quinta-feira, novembro 30, 2006

quarta-feira, novembro 29, 2006

Da utilidade da trela

O meu périplo around the neighborhood a caminho do campus é fonte das melhores coisas que me acontecem todos os dias. Até bem há pouco. Então, achava que ia sentir ainda muitas saudades das caras ensonadas e dos cães, canzarrões e cãezinhos, do costume.
Todas as manhãs o mesmo: é a minha vizinha, dona dos mil e um gatos, que saltam o muro e vêm para o meu jardim, que luta com o sono para me dizer Hi, how are tou doing?; é o jeitoso do jogging, e respectivo cão atlético, que nunca me diz Good morning!, mas ri-se e pisca o olho, divertido; é o vizinho médico, dono do Milu e do Ideafix, que me diz Good morning! enquanto tranca o portão, acena à mulher, que invariavelmente deixa a ler o jornal under the porch, e tenta calar o Ideafix – que faz em gala em esgoelar-se à minha passagem (mas somente de manhã, quando o dono está por perto) – ; é o outro vizinho médico, mais jovem, que se esforça por articular um Good morning! sorridente enquanto faz das tripas coração para segurar a trela do cão – fora de si, de contentamento, quando me vê – sem deixar fugir o carrinho das gémeas mais lindas deste país – sim, o senhor passeia, todos os dias, de manhã, around the block, o cão e duas bebés de uns seis mesitos, bibes rosa e lacinho a condizer no cabelo que ainda não têm; – é o artista antipático que tem três orcas de pelo, perdão, cadelas, do tamanho do mundo que ficam fora de si – mas não de contentamento – assim que me vêem despontar ao longe… E estes são apenas os regulares, há muitos outros que vou vendo de vez em quando, mas que, como a frequência é variável, não conheço tão bem.

Em Portugal cães são, desde miúda, um problema para mim. Reagem todos como as cadelas descomunais do artista. Com a diferença de que aí não há "artista" que os segure. Por isso, fiquei muito satisfeita quando comecei a fazer o meu percurso matinal e notei que, regra geral, todos os cães me ignoravam, excepção feita às três “baleias-panda” e ao Ideafix, com o dono por perto. Tinha finalmente deixado de ter aura de gato! Yupie!!!

Mas não. Sem se fazer anunciar, a minha “felinidade” voltou, não havendo desde a semana passada, pelo menos, cão que me suporte. Agora, até o Milu se junta ao Ideafix no coro de impropérios caninos furiosos dirigidos à minha pessoa! E depois, é como a comichão – ou o choro nos bebés –, começam todos os do block, e depois todo neighborhood, em feroz desassossego. Que bela maneira de me dar os bons-dias!
Porém, a minha primeira experiência de real terror canino por estas bandas foi com o cão de um vizinho até então desconhecido para mim, – vi Portugal tão perto! –, nessa altura atribui o ladrar furioso e a velocidade da corrida na minha direcção à comida que levava para o Departamento. O dono subscreveu a minha hipótese, tornando-a uma espécie de desculpa para a sua incapacidade em dominar o bicho. Não gostei. Are you trying to say that this is my fault? – pensei, não disse, silêncio acompanhado de sorriso esforçado, mandou a consideração pela ausência de cabelo, as rugas, o excesso de peso e o pijama branco do senhor.
A segunda, não se explica, nem comida levava, mas como foi sanada imediatamente pela voz autoritária do dono, ou dona – já nem me recordo, facilmente esqueci.
A pior foi há dias, a terceira, a responsável por ter vindo o rosário todo à memória, e por este post. Oito e meia da manhã de Domingo, o último dia da quadra de Thanksgiving. Quando uma pessoa espera, crê, que toda a gente – e respectivos cães – esteja a dormir. Quando não lembra ao mais pérfido dos seres pensantes que exista alguém – americans! – que tenha já ido ao MacDonald’s buscar o pequeno-almoço e seja dono do belzebu em forma de cão. Pior: que esse alguém até seja simpático, pareça boa pessoa e aparente um estado mental dentro dos padrões da normalidade – Como é que alguém assim coabita com o demo? Primeiro, foi o dirigir-se louco a mim, como se não houvesse dono, nem amanhã; depois, aquele som, vibrante, horroroso… só faltava que espumasse ou metesse o dente! A cada advertência do dono, o ladrar cessava – o que me permitia avançar, mas a cada passo, perdão, passinho, meu, voltava a fúria e a aproximação do cão, que franqueava, despudorado, o meu espaço pessoal – aquele perímetro de menos de um metro que os americanos simplesmente adoram! Bem, qual tom de voz, qual firmeza, qual segurança, qual autoridade, qual Buddy get here now! elevado a todos os quadrados e cubos do mundo, o homenzito tentou de tudo, mas o BigMac que o bicho queria era eu e não havia volta a dar-lhe. Entretanto, sem me preocupar muito com a situação – afinal está sempre a acontecer-me –, mas imóvel, enquanto decorria o diálogo de surdos, perdão, as conversações com sua excelência “O Cão” – Buddy, “companheiro”, só por ironia do destino! –, uma única imagem me vinha à mente: uma trela.

Tão simples. Uma t-r-e-la! Trela. Não percebo a incompatibilidade da generalidade dos americanos com a melhor invenção humana desde a roda! (Que eu saiba, apenas o pai das gémeas e o rapaz do jogging fazem uso disso.)

Pessoalmente sou contra trelas. Psicológicas. Abomino aqueles “Onde é que estás?” que saem nas conversas telefónicas curiosamente sempre antes do “Olá, tudo bem?” Eu acho que nunca importa onde se está, importa é que se esteja bem. Não? Mas precisamente para se estar bem, advogo o diametralmente oposto para os cães. Perigo público sem as ditas, trelas – qualquer paralelismo com a situação anterior é escusado, não há comparação possível! Trata-se, a meu ver, neste caso, de uma questão de segurança, national security - para por a coisa bem ao gosto dos americanos.

E não é como nos filmes, americanos – pois claro! –, em que destes recontros nascem grandes histórias de amor. Nascem antes grandes histórias de terror. Atesta-o a experiência. Claramente.

terça-feira, novembro 28, 2006

Poucas coisas são mais bonitas...






... que uma TROVOADA. Para mim.

Quem me dera ter estado há tempos na Madeira para ter o prazer de presenciar isto! (Enviado por quem me conhece bem - Obrigada!)

segunda-feira, novembro 27, 2006

Lembra-te - Mário Cesariny (1923-2006)

Arte_Lisboa: Homenagem a Cesariny

Lembra-te

que todos os momentos

que nos coroaram

todas as estradas

radiosas que abrimos

irão achando sem fim

seu ansioso lugar

seu botão de florir

o horizonte

e que dessa procura

extenuante e precisa

não teremos sinal

senão o de saber

que irá por onde fomos

um para o outro

vividos

domingo, novembro 26, 2006

Três Chrises na minha vida

O fundo do meu pc. Tirado de www.fotolog.com/vitor_baia99

Crises, felizmente, não tenho, mas no Departamento são três, os Chrises. Dois alemães e um americano. Um é Christian (pelo menos de nome), os outros não sei se também, se Christopher.

O Chris nº1 trabalha umas boas dezoito horas por dia e é conhecido cá no Departamento for the abnormal amount of food he eats – pudera, para conseguir trabalhar tanto! É o handsome – epíteto unânime das pessoas (do sexo feminino) daqui, o “loiro-ruivo” de olhos azuis a quem o mulherio enche as salas – de aula, nos semestres em que ele é Assistente – , ou de conferência, quando as dá (com a vantagem de raramente lhe colocarem questões, seja pelo raciocínio que a visão dele transtorna ou pela a baba que transborda até dos olhos da audiência!) Pessoalmente, não o acho um exemplo assim tão transcendente de beleza, mas gosto muito dele. Porque parece não ter bem a noção do quanto é desejado – Portuguese guys, learn! Ou disfarça bem. Porque é cordial com toda a gente, … e particularmente simpático comigo. Foi a pessoa que melhor me recebeu, quando cá cheguei. Falávamos imenso, o riso era fácil. Não me apercebi logo, mas apercebeu-se o mulherio de que ele só tinha olhos para mim. (Tinha?) Bem, o facto é que damo-nos optimamente e por isso trabalhamos muito bem em equipa: seja a escrever um artigo, a fazer um Powerpoint, a transferir as recém-chegadas caixas de livros para o lounge ou a mudar uma lâmpada. E isso não tem nada de mais. Para mim. Mas não para ele. Pensou demasiado. Especialmente quando a namorada, que estava em intercâmbio no Japão, regressou… o Natal passado. Às vezes pensar faz mal. De suposições e más interpretações forjam-se certezas que de certo nada têm. Começou 2006 a fugir à fala e eu entendi. Finalmente, tudo. Agora estamos melhor, ele já percebeu que se precipitou, mas o tempo que passamos sem falar deixou marcas, criou um fosso enorme entre nós. Um fosso que o meu Arroz Doce de há dias fez o milagre de tapar quase totalmente. (Os homens e o estômago!)

