
que miran, callan, y piensan
que saben, porque no beben
el vino de las tabernas.

Mala gente que camina
y va apestando la tierra...

Y en todas partes he visto gentes
que danzan o juegan,
cuando pueden, y laboran
sus cuatro palmos de tierra.

Nunca, si llegan a un sitio,
preguntan adónde llegan.
Cuando caminan,
cabalgan a lomos de mula vieja,

y no conocen la prisa
ni aún en los días de fiesta.
Donde hay vino, beben vino;
donde no hay vino, agua fresca.

Son buenas gentes que viven,
laboran, pasan y sueñan,
y en un día como tantos,
descansan bajo la tierra.


António Machado (1875 - 1939)
in "Soledades, galerías y otros poemas"

sexta-feira, julho 14, 2006

14 juillet 1789 - LA PRISE DE LA BASTILLE



Consta que no século XVIII não foi à cabeçada, já hoje em dia...

sábado, julho 08, 2006

"Ah, como o mundo é belo e como eu sou feliz!"

Amor total ou O realismo preciso do amor sobrenatural

O amor. O amor, pleno, no sentido total do Homem. O amor gerador do humano na sua dimensão total. O amor é gerador da história da pessoa (na medida em que é "geração de um povo"). O amor, pleno, no sentido total do Homem, não o amor sentimentalismo ou reactividade. Eis o tema da peça "Anunciação a Maria de Paul Claudel" em cena no Teatro Helena Sá e Costa.

O drama desenrola-se na Idade Média tomando a forma de um "mistério em quatro actos e um prólogo": A jovem Violaine, símbolo da plenitude, seu pai, Anne Vercors, e Pedro Craon, construtor de catedrais, compõem a figura central. Num plano mais secundário, estão a mãe, Isabel, a irmã, Mara, e Tiago Huri, um vizinho, por quem Mara está apaixonada, mas que foi prometido a Violaine. A rivalidade de Mara e a correspondência perfeita ao amor por parte de Violaine compõem a trama, a que acresce a importância da partida de Anne Vercors em peregrinação à Terra Santa para só voltar no final, oito anos depois.
Por amar, "Ah, como o mundo é belo e como eu sou feliz!", Violaine é tocada pela lepra de Pedro Craon e isso será o seu sacrifício. Não obstante, o ódio de Mara cresce e assim continua até ao fim. Mas, num final surpreendente, a raiz do amor vence a mesquinhez quotidiana.

Sophia de Mello Breyner dedicou-se intensamente à tradução da obra, considerando-a uma verdadeira "poética em teatro". Vira em Claudel um poeta ancorado num realismo preciso que, por isso mesmo, chega a compreender as alturas do sobrenatural. A marca da obra de Claudel é de facto, à luz do cristianismo católico que professou, a maravilhosa descoberta do "Amor sobrenatural" que envolve a história humana e a transcende.

terça-feira, julho 04, 2006

Em 1776 com vinho Madeira celebrado...


4th July - Independence Day
Os Estados Unidos da América são uma República Federal composta por 50 Estados e um Distrito Federal. A maior parte dos Estados Unidos localiza-se na região central da América do Norte, possuindo três fronteiras terrestres, duas com o Canadá e uma com o México, sendo que o restante do país faz fronteira com o Oceano Pacífico, o Mar de Bering, o Oceano Ártico, o Golfo do México e o Oceano Atlântico. Dos 50 Estados americanos, apenas o Alasca e o Havai não são contíguos nem com os outros 48 Estados, nem entre si. Os EUA também possuem diversos territórios, distritos e outras possessões à volta do mundo, principalmente nas Caraíbas e no Oceano Pacífico. Cada Estado possui um alto nível de autonomia local, de acordo com o sistema federal.
Os EUA celebram seu dia da independência em 4 de julho, porque neste dia em 1776, as Treze Colónias britânicas da América do Norte adoptaram a Declaração da Independência, rejeitando a autoridade britânica, em favor da auto-determinação. Esta independência foi oficialmente reconhecida pelo Reino Unido através do Tratado de Paris. Os EUA adoptaram sua actual Constituição em 1789, a qual estabeceu a estrutura básica do governo americano. Desde então, a nação gradualmente desenvolveu-se, tornando-se uma superpotência após o fim da Segunda Guerra Mundial e passando a exercer grande influência aos níveis económico, político, científico, tecnológico, militar e cultural no mundo.
Para o pior e para o melhor.