O Chris nº2 é outro alemão, bem filho de alemão e japonesa. É uma pessoa adorável – muito generoso e sempre disposto a ajudar em tudo – e de uma cultura francamente enciclopédica. É obcecado por jornais, passa os dias a lê-los, esquecendo-se até de dormir (e de tomar banho, às vezes!) Tem, no entanto, marcado desde o berço o choque de culturas e desde há pouco mais de um ano a morte – apenas para ele inesperada – do pai. Gosta muito de mim, percebi, porque todos os sítios onde me leva são fruto de intensa pesquisa pessoal, às vezes via net. Pela-se por tirar fotografias da minha pessoa junto de todas as tabuletas indicativas de ruas com o meu sobrenome – e são tantas cá! (O sobrenome do meu pai e a Toponímia TexMex dava um bom estudo!) Gosto imenso de falar com ele, ou melhor de o ouvir – tudo o que ele quer na vida é um público atento e interessado, não precisa de ser numeroso – porque desde as declamações de poemas em Latim às mais recentes cusquices das famílias reais europeias, da história do império Otomano ao papel de Ariel Sharon e à crise do médio oriente, dos preços do petróleo, praticados aqui e aí, à rede viária de Houston, do que acabou de dizer o actual Papa ao que fez ontem o Bill Clinton ou o Dick Cheney ou a Diana Krall, o homem está sempre em cima do acontecimento. Sabe sempre tudo de tudo. Castelhano, História da Península Ibérica e percurso político do “European Comission President Barozzo” inclusivé. Portugal fica mais perto, e a Europa ali ao lado, com ele. (Nem que seja pelo jeitinho que os meus cêntimos de euros lhe dão à colecção - na Alemanha, país rico, não há cêntimos…)

O Chris nº3 é a boa disposição em pessoa, de gargalhada grande e vigorosa, a contrastar figura baixinha e com a cara de Hobbit – o paralelismo não é da minha autoria, mas os meus abdominais agradecem o exercício e a minha esperança de vida o aumento pelo riso non-stop do outro dia – é o americano que teve a gentileza de disponibilizar no semestre passado, aquando da minha chegada, a sua secretária. Sure, feel free to use it, I spend most of the time working at home. A secretária ou o office space que partilhamos agora. Às vezes também parece muito português, bom-vivant e galã, no Verão elogia-me os tops, no Inverno as minhas camisolas que são/parecem fofinhas. O pior mesmo são os churrascos do Departamento, quando ele bebe -porventura demasiado e o alcool só o deixa ver-me a mim (isto acontece-me muitas vezes, mudam-se apenas os "bebedores"), só se dirige a mim, só eu é que existo, o que, compreensivelmente, não é do agrado da namorada, uma rapariga linda e simpatiquíssima, com quem ele já vive há mais de quatro anos! Apesar disso, o Chris é um doce! Muito especialmente porque por vezes ocupo o espaço todo, ou melhor ocupam os livros e as fotocópias e o portátil todo o espaço da mesa que é dele para todos os efeitos. E ele não diz nada e recolhe-os para o lado, esforçando-se por não alterar substancialmente a disposição, ou pelo menos a ordem da papelada. Depois chego e ele desculpa-se que não queria desarranjar, mas é que… E eu, sempre sem entender o embaraço, que me parece sincero: Hey, Chris your office, your desk. I should be apologizing for the mess, ok? Porque eu passo as manhãs e ele as tardes no gabinete, sei sempre mais ou menos quando é chegada a hora de ir ou para a Biblioteca ou para o Computer Lab, muito embora ao fim de semana tenha o gabinete por minha conta. Ele nunca aparece. Excepção feita ao dia de ontem.

Ontem. Bem no momento em que me tinha ausentado para fazer nem sei já o quê e tinha minimizado todos os documentos do o computador. Conclusão: ficou o fundo de écran à vista. O meu fundo de écran. O Vítor Baía no interior do seu CLK concentradíssimo a assinar autógrafos, que a minha irmã mais nova fez o favor de por para minha primeira surpresa em solo americano. Abro a porta do gabinete: dois computadores em cima da mesa, o meu à direita, o dele ao centro. Ooooopppppssss! Que pensará o Chris deste fundo “azul”? - pensei. E não consegui conter o riso. Malandro, assustado, expectante... Depois, arrumei o meu pc, restitui-lhe espaço e fui para a Biblioteca. Quando escureceu regressei, ele não costuma ficar no gabinete até tarde, mas antes de me dirigir para lá ainda parei no Computer lab, respondi a mails, enviei mails, passei pelo blog, pelo Hi5 e quando estava a ver as fotografias das minhas irmãs, com quem por acaso já não falo há séculos, sinto um assobio daqueles… Era ele, a espreitar bem por cima do meu ombro. Hi Chris, still here? These are my sisters! Ele: Really? What about your boyfriend, is he there too? (Não esqueceu o fundo “azul”. Esperto!) Nop, no boyfriend. (Que mania que a Verdade tem de saltar bem para a ponta da língua antes de eu ter tempo para pensar! Argh!) Ele: No boyfriend there, in Hi5 photos, or no boyfriend at all? Me: … Ele: Oh, come on, I saw the guy in your computer!… Me: (Ehehehehe, o Vitinho, era bom, era! Agora que faço? Não vou mentir, mas se digo quem é vai pensar que sou maluca, help!) Bem, a ajuda não veio e à falta de melhor, a verdade: That, that was a prank my sister did to me the day I came, it´s this soccer player very famous in Portugal, I used to worship him as a teenager. Ele: Oh ok. And the boyfriend, how is he? Are they alike? (Que insistência! Então se já disse que não…) Me: Told you. Ele: Yeah, yeah… “no boyfriend at all”. Do you think I believe that? It doesn’t make sense. Me: (Tem muitas certezas este! Not many things in life make sense! Mas ok, vamos lá sossegar o rapaz.) Ok, Chris you win. Boyfriend yes, but not alike. Ele: Do you miss him? Is he coming here for Christmas? (Oh pá! Não tens que ir para casa? Que conversa!) No, cause you see I’m going back home in January. Ele: I hope he’s aware of lucky he is. Not everybody deserves you... know what I mean? Me: Sure, Chris, (e antes que ele se saia com outra) See ya!

São estranhas as certezas. Boas. Quando têm uma sustentação firme. Saudáveis. Dão segurança, esperança no futuro. Impelem-nos a ser mais, melhor, sempre. Más. Quando se fundamentam em interpretações, em suposições. Perigosas. Agrilhoam-nos os gestos. Manietam-nos a naturalidade. Obscurecem o raciocínio. Impedem a clarividência, o progresso.

Gosto de certezas. Tenho algumas. Inocente, nunca pensei que pudesse existir algo como uma certeza errada. Há. Andam por aí na cabeça de muita gente.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Thanksgiving: é amanhã!



Recebi há pouco no mail uma mensagem do Birthday Alarm a lembrar que quinta-feira é dia de Acção de Graças e que portanto convinha mandar uns cards to family and friends. O Birthday Alarm não sabe que abomino e-cards e só faço uso deles quando as palavras ditas via telefone ou telemóvel e as escritas via Messenger ou e-mail não me são, pelas mais variadas razões, possíveis – o que raramente acontece.

Para os americanos o Thanksgiving é tão importante como para nós o Natal. Da celebração do primeiro ano de prosperidade dos puritanos colonos britânicos, rapidamente passou à celebração da prosperidade e união da família – conceito muito caro à american way of life. É como se se tratasse de uma espécie de ante-câmara do Natal. (Embora por vezes sinta que para alguns este dia é ainda mais importante que o da Natividade.) Suponho que estejam agradecidos pela opulência e pela prosperidade que tão bem caracterizam este país. Note-se porém que a porque a fartura que os puritanos conseguiram deveu-se única e exclusivamente à ajuda dos índios, até então arqui-inimigos, os quais, profundos conhecedores das especificidades do deserto americano, generosamente, transmitiram aos brancos preciosos ensinamentos relativamente ao respeito pela Natureza e sua eficaz manipulação, exploração e uso, nomeadamente no que diz respeito às colheitas a cultivar: milho, batata, abóbora, frutos silvestres... O que por si só dá uma grande lição de valorização das minorias étnicas e da diferença que aparentemente foi obscurecida pelo capitlismo e se perdeu nos caminhos do tempo.

O ano passado vivi o Thanksgiving de forma atribulada: tinha chegado há precisamente sete dias, a minha anfitriã foi tudo menos hospitaleira, não conhecia bem as pessoas do departamento – embora fossem todas muito simpáticas, diria mesmo acolhedoras (felizmente, para compensar o pesado ambiente em que vivia). O chefe do Departamento, um ilustríssimo linguista japonês, convidou-nos a todos a passarmos com ele o dia – desde que trouxéssemos, cada um de nós, algo para a refeição partilhada. Estava sozinho, a mulher encontrava-se em Paris numa conferência, e Thanksgiving que se preze não pode ser passado na solidão. Especialmente quando se sabe que sozinhos estariam também as duas dezenas de gradstudents do Departamento. Foi bom. Gostei. Passei a conhecer melhor muita gente, ri-me bastante, conversei muito, e isso – e a ausência da minha anfitriã, que optou por ir a outra festa – fez-me feliz. Mas também fico feliz com pouco, devo dizê-lo, já que toda a gente que me conhece o sabe e mo diz. A felicidade é uma coisa simples. Continuo a afirmar, porque continuo a achar. Para choque sempiterno dos meus amigos.

Este ano não vamos a casa do Professor. Deve ter cá a mulher. Havia inicialmente um projecto para se fazer algo idêntico, a reunião de todos os grads do Departamento, na casa de alguém. Mas até agora nada de concreto chegou a minha caixa de correio electrónico. Este ano também a minha senhoria – colombiana de nascença, mas americana (dos quatro costados!) pelo casamento – convidou-me para o seu Thanksgiving. Agradeci. Significou muito para mim. Não era preciso. Expliquei-lhe a tradição departamental. Percebeu, mas não aceitou isso como um não. Fica à minha espera na mesma. No matter at what time you get here! Este ano ainda, a minha anfitriã de outrora convidou-me a ir com ela à festa que optou por ir o ano passado. Porque muita água passou por debaixo das pontes e eu fechei os olhos a muita coisa. Porque engoli outras tantas coisas e fingi que não percebia, que não entendia sequer e que não ouvia, e durante todo o tempo não fugi à fala, conversei normalmente e sorri. Sempre. Sorri muito, muitas vezes a muito custo, sem querer, muitas vezes só para chamar a mim a alegria que fugia de cada vez que lhe ouvia as indirectas, as piadinhas de mau gosto e os risinhos.

“Vou contigo, claro, deve ser giro passar o Thanksgiving com uma família americana, se não formos a casa do Professor S. e se entretanto a L. não fizer uma coisa idêntica em casa dela.” Não a coloquei em terceiro lugar por qualquer tipo de vingançazinha pessoal ou despeito. Não sou disso. Disse-lhe com sinceridade, olhos nos olhos, qual o programa que mais me agradaria. Porque gostaria de estar com as pessoas do meu Departamento, livre de prazos de entrega, leituras obrigatórias, trabalhos, papers e abstracts... Ela aceitou como se de um sim se tratasse – novamente! What’s wrong with these people? –, ficou feliz e ainda bem. Torço para que a L. acolha o Thanksgiving departamental na sua casa. Mas como me conheço, e sei bem as voltas que a minha vida dá sempre, tenho a certeza de que vou ao Thanksgiving americano com a minha ex-anfitriã.

E vou gostar, vai ser diferente, uma experiência completamente nova, e vou fazer o que mais gosto na vida, observar e tentar perceber o porquê das coisas. E vou ser feliz! Assim. Exactamente assim.

Cá entre nós, o meu Dia-de-Acção de Graças, é todos os dias. De manhã. Vivo-o sempre à frente do espelho (sim, quando estou muuuuiiiiiiittttoooo ensonada!). E agradeço tudo o que sou e tudo o que tenho. Não é que seja ou tenha muito – até porque não me importava de ser como a Katie Holmes (mas com um outro “Tom Cruise”) ou ganhar como os patrões do BCP – é tão somente porque gosto do que tenho. Não que isso me baste – claro que quero ser mais e melhor – mas satisfaz-me e satisfazendo-me dá-me serenidade, esperança e confiança para encarar todos os dias ou como uma continuação, ou como um recomeço. Tudo é mais fácil assim.

Hoje entramos em Thanksgiving Recess, quatro diazinhos de interrupção que vêm mesmo a calhar para recarregar baterias. O campus está vazio, completamente abandonado e entregue a um silêncio sepulcral. Chegou finalmente o frio, as músicas e a iluminação natalícia a estas paragens. Acabo de comer a minha última porção de Arroz Doce e noto que as minhas mãos ainda cheiram às tangerinas do pequeno-almoço. Fecho os olhos. Estou na minha casa, no Natal, com as pessoas que me enchem o coração, no Natal da minha casa lá longe, no Natal que não terei este ano pela terceira vez consecutiva. Lembrei-me de vocês. De todos os que comentam. Dos regulares. Dos esporádicos. Dos do início. Dos de sempre. Dos que só agora param por aqui. Dos que lêem e não comentam. Dos que comentam quase sem ler. De todos. Porque raramente deixam este espaço em silêncio. Porque muitas vezes, mais do que alguma vez pensei, são vocês as pessoas que me enchem o coração. E isso é bom: faz-me bem. Estou-vos agradecida. Dou-vos graças. Por isso. Por tudo.

Amanhã, antes do peru que não comerei (a não ser que seja de tofu), pensarei em vocês. Todos.

terça-feira, novembro 21, 2006

Náusea


Festa da Música suspensa
em 2007 por falta de verbas
O Centro Cultural de Belém decidiu suspender a Festa da Música em 2007 por falta de verbas, substituindo- a por outra iniciativa menos dispendiosa, indicou ontem o director do CCB, António Mega Ferreira, à TSF.
«Tomámos a decisão de suspender a edição de 2007 da Festa da Música, embora seja substituída por outro evento musical, entre 20 e 22 de Abril, que será proposto pelo CCB e com um orçamento muitíssimo inferior», declarou o responsável à rádio.
Mega Ferreira explicou que a decisão da administração do CCB foi motivada pela falta de dinheiro para uma iniciativa daquela envergadura, acrescentando que o cenário para a continuação da mesma nos próximos anos «não é dos mais favoráveis».
Sobre o evento que substituirá em 2007 a Festa da Música, Mega Ferreira disse que se chamará "Dias da Música" e será dedicado ao piano, não devendo o seu orçamento ultrapassar um terço do da anterior iniciativa.
in jm.online

segunda-feira, novembro 20, 2006

Amar é...

... descobrirmos a nossa riqueza fora de nós.
Alain
Tinha que postar. Não resisti.
Diz-me tanto, tanto, tanto... que dava outro ensaio - que uma vez mais não escreverei.

domingo, novembro 19, 2006

Do Céu?

Manel (Lisbon), Suzana (Brazil), Me (Madeira?, Braga?, Porto?), Linda (Alaska)
Can you see my 'Arroz Doce'? Damn cups!

Talvez.

Cheguei a Houston há pouco mais de um ano. E nunca como nesta última semana andei tão ocupada.

Aparentemente, os referees das conferências em que quero pasticipar (de Maio a Setembro!) congeminaram todos e em concílio acharam por bem estabelecer que o prazo para o envio de abstracts para as ditas – à excepção de uma – fosse esta semana.

Se juntarmos a isso as aulas, os trabalhos para cada aula, as leituras, a família, os amigos e o aviso – à ultima da hora (tão português!) – de que convinha fazer “uns bolos” porque o senhor Manel não sabe cozinhar e a IEW (International Education Week) esta aí e na sexta é dia de Portugal, que, já se está a ver, se não tiver “bolos ou outra coisa assim” a representá-lo, será engolido pelo Brasil via uma avalanche de brigadeiros e um maremoto de guaraná. “E depois tu sabes cozinhar, tens cara disso, anda lá, um intervalo culinário é mesmo o que tu precisas, esses abstracts andam-te a fazer mal, não estás com boa cara.” (“Boa cara.” Como se fosse questão disso, como se isso fosse importante para o caso. Eis o poder da argumentação masculina ou de como o Y sabe bem o que põe o X a mexer!…)

Somos dois os portugueses da Rice: o Manel e eu. O Manel é adorável, mas do alto dos seus vinte e três aninhos, cheiinhos de mimo até aos bordos, não cozinha. Não sabe cozinhar. O geniozinho que o IST mandou para cá não sabe cozinhar! Mas comer sabe (e bem!), além do que se pela por bolos. E pela minha t-shirt de apoio a Selecção no Mundial. (a qual, devo dizê-lo, só no final do dia, a muito custo, e com grande temor (!?) finalmente pediu. “É que (…) eu passei cá o Mundial… no laboratorio… a trabalhar… E cá não há disso (...) não conhecia (…) Mas é para eu ficar, não é emprestada, entendes?!” “Entendo, Manel. Fica.”

Claro que não fiz nenhum intervalo culinário. O meu país merece mais do que um intervalo! Claro que não fiz nenhum bolo – nem quisesse, não podia: não tenho forno. “Manel, arranja outra para te cozinhar bolos!”, pensei. Mas não disse. Claro.

Tinha que fazer algo tradicional que fosse simples, minimamente rápido, que não implicasse forno e cujos ingredientes fossem de acesso fácil por estes lados.

Arroz doce. Nem sei como, mas foi o que me ocorreu logo. Respeitava todos os meu critérios. Canela é o que mais há por aqui. E nada sabe nem cheira mais a Portugal, a Natal e a casa do que um bom Arroz Doce.

Dediquei o meu final de tarde de quinta feira inteiramente à causa da representação de Portugal na IEW. Para isso, socorri-me da Lígia. (http://asreceitasdaligia.blogspot.com/). A blogosfera tem destas coisas. Boas. À distância de um clique. Apenas.

Não segui a receita religiosamente, nunca consigo: enriqueci-a com peras cozidas, à semelhança do que me foi dado a saborear da primeira vez, há muito, muito tempo atrás.

Fiz muito. Defeito familiar: na minha casa cozinhava-se sempre muito. Éramos muitos também. Coisas de família numerosa. Mas aqui também somos, pensei. Muitos sempre, família às vezes. Há a da minha casa, os meus três room-mates – um boliviano, um americano, uma chinesa – e a minha land landy; a do Departamento e a do English Corner… sem esquecer nunca o objectivo principal: a IEW.

Assim sendo, comecei às oito e só terminei, loiça lavada, seca e arrumada, depois das onze. Entretanto, o cheiro da baunilha, dos ovos e da canela, que impregnava toda a cozinha, invadia, sorrateiro, pelo buraquinho das fechaduras, os quartos. Isto a ver pela agitação e constantes visitas do Alejandro à cozinha. Perguntou-me. Finalmente. Expliquei. Disse-lhe também que tínhamos Arroz Doce para uns dias e que, como já estavam a dormir, escreveria um bilhetinho a dar conta disso mesmo aos outros dois – agradeceu-me a generosidade – (generosidade???) – com os olhos marejados de lágrimas. Depois, o doce do Arroz cumpriu a sua função e soprou os projectos de lágrima para longe. “Na Bolívia também tem disso, a gente chama “Arroz de Leite”, é uma sobremesa muito popular, quase diária, mas o seu…, Joana, que delícia!” O Alejandro é da Bolívia e portanto conhece bem o Brasil – resultado: falamo-nos sempre em Português.