segunda-feira, julho 03, 2006

Evidências por vezes difíceis de aceitar



"O céu não deixa de ser azul porque as nuvens o encobrem ou porque os cegos não o vêem..."

Fases do ensino em Portugal

1ª fase (antes de 1974):
O aluno ao matricular-se ficava automaticamente chumbado. Teria de provar o contrário ao professor.
2ª fase (até 1992):
O aluno ao matricular-se arriscava-se a passar.
3ª fase (actual):
O aluno ao matricular-se já transitou automaticamente de ano, salvo casos muito excepcionais e devidamente documentados pelo professor, que terá de incluir no processo, obrigatoriamente um "curriculum vitae" extremamente detalhado do aluno e nalguns casos da própria família.
4ª fase ( em vigor a partir de 2007):
O professor está proibido de chumbar o aluno; nesta fase quem é avaliado é o próprio professor, pelo aluno e respectiva família, correndo o risco quase certo de chumbar...

sexta-feira, junho 30, 2006

No comboio

- A menina não tirou Direito na UM, não?
- ...
- Pois, se tivesse tirado já a conhecia.
- ...
- Mas é licenciada...
- (Sorriso amarelo nº 534, levemente afirmativo - manda a boa educação).
- Então faz o quê?
- ...
- (Olhar exigentemente expectante)
- Sou professora. (Sorriso nem amarelo, nem rosa, nem azul... nem vê-lo!)
- Do 1º ciclo não, pois não?
- (Até podia ser, qual era o problema, pá???) Não, não... do 3º (cicl0), do Secundário e do Superior.
- Ah... e os alunos, que tal?
- (Ah... Bê... Cê... é 1º ciclo... ó tótó!!) Não sei, nesto momento não dou aulas: faço investigação.
- Ah sim? Interessante... onde?
- Nos E.UA.
- (Surpreso e algo desiludido) Ah...
- (Ah... outra vez??? ... O que vale é que se desiludiu: Ehehehehehe!)
- Então veio a Braga dar um passeio. É de Braga?
- Não, por acaso vim apresentar trabalhos. E não, não sou de Braga: sou da Madeira.
- Ah... da Madeira (nova desilusão: yes, yes!!!!!!!), mas hoje vai à UM...
- À UM, à Católica, enfim... onde me quiserem ouvir.
- Pois, foi um prazer conhecê-la, é tão simpática, muito... muito mesmo!
- Sorriso amarelo nº 534 reeditado. (Simpática? Depois de tanto tempo a cerrar os dentes e a dar respostas lacónicas?!)
- Não seria possível encontrá-la outra vez, não?
- Não.
- Ah...
- ...

quinta-feira, junho 29, 2006

Férias



Férias... Férias... Férias... Madeira-Funchal-Porto Santo... Férias...

Quem me dera estar de férias!
Sol, praia, verde, biquinis, gelados, areia, "cabelos molhados (bastante enrolados)", amigos, asneiras...
Calor, azul, sol, sal, cheiro a sal, cheiro a protector, bronze, bons, bronzeados, dunas, não-amigos, asneiras...
Sol, gelo, cubos redondos, bebidas geladas, palhinhas espalmadas, gelados, saladas, vermelhidão, bolhas no pescoço, escaldão, bons, bons candidatos a "amigos", asneiras, escaldões...
Bons dias-tardes-serões sem fazer nada, sentada à varanda, deitada na rede, em casa, a olhar o horizonte, o mar, as Desertas e o Porto Santo... tudo à distância de um salto ("de pulo ou de voo?") no azul...
Bons dias-tardes-serões a ler os milhentos livros meticulosamente seleccionados ano fora...
Bons dias-tardes-serões de carinhos: despertares tardios, recolhimentos mais ou menos serôdios, lençóis com cheiro a alfazema, toalhas passadas a ferro, os pratos predilectos, mimos no sofá, massagens nos pés, risos, confidências e uma profunda e serena despreocupação a tomar conta de tudo...

Quem me dera estar de férias!

Mas não estou.

Tenho (ou Há? ;) um PhD para fazer,um Orientador que não mereço de tão incansável (e consequentemente workhaolic-er), uma média de quatro teses a ler (vulgo, trabalhar) por semana, uma vida social francamente assustadora de tão agitada (com o trafégo de tanto sms, beijinho, abracinho, cafézinho, almoço e jantar por entre resmas e resmas de papel e as (malditas!) teses, pois claro!)... além de um Campeonato do Mundo de Futebol (que definitivamente não "tenho", mas "há" ;), fervilhante de emoções, a decorrer... Como se não bastasse, a isto acresce, necessariamente e a bem da verdade, a Preguiça - própria de qualquer chegada a casa que se preze, a preguiça é aquela inércia imensa, sem príncipio nem fim, que a mim presentemente me domina e afasta deste blog... (De hoje em diante não mais, prometo :)

A preguiça devia ser, primeiro, um nome do género masculino; e, depois, devia ser elucidativamente encarnada de acordo com o nosso inconsciente colectivo (no caso, o meu!), i.é., mutatis mutandis, por um alguém ao jeito da Liz Hurley, a Satan girl do Bedazzled.

Retrato



Mi infancia son recuerdos de un patio de Sevilla,
y un huerto claro donde madura el limonero;
mi juventud, veinte años en tierras de Castilla;
mi historia, algunos casos que recordar no quiero.
Ni un seductor Mañara, ni un Bradomín he sido
-ya conocéis mi torpe aliño indumentario-,
más recibí la flecha que me asignó Cupido,
y amé cuanto ellas puedan tener de hospitalario.
Hay en mis venas gotas de sangre jacobina,
pero mi verso brota de manantial sereno;
y, más que un hombre al uso que sabe su doctrina,
soy, en el buen sentido de la palabra, bueno.
Adoro la hermosura, y en la moderna estética
corté las viejas rosas del huerto de Ronsard;
mas no amo los afeites de la actual cosmética,
ni soy un ave de esas del nuevo gay-trinar.
Desdeño las romanzas de los tenores huecos
y el coro de grillos que cantan a la luna.
A distinguir me paro las voces de los ecos,
y escucho solamente entre las voces, una.
¿ Soy clásico o romántico ? No sé. Dejar quisiera
mi verso, como deja el capitán su espada:
famosa por la mano viril que la blandiera,
no por el docto oficio del forjador preciada.
Converso con el hombre que siempre va conmigo
-quien habla sólo espera hablar a Dios un día-;
mi soliloquio es plática con este buen amigo
que me enseñó el secreto de la filantropía.
Y al cabo, nada os debo; debéisme cuanto he escrito.
A mi trabajo acudo, con mi dinero pago
el traje que me cubre y la mansión que habito,
el pan que me alimenta y el lecho donde yago.
Y cuando llegue el día del último viaje,
y esté al partir la nave que nunca ha de tornar,
me encontráreis a bordo ligero de equipaje,
casi desnudo, como los hijos de la mar.

António Machado (1875 - 1939)

quarta-feira, junho 14, 2006

GRITO

De ti que inventaste
a paz
a ternura
e a paixão
o beijo
o beijo fundo intenso e louco
e deixaste lá para trás
a côncava do medo
à hora entre cão e lobo
à hora entre lobo e cão.

De ti que em cada ano
cada dia cada mês
não paraste de acender
uma e outra vez
a flor eléctrica
do mais desvairado
coração.

De ti que fugiste à estepe
e obrigaste
à ordem dos caminhos
o pastor
a cabra e o boi
e do fundo do tempo
me chamaste teu irmão.