Correcção: temos Arroz Doce para dias se ele entretanto não transformar esses dias em horas…

Adiante, no Departamento desapareceu em minutos – para tristeza dos alemães, dos coreanos e até dos americanos, que se desdobraram em sorrisos – os tímidos orientais, who else? – e agradecimentos (agradecimentos???) – os americanos e os alemães despachados, claro!

Na IEW, meu objectivo primeiro, evaporou-se, a uma velocidade verdadeiramente vertiginosa, inversamente proporcional ao tempo que permaneceu quase o único tópico de discussão – com direito a divulgação da receita world widely!

A comida aproxima as pessoas. Realmente. Porque, na realidade, muitas vezes as consola, e consolando-as leva-as para muito longe, para lugares e tempos bons. Ao Alejandro levou para casa, à Suzana, the Portuguese Lecturer, ao Brasil da sua infância, ao Manel aos seus Natais em Lisboa.

O meu Arroz. Gente tão diversa a tantos sítios. E eu que apenas queria levá-los a saborear Portugal no Natal!...

sábado, novembro 18, 2006

Uma flor de verde pinho



Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.


Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.


Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.


Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.


[Letra: Manuel Alegre, Música: José Niza]

sexta-feira, novembro 17, 2006

quinta-feira, novembro 16, 2006

quarta-feira, novembro 15, 2006

La Finta Giardiniera


Devia ser feriado à quarta.
À quarta, o dia é maior – das oito às oito existem pelo menos duzentas e quarenta horas –; à quarta, o trabalho não rende – o inglês dos artigos transforma-se inexplicavelmente numa mistura macarrónica de chinês com linguagem de programação informática e assim não se avança –; à quarta, as pessoas estão aborrecidas, não se lhes pode perguntar nada, porque não sabem, não conhecem, vão ver, já dizem.
Ou se calhar, não. Se calhar o tempo só se prolonga indefinidamente dentro da minha cabeça, bem ao lado gavetinha donde saltaram o chinês e a linguagem da programação. Se calhar eu é que estou aborrecida às quartas e não sei, nem conheço e dizer não digo porque – é quarta ! –, não me apetece. Não gosto das quartas-feiras! A quarta é o pico da semana, aquele momento odioso em que a curva não é ascendente, nem - infelizmente - descendente.
Mas a última - há precisamente oito dias! - não podia ter acabado melhor – rápido, como nenhuma até presente... A velocidade de cruzeiro. Parecia sexta!
Na passada quarta-feira fui assistir a apresentação de La Finta Giardiniera de Mozart pelos alunos de Ópera e de Música de Câmara da Shepherd School of Music.
Composta por Mozart aos dezoito anos, esta ópera é especial porque tem tanto de seria como de buffa, ou seja, combina, com admirável destreza, o contraste entre elementos trágicos e elementos cómicos.
Mas a marca indelével do génio não se fica por aqui, antes se revela a cada momento: na complexidade e na criatividade dos finais dos dois primeiros actos, na beleza de cada ária e até na orquestração, que empresta cor - todas as cores do mundo - ao desenho da paisagem interior do(s) cantor(es).
Gosto de óperas. Sou de lágrima fácil. Choro, desalmadamente, baba e ranho, mesmo naqueles momentos em que ninguém canta e só a música nos vem dizer coisas ao ouvido. E tenho um sentido de humor por acaso difícil, nem tudo me agrada: não gosto de “baixo humor”, nem de demasiado inteligente, humor negro só algum… Enfim, não chorei desta vez, fartei-me de rir, e maravilhei-me. Ante a atemporalidade de carácteres, de posturas, de relacionamentos; ante o constante desfasamento entre o passado e o presente, o certo e o errado, o saber e o não saber, o querer e não querer, o sentir e o dizer…
A história é simples, até lembra, mutatis mutandis, o "Quadrilha" do Carlos Drummond de Andrade: Nardo amava Serpetta que amava Don Anchise que amava Violante que amava Belfiore que, amando Violante, estava noivo de Arminda que amara Raimundo que ainda a ama.
Enfim, um libretto fantástico apresentado através de todo um outro espectáculo: a música de Mozart quando jovem. Absolutamente fabuloso!
Hoje é quarta. Novamente. E de novo o tempo pára. Inexplicavelmente.
Esta noite dormi pouco e mal: tinha deixado demasiado trabalho por fazer. Já fiz. Já foi tudo entregue. Recebi em troca uma dor de cabeça monumental, com direito a sensação de olho pisado, a dobrar - obviamente, but you know what? I totally LOVE what I do!

terça-feira, novembro 14, 2006

This morning's pajamas...

... in my Semantics class.

Same guy, different pajama. This time: red hot chilly pj's... And they say Linguistics isn't fun!

segunda-feira, novembro 13, 2006

Of all time...


Nesta fotografia tenho doze anos e o mundo parece que acaba amanhã, ou hoje, ou todos os dias um pouco.
Na minha cama estão espalhadas revistas, revistinhas, revistecas e jornais.
As revistas só dizem bem, os jornais só dizem mal. Bem, há um jornal que diz sempre bem, assim como há outro que diz sempre mal e ainda outro que não se decide no que dizer. Mais que a imagem que fazem passar, valem as imagens, as fotografias - que a imagem já possuo há muito.
Tenho um problema. Gravissímo. Um drama existencial. Complexo, profundo, sem solução à vista: Como é que as pessoas nao vêem o que eu vejo? Mamã? Papá?
Será que ninguém entende que o Vitor Baía e a coisa mais perfeita, fantástica e maravilhosa à face da terra, o melhor jogador, o melhor capitão, o melhor colega, o melhor desportista, o melhor atleta, a melhor pessoa, o melhor pai, o melhor marido, o melhor filho, o melhor irmão, o melhor cunhado, o melhor homem, o melhor e mais perfeito ser humano... a face da terra? É só olhar para ele, não se nota logo? Mamã? Papá?
A Mamã acha que não. O Papá abstém-se. Para meu total desconsolo. E o drama continua. Porque é que dizem tanto mal dele? Não consigo perceber. Será que eu não vejo bem? Será que o problema é meu?
Estive afastda do blog por motivos profissionais. Entopem-me a Caixa de Entrada do e-mail com mensagens acerca de uma turbulência no meu país. Golpe de Estado? (Haja esperança!...) Leio novamente: turbulência desportiva. E isto basta, é suficientemente claro, para motivar o reflexo, reluctante e experiente do "Vamos lá ver o que é que os jornais disseram que o Baía disse, desta vez.." (Porque é que me mandam isto? Porque é que não me consigo livrar do rótulo, perdão da fama?...)
Há pessoas que, quando falam, entra mosca ou sai asneira - costuma dizer-se.
Este - que pode não ser perfeito, mas lá que tenta, tenta - quando fala, cai-lhe o povo em cima. Nunca percebi bem porquê.
Mas esforço-me. Desta vez foi... surpresa das surpresas: pelas razões do costume.!
Porque é um inapto-arrogante-aproveitador.
Inapto: está no banco.
Arrogante: acha-se complemento do treinador.
Aproveitador: até no banco consegue protagonismo e com isso prepara a reforma.
E depois é ver os meninos, que nem na primária andariam aquando do meu drama existencial, actualmente estrelas azuis e brancas to be, a protegê-lo.
Porque ele é útil, porque ele é experiente, porque ele é bom. Blah, blah, blah... Como se ele precisasse disso! Não precisa, meus caros, já são muitos anos do mesmo...
Corro o risco de com este post fazer o mesmo. Sei. Mas com isto lembrei-me de um post antigo de um senhor que admiro imenso http://www.vitor-vitoria.blogspot.com/ :
Segunda-feira, Setembro 22, 2003

Diz o João Querido Manha, jornalista desportivo, sobre Vitor Baí­a:

No Mundial de 2002 ocupou um lugar que não lhe pertencia;
80 Internacionalizações
Não suporta e não está habituado ficar na sombra de alguém;
89/90 Campeão Nacional
Baía foi crescendo profissionalmente em função das conveniências pessoais e dos interesses momentâneos do clube;
90/91 Vencedor da Supertaça de Portugal; Vencedor da Taça de Portugal
Tornou-se uma "primadona";
91/92 Campeão Nacional; Vencedor da Supertaça de Portugal
Sempre causou dificuldades, quer no Porto quer em Barcelona, aos treinadores que tentaram sentá-lo num banco de suplentes;
92/93 Campeão Nacional
Tem ares de superioridade;
93/94 Vencedor da Supertaça de Portugal; Vencedor da Taça de Portugal
Portugal possui outro guarda-redes de categoria internacional, com uma personalidade muito mais popular e agradável, como é o caso de Ricardo, que não dá os ares de superioridade do rival das Antas;
94/95 Campeão Nacional; Vencedor da Supertaça de Portugal

Diz o Jorge Baptista, comentador desportivo, sobre Vitor Baía:

Baía é um produto de marketing, um fenómeno mediático;
95/96 Campeão Nacional
Vitor Baí­a não é convocado porque não tem categoria;
96/97 Vencedor da Taça de Espanha; Vencedor da Taça das Taças; Vencedor da Supertaça de Espanha
Não oferece garantias para ir à Selecção;
97/98 Campeão Espanhol
O futuro da Baliza não pode ficar entregue a um guarda-redes de 33 anos;
98/99 Campeão Nacional; Vencedor da Supertaça de Portugal
Existem outros valores melhores e mais jovens;
99/00 Vencedor da Supertaça de Portugal; Vencedor da Taça de Portugal
Confundem os sucessos do FC Porto com a capacidade individual de um guarda-redes que raramente vê a bola chegar com perigo à sua baliza (e quando chega...);
02/03 Campeão Nacional; Vencedor da Taça de Portugal; Vencedor da Taça Uefa; Vencedor da Supertaça de Portugal.