De ti que ergueste a casa
sobre estacas
e pariste
deuses e linguagens
guerras
e paisagens sem alento.

De ti que domaste
o cavalo e os neutrões
e conquistaste
o lírico tropel
das águas e do vento.

De ti que traçaste
a régua e esquadro
uma abóboda inquieta
semeada de nuvens e tritões
santidades e tormentos.

De ti que levaste
a volupta da ambição
a trepar erecta
contra as leis do firmamento.

De ti que deixaste um dia
que o teu corpo se cansassse
desta terra de amargura e alegria
e se espalhasse aos quatro cantos
diluido lentamente
no mais plácido
silente
e negro breu.

De ti
meu irmão
ainda ouço
o grito que deixaste
encerrado
em cada pétala do céu
cada pedra
cada flor.
O grito de revolta
que largaste à solta
e que ficou para sempre
em cada grão de areia
a ressoar
como um pálido rumor.
O grito que não cansa
de implorar
por amor
e mais amor
e mais amor.

José Fanha, in "Breve tratado das coisas da arte e do amor"

segunda-feira, junho 12, 2006

Dificuldades


"Quando eu me comunico com criança é fácil porque sou muito maternal. Quando me comunico com adulto, na verdade estou me comunicando com o mais secreto de mim mesma, daí é difícil... O adulto é triste e solitário. A criança tem a fantasia muito solta."

Clarice Lispector

quinta-feira, junho 08, 2006

La noche oscura



Canciones del alma que se goza de haber llegado al alto estado de la perfección, que es la unión con Dios, por el camino de la negación espiritual.

En una noche oscura,
con ansias en amores inflamada,
(¡oh dichosa ventura!)
salí sin ser notada,
estando ya mi casa sosegada.

A oscuras y segura,
por la secreta escala disfrazada,
(¡oh dichosa ventura!)
a oscuras y en celada,
estando ya mi casa sosegada.

En la noche dichosa,
en secreto, que nadie me veía,
ni yo miraba cosa,
sin otra luz ni guía
sino la que en el corazón ardía.

Aquesta me guiaba
más cierta que la luz del mediodía,
adonde me esperaba
quien yo bien me sabía,
en parte donde nadie parecía.

¡Oh noche que me guiaste!,
¡oh noche amable más que el alborada!,
¡oh noche que juntaste
amado con amada,
amada en el amado transformada!

En mi pecho florido,
que entero para él solo se guardaba,
allí quedó dormido,
y yo le regalaba,
y el ventalle de cedros aire daba.

El aire de la almena,
cuando yo sus cabellos esparcía,
con su mano serenaen mi cuello hería,
y todos mis sentidos suspendía.

Quedéme y olvidéme,
el rostro recliné sobre el amado,
cesó todo, y dejéme,
dejando mi cuidado
entre las azucenas olvidado.

San Juan de la Cruz (1542-1591)

terça-feira, junho 06, 2006

Porque conheço alguém assim...



O poeta beija tudo, graças a Deus... E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade...

E diz assim: "É preciso saber olhar..."

E pode ser, em qualquer idade, ingénuo como as crianças, entusiasta como os adolescentes e profundo como os homens feitos...

E levanta uma pedra escura e áspera para mostrar uma flor que está por detrás...

E perde tempo (ganha tempo...) a namorar uma ovelha...

E comove-se com coisas de nada: um pássaro que canta, uma mulher bonita que passou, uma menina que lhe sorriu, um pai que olhou desvanecido para o filho pequenino, um bocadinho de sol depois de um dia chuvoso...

E acha que tudo é importante...

E pega no braço dos homens que estavam tristes e vai passear com eles para o jardim...

E reparou que os homens estavam tristes...

E escreveu uns versos que começam desta maneira: "O segredo é amar..."