Entretanto, leio no site da UEFA:

"Vitor Baí­a is considered his country's best goalkeeper of all time."

Eu traduzo: "Vitor Baía é considerado o melhor guarda-redes português de todos os tempos."

O meu drama existencial já se resolveu há não sei quanto tempo, pese a fama muito embora, mas tenho pena que treze anos não tenham chegado para o mesmo acontecer mutatis mutandis com os media em Portugal.
E, por favor, não me perguntem: "Você é fã?"

sábado, novembro 11, 2006

terça-feira, novembro 07, 2006

As Nozes e os Pecans




Vai uma pessoa na sua paz de espirito comprar o almoço porque se esqueceu de o trazer e já se sabe que não vale a pena chatearmo-nos porque estas coisas acontecem. Assim sendo, desce a pessoa as escadas, a correr – aproveitando as sapatilhas – atravessa, quase a correr – a culpa é das sapatilhas, pois claro, o pequeno trail que separa o department do Student Center, compra o veggie plate do costume em piloto automático e vai para a fila pagar.

Porque entretanto foi buscar uma garrafa de água perde o lugar que, por acaso ou talvez não, lhe é logo cedido, pronta e gentilmente, por um senhor afro-american mais interessado em saber se a camisola que enverga é ou nao da Rice, do que na fila, no lugar e até no almoco. Claro que a pessoa sou eu, porque estas coisas só a mim. Well, is it? Eu: Of course, it is. See? – apontando para as letras rosa RICE UNIVERSITY, HOUSTON, TEXAS. Oh, ok, very nice, blue and pink , you see I didn’t know that one, did you buy it here? Eu: Yep, Campus Store, and I’m sure they still have some left. – disse, já a brincar um pouco com o interesse do senhor. Well, it certainly matches your pants! – disse ele, ignorando a minha provocaçãozinha. Então, não resisti: Ha, ha, not only my pants – e aqui até o senhor da caixa entrou na conversa: Hey, I too want to see that!... My pants and my tennis shoes. See? As minhas calças de ganga rosa são exactamente do mesmo rosa que as letras da camisola e o azul marinho desta é o mesmo das minhas sapatilhas. E despedi-me e deixei os dois homenzitos a murmurarem qualquer coisa acerca das mulheres e da roupa e fui-me embora porque tinha muita fome e muita pressa.


E depois, no meu tempinho só para mim e para os meus botões e já no cantinho predilecto para almoço, a varanda do departamento, estive a pensar no quanto os americanos reparam numa pessoa minuciosamente, mas so por questão de estética, sem fazerem julgamentos ou a meterem em taxonomias – são do estilo de notar quando se cortou as pontas do cabelo ou se fez madeixas, mas não tratam ninguém melhor ou pior por isso – depois, terminado o lunch break, quando me dirigia para o gabinete, detiveram-me o passo em grande alarido porque Suzanne brought us pecans and left them in the kitchen. Come on, Jo! I’m sure, you’ll like them. There very expensive, you know? And pecan pie, my God, it’s heaven!... Ok, ok, vamos lá ver o que é isso dos pecans


Nozes. Pecans são nozes. Têm uma casca diferente, mas igualmente difícil de abrir sem o descascador, além do que a forma do fruto e até a casca interior são parecidas, e o sabor, verdade seja dita, igual. Todavia, não têm óleo, o que é óptimo. Muito bom, muito bom mesmo. Não me contive e fui verificar as minhas suposições na Wikipedia. Confere. Nozes. Uma espécie de noz – a noz pecã – típica dos EUA. Enfim, nozes. E lembrei-me de casa, do Outono, do Pão-por-Deus e deste último São João na Ribeira do Porto.


Em Junho último, saí na noite de São João pela primeira vez desde que vivo no Porto. Já tinha ido ao São João quando vivia em Braga, mas os encontrões e os alhos porros (e respectivos espirros) não me traziam boas recordações, além do que essa é altura de exames e portanto andava sempre cansada, certamente mais do que os meus alunos. Mas tinha acabado de regressar dos EUA, sem exames, nem alunos, nem cansaço que me tirasse a vontade de: assistir ao Concerto da Casa da Música, ver o fogo de Gaia e ir da Ribeira à Foz... na melhor companhia do mundo! E fui, fomos, e houve encontrões e alho porro, claro, mas não fazia mal, não levavamos a mal, ninguém levava a mal, e portanto quem sou eu (!), e também houve marteladas, a rodos como é da praxe, e correrias e brincadeiras e sustos e foi divertido. Foi. Muito. Mesmo. Mas só até ao momento em que o insólito aconteceu. Imensa gente, imensos grupos, mais ou menos extensos, fazem o mesmo percurso, da Ribeira à Foz, e o inverso também. Pessoas de todas as raças, cores e feitios. De todos os credos, filosofias e religiões. De todas as camadas sociais. O bom do São João é isso mesmo! A mistura. A mistura que só a alegria, o cheiro a manjerico e o orvalho daquela noite proporcionam. Mas nem toda a gente pensa assim, infelizmente.


À nossa frente ia um casal. Já nos tinham martelado a todos, a minha irmã mais nova já lhes tinha retribuído em conformidade, eles riram-se, nós também, eles prosseguiram, nós também, por acaso atrás deles. Eram pessoas simples. Muito novos, provavelmente da nossa idade, trabalhariam os dois há uns bons anos, em alguma fábrica, talvez… Recordo-me bem que não pertenciam a nenhum dos grupinhos à nossa volta, estavam sozinhos, e muito apaixonados. No sentido oposto, o oposto: um grupinho de pipis – pipis são aquelas pessoas que vão para o São João vestidas de gala, ok de preto, de sapatinho engraxadinho, de sandalias com brilhantes e altos tacões e vestidinho e orquídea no cabelo - ela, copo de tinto da mão; fatinho completo – completamente preto – ele e os amiguinhos dele, bebidas na mão - martelos, nem obrigados! Avistámo-los ao fundo. Não passavam obviamente despercebidos. Mas tudo bem. Vimos tanta gente. Eram só mais uns a compor a noite… Depois aconteceu. Casualmente. A rapariga da orquídea tropeçou bem na frente do casal e entornou o tinto no casaco da rapariga simples, no casaco, por acaso grosso de mais para aquela noite de verão e algo tosco, mas que se calhar levou séculos a comprar, com mais dedicação, trabalho e sacrifício que todos os vestidos pretos e orquídeas do mundo, o casaco que porventura a dona teria guardado para aquela ocasiao, para a noite mais especial do ano, ou não, não sei... e a rapariga da orquídea ia pedir desculpa “Ai, desc…” e depois travou a língua, abrandou na palavra e mais não disse: parou... porque a rapariga que estava à espera das desculpas era simples e portanto não merecia a educação da menina pipi. Mas a rapariga simples esperou. Esperámos nós também, atrás. “Então...?” – pedia ela, de forma simples, a sua desculpa. Devida. “Então?! Olha vê lá?!” – respondeu a pipi, displicente, como se o deslize, a soberba, a mancha e a rapariga simples fossem nada. E prosseguiu em frente. Com o rosto, fechado e altivo, típico das pipis que refreiam desculpas. “Viste-me isto?” - Voltou-se a simples para o namorado. “Oh, não ligues!” – dizia-lhe o namorado, abraçando-a. “Mas ela..., tu viste?” Viu, vimos nós também. E tentámos fazer a mesma careta que o namorado lhe tinha feito quando lhe pedia para esquecer, assim que ela, ainda abismada, se voltou para nós. Tentámos. Mas não fomos muito bem sucedidos, creio. Porque ela ignorou-nos, não fez sequer um esforço para sorrir. Olhou para nós e depois para além de nós - não sei se para a noite, se para o grupo de pipis que se perdia nela ao longe, olhou inexpressiva, e depois voltou-se para a frente e aninhou-se, forçosamente pequenina e triste, debaixo do braço do namorado. Porque tínhamos visto. Ela sabia-o. Tínhamos visto. Tudo. Aquela “ela” que não era digna daquela noite, daquela orquídea, nem sequer do casaco tosco que manchou... A rapariga simples encontrou possivelmente conforto no calor do abraço do namorado. Eu não. Na realidade, este episódio retirou-me a alegria e a vontade de estar ali, estragou-me por completo a noite, cansei-me do convívio, aborreci-me a mim e aos meus amigos... Esgotou-me. E por muito tempo.


Depois foi-se. Nunca mais me lembrei disso. Até hoje, por causa da atenção masculina americana aos pormenores da indumentária feminina e das nozes pecãs: aqui – numa terrinha em que reparam em todo e qualquer pormenor – nunca ninguém se recusa a atender com simpatia quem quer que seja, preto, amarelo ou vermelho, nu, vestido em farrapos ou em ouro, nem nas lojas mais chiques, tipo Neiman Marcus, Saks Fifth Avenue, Nordstrom, Macy’s, Tifanny & Co e afins - e sim, já estive em todas. (Mas também não há cá pipis: anda tudo de fato de treino – ou pijama – e havaianas. O mais parecido a pipi aqui devo ser eu (lagarto, lagarto, lagarto!) por alternar os dias de calças de ganga e sapatilhas com dias de saias e sabrinas).


Na interacção ninguém olha a aspectos. Aqui. (Naquela noite nao houve um pipi que pedisse desculpa e todos presenciaram o incidente... e isso preocupa-me, ainda agora, e faz-me pensar nas voltas que a vida tantas vezes dá e no quanto o reverso, se acaso fosse possível, poderia ser educativo para a menina pipi... e companhia.) Aqui, nunca ninguém julga com o olhar, nem se furta a uma desculpa. E eu sinto-me muito bem com isso. Gosto. Lembra-me do meu clã, da minha casa, dos meus amigos - as pessoas com quem nos damos, convivemos e crescemos, dizem muito acerca de nós. E ainda bem. Sou assim, também, e por isso talvez este episódio teve em mim tanto impacto. Magoou-me, e não fui eu a vítima. Continua a magoar-me ainda. Pelo absurdo.

Porque, por muito que a casca seja diferente, por dentro é tudo noz.

Exactamente como as Nozes e os Pecans.

Convite


Exmos. Srs.,

Alexandra Malheiro e o Clube Literário do Porto têm o prazer de convidar V. Excias. para: “Os poemas ainda quentes…”

“Os poemas ainda quentes…” é a proposta do Clube Literário do Porto, para aquecer a noite de 9 de Novembro, pelas 22 horas, na Rua Nova da Alfândega, nº 22.
Alexandra Malheiro , Gustavo Nascimento e João Gesta são os poetas convidados que irão ler e conversar ao redor de alguns dos seus poemas.
A direcção da conversa estará entregue ao jornalista Carlos Magno.

Recebido por e-mail.

* Serve o presente para dar a conhecer o evento, não sendo portanto necessário para quem queira assistir e/ou participar.


Clube Literário do Porto
Rua Nova da Alfândega, n.º 22
4050-430 Porto
T. 222 089 228
Fax. 222 089 230
Email: clubeliterario@fla.pt
URL: www.clubeliterariodoporto.org

It's today!

Texas 2006 Elections
For Governor, For the Senate, For Congress

Lá em baixo no Student Center temos uma polling location, em funcionamento today from 7 a.m to 7 p.m para students, faculty and staff.

Finalmente, acabou!!!

Um Verão cheio de propaganda ridícula, non-stop, em todos os canais, a toda a hora, sem pausa para reflexão (ou descanso, mais que merecido!) a candidatos ainda mais ridículos, hilariantes...

So long, fair well!

Adeusinho...

... à avózinha-furacão, que quer porque quer abanar o Texas, sim shake, como se fosse batido, porque se casou agora - aos 65 -com o prom-date;

... à nipo-americana, professora primária, que descobriu agora a vocação política e cujo objectivo de vida é armar, sim, literalmente armar, os texans contra os terroristas (?) mexicanos que atravessam o muro que ainda não há - mais vai haver, as you know;

... à senhora canadiana, pseudo cow-girl portanto, comparsa e muleta do senhor presidente;

... à continuidade de um senhor que aumentou, pela primeira vez em quase duas décadas, os professores, e que só pensa nisso, só sabe falar disso e acha que só isso é o suficiente para se manter ad eternum no poder;

... ao senhor cowboy-estereotipado, caricatura pirosa, ambulante e propositadamente chocante, creio;

... a todos os outros que não optaram pela publicidade agressiva e que portanto não tive o prazer de conhecer ...

Não e só em Portugal que a alternativa não existe.

Aparentemente, a nível nacional, os Democratas levam neste momento ligeira vantagem. (Com todas as implicações que isso tem em termos de política internacional, nomeadamente da invasão do Iraque...)

Menos mal. Valeu... a poluição sonora (e visual). ! ... ?

Experiência inédita de arte pública interactiva

postaisdebxl.blogspot.com


Porto, Lisboa e Aveiro vão ser cenário, a partir da próxima quarta-feira, 8 de Novembro, de uma experiência inédita em termos de arte pública, com a instalação de ecrãs digitais gigantes em comunicação interactiva, anunciou ontem fonte da organização do evento.
Os ecrãs vão ser instalados em montras — Galeria deArte COM, na Rua Duque de Palmela (Porto), Café-Restaurante Cafeína, na Rua dos Mercadores (Aveiro) e Galeria Zé dos Bois, ao Bairro Alto (Lisboa), local ainda sujeito a confirmação. O projecto, intitulado “TouchPoint”, insere-se num programa mais alargado promovido pelo Teatro Aveirense, no âmbito da Academia das Artes Digitais, uma organização criada em parceria com a Universidade de Aveiro.
O dispositivo, semelhante a um ecrã digital gigante, pode ser tocado por qualquer pessoa, deixando ficar uma impressão em forma de escrita, desenho, ou simplesmente uma marca de uma parte do corpo. Essas marcas serão vistas em tempo real nos três ecrãs do Porto, Lisboa e Aveiro, permitindo assim a interactividade.
Simultaneamente, sobrepõem-se nos ecrãs imagens e um conjunto de espectáculos, que incluem a dança contemporânea e as artes performativas. O projecto é coordenado pelo professor Mário Vairinhos (Universidade Católica Portuguesa do Porto) sendo adirecção técnica da responsabilidade de Rui Raposo, director técnico do Teatro Aveirense.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Porque me disseram agora que a culpa era minha...

... porque sou "osso duro de roer"...

Porque não nos vemos como nos vêem. Porque vi isto há dias na Pecola...

Porque sim.

Porque não.

Olhos?
Castanhos escuros, muito escuros, tão escuros que se confundem com pretos.

Cabelos?
Agora: escalados, pelos ombros, libertos de uma franja de duas décadas. Sempre: caprichosos, ou melhor, com personalidade. Dependendo da região do globo, do dia, da humidade, do shampô… ondulados ou encaracolados regra geral, lisos só quando lhes apetece… (umas duas vezes por ano, infelizmente!)

Idade?
25 – um assustador quarto de século, queria ter 17 para sempre!

Altura?
1,65 via coacção do senhor do registo na ultima actualização do BI.

Peso?
Um pouco menos que o correspondente aos cms do BI, sem coacção infelizmente!
Nacionalidade?
Madeirense? Nop!... Portuguesa, sempre, antes de tudo o resto.

Alcunhas de Infância?
Xaninha, Joaninha, depois Madeirense, depois Jo, Ju, Juju, depois Stôra Joaninha, Stôra Ju, Stôra Juju e agora voltei a ser Jo - por estes lados - e Ju, Juju - por aí…, Dei e Joaninha sempre mas para muitíssimo poucos …

Ascendência?
Astrológica? Escorpião (…tenham medo, muito medo!!!)
Genealógica? M. Teresa T. G. J. (eu toda por dentro) e M. de N. Jacinto (eu toda por fora).

Irmãos e/ou Irmãs?
Irmãs, duas, fantásticas e maravilhosas: T. e A.; Irmão, um: mais fantástico e maravilhoso impossível (!), N.

Signo?
Touro, ascendente em Escorpião e mais não sei.

Sapatos que está a usar?
Sabrinas, hoje.

Medo?
De falhar.

Objectivo que gostaria de alcançar?
Ser feliz a fazer o que gosto e marcar os outros de forma positiva.

Frase que mais uso no msn?
”see ya”

Melhor parte do corpo?
Os olhos, o pescoço...

Pepsi ou Coca-Cola?
Coca-cola, embora raramente.

MacDonald’s ou Pizza Hut?
MacDonald’s, especialmente se tiver menu vegetariano…

Café ou capuccino?
No cofee at all.

Fuma?
Não.

Palavrões?
Não, mas apetece-me muitas vezes.

Perfume?
Never, it makes me sick! Sabonete e loção (normalmente vanilla, embora tambem cherry-blossom, gardenia ou passion fruit).

Lado da cama?
Cama. (... bem, se calhar o lado mais próximo da janela…)

Canta?
Só quando estou triste.

Toma banho todos os dias?
Sim, sempre. Por vezes mais que uma vez por dia.

Gostava da escola?
Gostar para essa altura é pouco, adorava!

Acredita em si mesmo?
Tem dias: da arrogância a uma extrema falta de auto-estima, há de tudo um pouco.

Dá-se bem com os seus pais?
Optimamente.

Gosta de tempestades?
Com direito a trovões, raios e coriscos, chuvada e uma molha monumental? Adoro!

Desporto?
Todos os de bancada. (Bem, futebol e hóquei com um carinho especial, mas sempre em azul e branco!)

Passatempos e Hobbies?
Ler, escrever, ouvir música, cinema, teatro, culinária, artesanato... e também fins de tarde à varanda, com a minha mãe, a não fazer nada (eu)!

Fobias e manias?
Não gosto de chegar atrasada, nem a horas sequer (chego sempre antes, dez minutos no mínimo!), abomino solenemente pratos e talheres de plástico (deixei de ir à Maison des Crêpes por causa disso...!) Não resisto a entrar numa bookstore, fnac, bertrand (e afins...) sem comprar um livro pelo menos; de resto, tenho uma tara-obsessão-mania por ou com livros, jóias (colecciono camafeus…), malas e sapatos, mais ou menos por esta ordem…

No último mês…

Bebeu álcool?
Não, no alcohol at all. Ever.

Fumou?
Não, ipsis verbis de cima.

Usou drogas?
Nao, ipsis verbis dos anteriores.