Sebastião da Gama

segunda-feira, junho 05, 2006

As coisas que eu sei, sinto, mas não digo

Para a Mónica.
Grilhões e Asas. Para todos GRILHÕES. Para mim ASAS. Sempre. Apenas e tão só.
As palavras são como grilhões.
Ostracizam-nos, prendem-nos, magoam-nos, subjugam-nos e reduzem-nos a uma insignificância, para muitos, inaceitável.
As palavras são como asas.
Libertam-nos, permitem-nos pairar sobre o mundo e sonhar. E sonhando, viver em paz, viver feliz.
A maior parte das pessoas esquece esta dupla função das palavras e, centrando-se no facto de elas poderem causar dor, fogem-lhes como fugiria o diabo de uma cruz. (Fugiria?) Então, fogem à demoníaca palavra-mágoa-dor, esquecendo-se que é delas próprias que fogem, das suas falhas, das suas inseguranças, dos seus castelos de areia com telhados de vidro que mascaram com aço e o gelo do silêncio, dos sorrisos e das respostas politicamente correctas.
E quando, alguém inocente ou estúpido como eu, provoca quase inconscientemente uma situação em que têm que falar, desatam a correr, metem pela Rua do Medo, dobram a Esquina do Escuro e permanencem no breu de um tunel que elas próprias criaram, curvadas sobre si próprias, de costas voltadas e olhos fechados à luz que se agita lá ao fundo. É mais confortável, é mais seguro, pensam.
Falar é difícil. Falar não é conversar, tagarelar, coscuvilhar, responder, inquirir, indagar, replicar, nem sequer discutir. Falar é olhar nos olhos, trocar silêncios, dar as mãos... É darmo-nos a conhecer, abrirmos o nosso coração, oferecermo-nos em dádiva. Independentemente de palavras ou gestos.
Falar requer muito de nós. Há que ser audaz, sincero, seguro, autêntico... Falar não é para todos.
Não gosto muito de falar. Só o essencial e para uns quantos eleitos. Bom? Mau? Não sei. Mas nunca me furtei, em circunstância alguma, à fala. Mesmo quando sabia que ia doer-me, ou magoar o outro, mesmo quando era óbvio que não poderia depois voltar atrás, mesmo quando... Por isso, abomino quem tem esse tipo de comportamento. Especialmente quando se serve disso para, nas minhas costas (sem possibilidade de contraditório portanto), contradizer-me, desdizer do prometido, e, munindo-se de uma autoridade moral que definitivamente não tem, por em causa o meu bom nome e até (imagine-se!) me repreender. Reprovável, desonesto, vergonhoso! No mínimo.
Não entendo todo este pejo em falar. Magoa-me mais a hipocrisia inerente ao silêncio, aos sorriso e às conversas de circunstância do que a verdade, a haver uma, por muito dura que fosse, na hora.
De hoje em diante, manda a intuição e não a razão e a caridade: não mais darei oportunidades a pessoas que não valem o ar que respiram.

quarta-feira, maio 31, 2006

Só o Ter

Andrea Appiani (1754 - 1817)

Só o ter flores pela vista fora
Nas áleas largas dos jardins exatos
Basta para podermos
Achar a vida leve.

De todo o esforço seguremos quedas
As mãos, brincando, pra que nos não tome
Do pulso, e nos arraste.
E vivamos assim,

Buscando o mínimo de dor ou gozo,
Bebendo a goles os instantes frescos,
Translúcidos como água
Em taças detalhadas,

Da vida pálida levando apenas
As rosas breves, os sorrisos vagos,
E as rápidas carícias
Dos instantes volúveis.

Pouco tão pouco pesará nos braços
Com que, exilados das supernas luzes,
‘Scolherrnos do que fomos
O melhor pra lembrar

Quando, acabados pelas Parcas,
formos, vultos solenes de repente antigos,
E cada vez mais sombras,
Ao encontro fatal

Do barco escuro no soturno rio,
E os nove abraços do horror estígio,
E o regaço insaciável
Da pátria de Plutão.
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Ricardo Reis

segunda-feira, maio 22, 2006

Se houvesse degraus na terra...

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

Herberto Hélder

Cheguei

Bem.

quarta-feira, maio 17, 2006

Fui

See ya' ll soon!