Fez compras?
Oh se fiz: oito livros, dois dvds, um cd, uma camisola, um par de sapatos.

Comeu um pacote inteiro de bolachas?
Quase. Nunca consigo: enjoo sempre que chego para lá de meio.

Comeu sushi?
Umas quatro vezes. (... ando a comer demasiado sushi, realmente!…)

Fez biscoitos caseiros?
Não, nem que quisesse, não tenho forno.

Pintou ou cortou o cabelo?
Nem pensar, este cabelo nas mãos de um americano, nunquinha (!), fazia logo birra e caía todo!

Roubou?
Não sou disso.

Número de filhos?
Em sonhos seis, sete, oito. Na realidade (quero), dois.

Como quer morrer?
Durante o sono. Acordar de um sonho bom numa outra dimensão parece-me bem.

Piercings?
Não, mas gosto de ver, no nariz para as raparigas, na sobrancelha para os rapazes.

Tatuagens?
Não, nem gosto de ver, não entendo, faz-me muita confusão.

Quantas vezes o seu nome apareceu nos jornais?
Tv não conta, pois não? Então, que saiba até presente, uma, no Correio do Minho por causa de uma Bolsa que ganhei. Não fazia ideia, mas uma aluna minha fez o favor de dar a saber e mostrar-me (a mim e a toda Faculdade!) a página que no fim me ofereceu… No comments.

Cicatrizes no corpo?
Uma só, pequenina, na parte de trás da perna direita, perigosas brincadeiras de criança...

Do que se arrepende de ter feito?
De não ter sabido lidar com determinadas pessoas e de porventura as ter marcado negativamente.

Cor favorita?
Azul marinho e Branco. (…mas também Verde limão, Rosa bebé, Amarelo e Laranja.)

Qual a disciplina favorita na escola?
No ciclo: Português, Inglês, Francês, História e Física e Química.
No secundário: Português, Francês, Grego, Latim, História, Filosofia.
Na universidade: Grego, Latim, Literatura Latina, Literatura Grega, Semântica.

Um lugar onde nunca esteve e gostava de ir?
Brasil.

Manhãs ou Noites?
Manhãs.

O que tem nos bolsos?
Nada.

Em dez anos imagina-se…
…Mãe.

E agora. . . quem se atreve?

domingo, novembro 05, 2006

Actualização

Saddam condenado à morte
União Europeia pede que a pena não seja executada
A presidência finlandesa da União Europeia pediu este domingo, em comunicado, que a pena de morte hoje decretada a Saddam Hussein não seja aplicada.

«A presidência recorda a posição da União europeia contra a pena de morte. A UE opõe-se à pena capital em todos os casos e em todas as circunstâncias e apela para que não seja aplicada no caso presente», divulgou em comunicado.
Pleased to be european!!!

No dia em que o mundo se congratula com uma aberração e aplaude uma execução sem moratória

... leio isto.
E não me convence.
Por causa do timing: vem demasiado a calhar.
Por causa do tom: soa a desculpa de mau pagador.
Até por causa do cheiro (a mofo): do Mr Noam Chomsky e do seu inatismo linguístico (quer que lhe faça um desenho, mas um a sério, do tipo diagrama - à Mr. Ronald Langacker, sim?)
New York times - Mental Health & Behavior
BOOKS ON SCIENCE
An Evolutionary Theory of Right and Wrong

By NICHOLAS WADE
Published: October 31, 2006

Who doesn’t know the difference between right and wrong? Yet that essential knowledge, generally assumed to come from parental teaching or religious or legal instruction, could turn out to have a quite different origin.

Primatologists like Frans de Waal have long argued that the roots of human morality are evident in social animals like apes and monkeys. The animals’ feelings of empathy and expectations of reciprocity are essential behaviors for mammalian group living and can be regarded as a counterpart of human morality.

Marc D. Hauser, a Harvard biologist, has built on this idea to propose that people are born with a moral grammar wired into their neural circuits by evolution. In a new book, “Moral Minds” (HarperCollins 2006), he argues that the grammar generates instant moral judgments which, in part because of the quick decisions that must be made in life-or-death situations, are inaccessible to the conscious mind.

People are generally unaware of this process because the mind is adept at coming up with plausible rationalizations for why it arrived at a decision generated subconsciously.

Dr. Hauser presents his argument as a hypothesis to be proved, not as an established fact. But it is an idea that he roots in solid ground, including his own and others’ work with primates and in empirical results derived by moral philosophers.

The proposal, if true, would have far-reaching consequences. It implies that parents and teachers are not teaching children the rules of correct behavior from scratch but are, at best, giving shape to an innate behavior. And it suggests that religions are not the source of moral codes but, rather, social enforcers of instinctive moral behavior.

Both atheists and people belonging to a wide range of faiths make the same moral judgments, Dr. Hauser writes, implying “that the system that unconsciously generates moral judgments is immune to religious doctrine.” Dr. Hauser argues that the moral grammar operates in much the same way as the universal grammar proposed by the linguist Noam Chomsky as the innate neural machinery for language. The universal grammar is a system of rules for generating syntax and vocabulary but does not specify any particular language. That is supplied by the culture in which a child grows up.

The moral grammar too, in Dr. Hauser’s view, is a system for generating moral behavior and not a list of specific rules. It constrains human behavior so tightly that many rules are in fact the same or very similar in every society — do as you would be done by; care for children and the weak; don’t kill; avoid adultery and incest; don’t cheat, steal or lie.

But it also allows for variations, since cultures can assign different weights to the elements of the grammar’s calculations. Thus one society may ban abortion, another may see infanticide as a moral duty in certain circumstances. Or as Kipling observed, “The wildest dreams of Kew are the facts of Katmandu, and the crimes of Clapham chaste in Martaban.”

Matters of right and wrong have long been the province of moral philosophers and ethicists. Dr. Hauser’s proposal is an attempt to claim the subject for science, in particular for evolutionary biology. The moral grammar evolved, he believes, because restraints on behavior are required for social living and have been favored by natural selection because of their survival value.

Much of the present evidence for the moral grammar is indirect. Some of it comes from psychological tests of children, showing that they have an innate sense of fairness that starts to unfold at age 4. Some comes from ingenious dilemmas devised to show a subconscious moral judgment generator at work. These are known by the moral philosophers who developed them as “trolley problems.”

Suppose you are standing by a railroad track. Ahead, in a deep cutting from which no escape is possible, five people are walking on the track. You hear a train approaching. Beside you is a lever with which you can switch the train to a sidetrack. One person is walking on the sidetrack. Is it O.K. to pull the lever and save the five people, though one will die?

Most people say it is.

Assume now you are on a bridge overlooking the track. Ahead, five people on the track are at risk. You can save them by throwing down a heavy object into the path of the approaching train. One is available beside you, in the form of a fat man. Is it O.K. to push him to save the five?
Most people say no, although lives saved and lost are the same as in the first problem.

Why does the moral grammar generate such different judgments in apparently similar situations? It makes a distinction, Dr. Hauser writes, between a foreseen harm (the train killing the person on the track) and an intended harm (throwing the person in front of the train), despite the fact that the consequences are the same in either case. It also rates killing an animal as more acceptable than killing a person.
Many people cannot articulate the foreseen/intended distinction, Dr. Hauser says, a sign that it is being made at inaccessible levels of the mind. This inability challenges the general belief that moral behavior is learned. For if people cannot articulate the foreseen/intended distinction, how can they teach it?
Dr. Hauser began his research career in animal communication, working with vervet monkeys in Kenya and with birds. He is the author of a standard textbook on the subject, “The Evolution of Communication.” He began to take an interest in the human animal in 1992 after psychologists devised experiments that allowed one to infer what babies are thinking. He found he could repeat many of these experiments in cotton-top tamarins, allowing the cognitive capacities of infants to be set in an evolutionary framework.
His proposal of a moral grammar emerges from a collaboration with Dr. Chomsky, who had taken an interest in Dr. Hauser’s ideas about animal communication. In 2002 they wrote, with Dr. Tecumseh Fitch, an unusual article arguing that the faculty of language must have developed as an adaptation of some neural system possessed by animals, perhaps one used in navigation. From this interaction Dr. Hauser developed the idea that moral behavior, like language behavior, is acquired with the help of an innate set of rules that unfolds early in a child’s development.
Social animals, he believes, possess the rudiments of a moral system in that they can recognize cheating or deviations from expected behavior. But they generally lack the psychological mechanisms on which the pervasive reciprocity of human society is based, like the ability to remember bad behavior, quantify its costs, recall prior interactions with an individual and punish offenders. “Lions cooperate on the hunt, but there is no punishment for laggards,” Dr. Hauser said.
The moral grammar now universal among people presumably evolved to its final shape during the hunter-gatherer phase of the human past, before the dispersal from the ancestral homeland in northeast Africa some 50,000 years ago. This may be why events before our eyes carry far greater moral weight than happenings far away, Dr. Hauser believes, since in those days one never had to care about people remote from one’s environment.
Dr. Hauser believes that the moral grammar may have evolved through the evolutionary mechanism known as group selection. A group bound by altruism toward its members and rigorous discouragement of cheaters would be more likely to prevail over a less cohesive society, so genes for moral grammar would become more common.
Many evolutionary biologists frown on the idea of group selection, noting that genes cannot become more frequent unless they benefit the individual who carries them, and a person who contributes altruistically to people not related to him will reduce his own fitness and leave fewer offspring.

But though group selection has not been proved to occur in animals, Dr. Hauser believes that it may have operated in people because of their greater social conformity and willingness to punish or ostracize those who disobey moral codes.

“That permits strong group cohesion you don’t see in other animals, which may make for group selection,” he said.

His proposal for an innate moral grammar, if people pay attention to it, could ruffle many feathers. His fellow biologists may raise eyebrows at proposing such a big idea when much of the supporting evidence has yet to be acquired. Moral philosophers may not welcome a biologist’s bid to annex their turf, despite Dr. Hauser’s expressed desire to collaborate with them.

Nevertheless, researchers’ idea of a good hypothesis is one that generates interesting and testable predictions. By this criterion, the proposal of an innate moral grammar seems unlikely to disappoint.

sábado, novembro 04, 2006

Encore

Poema
«Homem
INSOFRIDO TEMÍVEL ADAMADO PURO SAGAZ INTELIGENTÍSSIMO MODESTO RARO CORDIAL EFICIENTE CRITERIOSO EQUILIBRADO RUDE VIRTUOSO MESQUINHO CORAJOSO VELHO RONCEIRO ALTIVO ROTUNDO VIL INCAPAZ TRABALHADOR IRRECUPERÁVEL CATITA POPULAR ELOQUENTE MASCARADO FARROUPILHA GORDO HILARIANTE PREGUIÇOSO HIEROMÂNTICO MALÉVOLO INFANTIL SINISTRO INOCENTE RIDÍCULO ATRASADO SOERGUIDO DELEITÁVEL ROMÂNTICO MARRÃO HOSTIL INCRÍVEL SERENO HIANTE ONANISTA ABOMINÁVEL RESSENTIDO PLANIFICADO AMARGURADO EGOCÊNTRICO CAPACÍSSIMO MORDAZ PALERMA MALCRIADO PONDEROSO VOLÚVEL INDECENTE ATARANTADO BILTRE EMBIRRENTO FUGITIVO SORRIDENTE COBARDE MINUCIOSO ATENTO JÚLIO PANCRÁCIO CLANDESTINO GUEDELHUDO ALBINO MARICAS OPORTUNISTA GENTIL OBSCURO FALACIOSO MÁRTIR MASOQUISTA DESTRAVADO AGITADOR ROÍDO PODEROSÍSSIMO CULTÍSSIMO ATRAPALHADO PONTO MIRABOLANTE BONITO LINDO IRRESISTÍVEL PESADO ARROGANTE DEMAGÓGICO ESBODEGADO ÁSPERO VIRIL PROLIXO AFÁVEL TREPIDANTE RECHONCHUDO GASPAR MAVIOSO MACACÃO ESFOMEADO ESPANCADO BRUTO RASCA PALAVROSO ZEZINHO IMPOLUTO MAGNÂNIMO INCERTO INSEGURÍSSIMO BONDOSO GOSMA IMPOTENTE COISA BANANA VIDRINHO CONFIDENTE PELUDO BESTA BARAFUNDOSO GAGO ATILADO ACINTOSO GAROTO ERRADÍSSIMO INSINUANTE MELÍFLUO ARRAPAZADO SOLERTE HIPOCONDRÍACO MALANDRECO DESOPILANTE MOLE MOTEJADOR ACANALHADO TROCA-TINTAS ESPINAFRADO CONTUNDENTE SANTINHO SOTURNO ABANDALHADO IMPECÁVEL MISERICORDIOSO VOLUPTUOSO AMANCEBADO TIGRINO HOSPITALEIRO IMPANTE PRESTÁVEL MOROSO LAMBAREIRO SURDO FAQUISTA AMORUDO BEIJOQUEIRO DELAMBIDO SOEZ PRESENTE PRAZENTEIRO BIGODUDO ESPARVOADO VALENTE SACRIPANTA RALHADOR FERIDO EXPULSO IDIOTA MORALISTA MAU NÃO-TE-RALES AMORDAÇADO MEDONHO COLABORANTE INSENSATO CRAVA VULGAR CIUMENTO TACHISTA GASTO IMORALÃO IDOSO IDEALISTA INFUNDIOSO ALDRABÃO RACISTA MENINO LADRADOR POBRE-DIABO ENJOADO BAJULADOR VORAZ ALARMISTA INCOMPREENDIDO VÍTIMA CONTENTE ADULADO BRUTALIZADO COITADINHO FARTO PROGRAMADO IMBECIL CHOCARREIRO INAMOVÍVEL. (...) »
ALEXANDRE O'NEIL, Entre a Cortina e a Vidraça .

Os daqui e os daí


Os daqui são altos, fortes, loiros de olhos azuis ou ruivos de olhos cinzentos, morenos são poucos mas também os há, andam todos, invariavelmente, de t-shirt, calções e sapatilhas, obesos, gordos ou atléticos (magros nunca vi) – praticam todos no mínimo uma actividade desportiva, do ténis ao frizzbie há para todos os gostos –, fazem sempre a barba, não sei se se penteiam porque os cabelos estão sempre muito, muito curtos, tomam banho algumas vezes, quando calha, segundo os próprios. São descomplexados, simples, directos, conversadores, livres de formalidades, hierarquias e outras complicações do género. São apaixonados: oferecem flores, tocam piano, ajoelham-se em locais públicos, põem o megafone no coração a meio da rua, demasiado depressa às vezes, por convenção tácita ou não, não sei (magoam-se ou são magoados muitas vezes por isso, até porque americana que se preze faz da cara-a-metade tapete para os pés!). Têm vários sistemas instituídos, entre os quais avulta o da não exclusividade, compreensivelmente tornado aviso à navegação, em suporte de papel, no livrinho das boas-vindas, chapter “American Culture” que todo o international student recebe quando chega cá “May you notice that americans date on a regular basis three or more girls at a time, this is not considered schocking as it is cultural and enables them to make the right decision, after what they decide to move in with only one mate…” (!), não falam por acaso do outro sistema, do dos três dates que implica a consumação da relação (que relação???) à terceira saída… mas isso, sweetheart, toda a gente sabe (sabe?), sure!, toda a gente vê séries, Friends, Dharmas, Allies, Desperate Housewives e afins, right?, and please o cinema americano está cheio disso (está?).

Os daí são altos e magros, ou não altos e não magros, loiros ou morenos, mais morenos que loiros, t-shirt e calções e sapatilhas sim, mas só indoors ou no ginásio – que também é indoors, ninguém sai assim, pelo menos onde eu vivo, actividades desportivas poucas, só se for atleta profissional, ou se preocupar com a saúde – e com a aparência – e assim vai ao ginásio, porque além do mais fazem-se uns contactos jeitosos, perdão, agradáveis à vista; sim, porque o desporto nacional é o de bancada, a bola é que é, pois claro, todo o santo fim-de-semana, à segunda também de vez em quando, e às vezes até à quarta – se houver Champions. Se é beto tende a ser perfeccionista porque, entende, o teu swatch não dá com o meu BM, se ainda fosse um Ck ou um Gucci vá, passa a roupa a ferro (ou tem quem passe), faz a barba (com muito cuidado e perícia extrema), até porque tem que fazer sobressair o cabelo comprido, usa perfume (leia-se tem perfumes – muitos e bons). Se não é beto pode fazer a barba também, só não deixa crescer o cabelo, muito. Também há aqueles que banham o cabelo que têm – e o que começam a não ter – em algo do tipo gel, todos os dias, são os que vão ao cinema e à bola pelo simples prazer de causar estrilho. Se é alternativo, quero lá saber se as pessoas estão a olhar, deixa-as olhar, invejosas! …, deixa crescer barba e cabelo, em “rastas” ou não, pode parecer que não toma banho, mas toma, só não se perfuma. Sapatinho de vela, sapatilha, ou sandália (ou chinelo); camisinha, t-shirt de claque desportiva ou túnica árabe, são na generalidade complicados, cheios de salamaleques e problemas em se exprimirem, em conversar simplesmente, porque também se deve ter instituído aí que se há conversa, há interesse e o interesse é um fardo muito pesado que só o alcool e a noite tornam leve, simples. Mas bem, o oposto também existe. E no mesmo ratio, na mesmíssima proporcão. Bons e Maus. Românticos (de serenata, alguns, poema – menos e com sorte, retrato – uma minoria, com sorte euromilionária) ou mais frios, mais ou menos complicados, mais ou menos apaixonados, mais ou menos preocupados em manter aparências (tão português isto!!!), há de tudo. Para todos os gostos. Tal como as mulheres. Exactamente como as mulheres.

E há porque há, aí, aqui, em todo o lado: porque tem de haver, faz parte. É a vida! (Isto também é muito português...)

E não é que os daqui sejam melhores, que não o são, nem por sombras; tão pouco não é que os daí sejam piores – até porque estando longe o pior daí é o melhor do mundo… É pura e simplesmente porque na realidade os aís e os aquis não existem: aqui existem muitos iguais aos daí, tal como aí existem muitos iguais aos daqui.

Não há Aís, nem Aquis. Existem Agoras. E um Sempre. Um.

Que queremos ao nosso ritmo, à nossa medida, segundo a nossa vontade e os nossos sonhos. E por isso passamos o tempo a procurar. Todos procuramos o Sempre. A toda a hora. Há quem o procure no Agora, ou em muitos Agoras que se sucedem – como se a soma de todos os Agoras de uma vida fosse igual a um Sempre. Não é. Há também quem nunca salte para o escuro do Agora por achar que saberá quando chegar o Sempre, que o Sempre está escrito na testa do outro, porque o Sempre não é um agora. É.

Um Agora eternizado trans-temporalmente…

E vinha isto a propósito… da amargura (in)contida no último post da Amarga.